
Criado por Henrique Rodovalho, com direção geral de Vera Bicalho, esse trabalho de dança deve ganhar os palcos das principais capitais do Brasil. Em Manaus haverá a primeira sessão, no dia 19, fechada para estudantes, e a segunda, no dia 20, às 20 horas, no Teatro Amazonas, aberta ao público
A Quasar Cia de Dança conta com 8 bailarinos em cena, para retratar o ciclo climático do Cerrado e a beleza, na fragilidade e na resistência do bioma, diante do avanço do desmatamento. “Menos da Metade” é o primeiro trabalho em que a Companhia trata do assunto ambiental e faz um alerta sobre a crise dos recursos naturais da região.
Na apresentação do dia 20, os ingressos custam R$ 10 para a plateia,
enquanto os demais assentos têm entrada livre. As vendas são pelo
site shopingressos.com ou na bilheteria do Teatro Amazonas.
A temporada de “Menos da Metade” 2026 é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo PicPay, com realização da Quasar Cia de Dança e Ministério da Cultura, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
“É a primeira vez que a Quasar trata de um assunto especialmente do seu lugar de existência. Até então, nós nunca tínhamos criado algo especificamente do Centro-Oeste, do nosso Cerrado.” Explicação é do coreógrafo Henrique Rodovalho.
comportameneto do Cerrado
A partir do ciclo climático do Cerrado, entre o fim das chuvas e a seca, o espetáculo acompanha as diferentes paisagens ao longo dos meses na região e evidencia sensações, temperaturas e sonoridades. Rodovalho traduz nos corpos, a partir da linguagem construída pela Quasar, estados de florescimento, erosão, devastação e o avanço do agronegócio.
“O espetáculo é uma tentativa de fazer o público sentir o Cerrado no corpo,” ensina o artista.
Dessa forma, a narrativa traz, nos primeiros minutos da obra, as águas que florescem o Cerrado e transformam a vegetação. As noites frescas e sonoras do inverno goiano, captadas pela trilha sonora dos músicos Luiz Clímaco e Henrique Reis, revelam a atmosfera desse período. A coreografia traduz a beleza da vegetação, a contorção das árvores e a leveza dos sons.
Na sequência, a cena registra a seca, quando o verde desaparece e os corpos são marcados pelo calor, pela poeira e pela aridez. Os bailarinos deixam de representar apenas elementos da natureza e passam a mostrar o ser humano assolado pelo calor e pela exaustão.
O ciclo natural ganha contornos mais tensos com a exploração do espaço e o gado transformado em mercadoria. A lógica de exploração do território traz como consequência queimadas desmedidas e desmatamentos que indicam processos de destruição da vegetação nativa e do habitat animal. Ao mesmo tempo, essas imagens contrastam com o luxo das vestimentas associadas ao poder do agronegócio. Aos poucos, o palco perde seus elementos e surge um deserto de recursos.
Denúncia da devastação
“Há muito tenho pensado nesse trabalho e cada vez mais percebo sua necessidade. Nos últimos anos, tivemos episódios de temperaturas fora do comum em todo o Brasil, com secas devastadoras em alguns lugares e chuvas destruidoras em outros. Até mesmo para quem é produtor rural, essas condições são prejudiciais.
Goiás é o estado que mais tem terras produzindo soja ou criando bovinos. Precisamos de mais terras para garantir novas safras e rebanhos? A ideia desse espetáculo da Quasar é levantar essas questões, mesmo que cause incômodo. Debater isso, a partir de um estado que desmata e está perdendo seu bioma, é nossa obrigação.” São palavras de Rodovalho.
“Menos da Metade” compõe uma dramaturgia física que coloca lado a lado a fragilidade ambiental e a permanência da vida. Apesar do impacto da devastação, há uma ponta — uma árvore — de esperança e resistência.
Como é o espetáculo
A narrativa mantém características das criações da Quasar, como a precisão técnica, as “quebras das linhas contínuas” em favor de movimentos fragmentados, os deslocamentos inesperados e interrompidos, além de uma ocupação pouco convencional do espaço e da intimidade entre música, coreografia e bailarinos.
Rodovalho também assina o desenho de luz que acompanha as fases pelas quais o Cerrado passa ao longo do espetáculo. O figurino, criado por Cássio Brasil, e o cenário, idealizado por Marcus Camargo, contribuem para a experiência visual da obra.
A trilha sonora de Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis inclui canções que remetem a composições consagradas de músicos goianos, além de sonoridades características do Cerrado e ritmos percussivos, que tanto impactam quanto emocionam.
Reconhecida nacional e internacionalmente por sua linguagem autoral, a Quasar Cia de Dança reafirma neste trabalho sua capacidade de reinventar a dança contemporânea brasileira ao conectar rigor técnico, teatralidade e urgência política. “Menos da Metade” propõe escuta e sensibilidade para transformar o palco em território de memória, luto e resistência.
Fonte: Quasar Cia de Dasnça, Manaus
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