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Espetáculo de dança em Manaus denuncia destruição do Cerrado

Espetáculo de dança em Manaus denuncia destruição do Cerrado
[foto] - Dança da Quasar é uma denúncia sobre agressão aos recursos naturais do Cerrado.

01-10-2026 13:34:33
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Você que vai circular por Manaus, a capital do Estado do Amazonas entre os dias 19 e 20 de outubro, pode assistir as apresentações inaugurais da Quasar Cia de Dança, no histórico Teatro Amazonas, situado no largo de São Sebastião, Centro Histórico de Manaus. Peça "Menos da Metade," fala da crise ambiental da atualidade a partir das transformações sofridas pelo Cerrado, bioma que já perdeu mais da metade da vegetação original, e dos impactos sobre a vida e o território.

 


Criado por Henrique Rodovalho, com direção geral de Vera Bicalho, esse trabalho de dança deve ganhar os palcos das principais capitais do Brasil. Em Manaus haverá a primeira sessão, no dia 19, fechada para estudantes, e a segunda, no dia 20, às 20 horas, no Teatro Amazonas, aberta ao público

A Quasar Cia de Dança conta com 8 bailarinos em cena, para retratar o ciclo climático do Cerrado e a beleza, na fragilidade e na resistência do bioma, diante do avanço do desmatamento. “Menos da Metade” é o primeiro trabalho em que a Companhia trata do assunto ambiental e faz um alerta sobre a crise dos recursos naturais da região.

Na apresentação do dia 20, os ingressos custam R$ 10 para a plateia,

enquanto os demais assentos têm entrada livre. As vendas são pelo

site shopingressos.com ou na bilheteria do Teatro Amazonas.

A temporada de “Menos da Metade” 2026 é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo PicPay, com realização da Quasar Cia de Dança e Ministério da Cultura, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

“É a primeira vez que a Quasar trata de um assunto especialmente do seu lugar de existência. Até então, nós nunca tínhamos criado algo especificamente do Centro-Oeste, do nosso Cerrado.” Explicação é do coreógrafo Henrique Rodovalho.

comportameneto do Cerrado

A partir do ciclo climático do Cerrado, entre o fim das chuvas e a seca, o espetáculo acompanha as diferentes paisagens ao longo dos meses na região e evidencia sensações, temperaturas e sonoridades. Rodovalho traduz nos corpos, a partir da linguagem construída pela Quasar, estados de florescimento, erosão, devastação e o avanço do agronegócio.

“O espetáculo é uma tentativa de fazer o público sentir o Cerrado no corpo,” ensina o artista.

Dessa forma, a narrativa traz, nos primeiros minutos da obra, as águas que florescem o Cerrado e transformam a vegetação. As noites frescas e sonoras do inverno goiano, captadas pela trilha sonora dos músicos Luiz Clímaco e Henrique Reis, revelam a atmosfera desse período. A coreografia traduz a beleza da vegetação, a contorção das árvores e a leveza dos sons.

Na sequência, a cena registra a seca, quando o verde desaparece e os corpos são marcados pelo calor, pela poeira e pela aridez. Os bailarinos deixam de representar apenas elementos da natureza e passam a mostrar o ser humano assolado pelo calor e pela exaustão.

O ciclo natural ganha contornos mais tensos com a exploração do espaço e o gado transformado em mercadoria. A lógica de exploração do território traz como consequência queimadas desmedidas e desmatamentos que indicam processos de destruição da vegetação nativa e do habitat animal. Ao mesmo tempo, essas imagens contrastam com o luxo das vestimentas associadas ao poder do agronegócio. Aos poucos, o palco perde seus elementos e surge um deserto de recursos.

Denúncia da devastação

“Há muito tenho pensado nesse trabalho e cada vez mais percebo sua necessidade. Nos últimos anos, tivemos episódios de temperaturas fora do comum em todo o Brasil, com secas devastadoras em alguns lugares e chuvas destruidoras em outros. Até mesmo para quem é produtor rural, essas condições são prejudiciais.

Goiás é o estado que mais tem terras produzindo soja ou criando bovinos. Precisamos de mais terras para garantir novas safras e rebanhos? A ideia desse espetáculo da Quasar é levantar essas questões, mesmo que cause incômodo. Debater isso, a partir de um estado que desmata e está perdendo seu bioma, é nossa obrigação.” São palavras de Rodovalho.

“Menos da Metade” compõe uma dramaturgia física que coloca lado a lado a fragilidade ambiental e a permanência da vida. Apesar do impacto da devastação, há uma ponta — uma árvore — de esperança e resistência.

Como é o espetáculo

A narrativa mantém características das criações da Quasar, como a precisão técnica, as “quebras das linhas contínuas” em favor de movimentos fragmentados, os deslocamentos inesperados e interrompidos, além de uma ocupação pouco convencional do espaço e da intimidade entre música, coreografia e bailarinos.

Rodovalho também assina o desenho de luz que acompanha as fases pelas quais o Cerrado passa ao longo do espetáculo. O figurino, criado por Cássio Brasil, e o cenário, idealizado por Marcus Camargo, contribuem para a experiência visual da obra. 

A trilha sonora de Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis inclui canções que remetem a composições consagradas de músicos goianos, além de sonoridades características do Cerrado e ritmos percussivos, que tanto impactam quanto emocionam.

Reconhecida nacional e internacionalmente por sua linguagem autoral, a Quasar Cia de Dança reafirma neste trabalho sua capacidade de reinventar a dança contemporânea brasileira ao conectar rigor técnico, teatralidade e urgência política. “Menos da Metade” propõe escuta e sensibilidade para transformar o palco em território de memória, luto e resistência.

 

 

Fonte: Quasar Cia de Dasnça, Manaus
 

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