Estudo demonstra que a combinação entre segurança jurídica, ambiente
regulatório mais estável e ampliação da participação privada vem
acelerando a expansão da infraestrutura e aproximando
o Brasil das metas de universalização previstas para 2033.
Os investimentos refletem essa mudança. Em 2024, o saneamento registrou o terceiro recorde anual consecutivo, alcançando R$ 29,1 bilhões aplicados em abastecimento de água e esgotamento sanitário, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Desde a aprovação do Marco Legal, o número de domicílios abastecidos por rede de distribuição de água com disponibilidade diária aumentou 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões. O ritmo de expansão dos investimentos supera o crescimento dos investimentos da economia brasileira, fortalecendo a capacidade do setor de executar obras e ampliar o atendimento.
Os resultados já aparecem no acesso da população aos serviços. Desde 2020, foram 7,7 milhões de domicílios que passaram a contar com abastecimento de água em disponibilidade diária. No mesmo período, 9,3 milhões de domicílios comessaram a ser atendidos por redes de coleta de esgoto. Também houve avanço no tratamento: entre 2023 e 2024, o volume de esgoto tratado aumentou 5%, alcançando o equivalente a 1,9 milhão de piscinas olímpicas, reduzindo a poluição dos corpos hídricos e ampliando os benefícios ambientais.
Expansão de emprego
A expansão também tem promovido maior inclusão social. O número de residências beneficiadas pela tarifa social de água e esgoto passou de 2,6 milhões, em 2019, para 3,8 milhões, em 2024, ampliando o acesso das famílias de baixa renda aos serviços essenciais. O crescimento ocorreu antes mesmo da entrada em vigor da Lei da Tarifa Social de Água e Esgoto, refletindo iniciativas já adotadas pelas empresas.
O novo ciclo de investimentos também impulsiona o mercado de trabalho. Em 2025, o número de trabalhadores do setor cresceu 6,9% em relação ao ano anterior, enquanto a quantidade de profissionais com ensino superior, mestrado ou doutorado aumentou 22,6% na comparação com 2019.
A remuneração média alcançou R$ 6.595, valor 74% superior ao salário médio da economia brasileira (R$ 3.783), e equivalente a cerca de quatro vezes o salário mínimo. Ao longo de 2025, o setor pagou R$ 28,6 bilhões em remunerações, contribuindo para a geração de renda, o fortalecimento das economias locais e a formação de mão de obra cada vez mais qualificada.
Panorama também destaca o avanço das concessões desde a aprovação do Marco Legal. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, com a contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos, beneficiando cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em investimentos em 636 municípios, beneficiando 11,9 milhões de brasileiros.
Esgoto é desafio
Apesar dos avanços, o estudo mostra que ainda há desafios
importantes para alcançar a universalização. O Brasil
continua enfrentando um grande déficit no esgotamento
sanitário, apesar do crescimento dos investimentos.
Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização do abastecimento de água, enquanto apenas 321 municípios universalizaram a coleta e o tratamento de esgoto. Além disso, 3.625 municípios já possuem contratos com metas de universalização da água e 3.774 contam com metas estabelecidas para o esgotamento sanitário.
Para a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, será fundamental avançar na estruturação dos municípios que ainda não contrataram essas metas e preservar um ambiente regulatório estável, garantindo segurança jurídica para transformar investimentos em obras e ampliar o acesso da população aos serviços. “Os resultados mostram que o Marco Legal colocou o saneamento em um novo patamar de investimentos. Agora, é essencial preservar a estabilidade regulatória para que esses projetos sejam executados e o Brasil alcance as metas de universalização até 2033.”
Os dados integram o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, disponível para download no site da ABCON. Elaborado pela entidade, o estudo reúne informações do ABCON Data, PNAD Contínua/IBGE, SINISA, Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS/SINISA), Ministério das Cidades, Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE), Novo Caged/Ministério do Trabalho e Emprego, Sistema de Contas Nacionais do IBGE e BNDES.
Fonte: ABCON - artigo de opinião
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