
A árvore estava na Estação Experimental da EMBRAPA em Caçador, e, em campo, a equipe avaliou a existência de brotações viáveis par o processo de resgate do material genético. “O ideal é que a coleta deste tipo de material seja feita de cinco a dez dias após a queda. No entanto, a equipe observou brotações ainda viáveis”, explica Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas.
O material seguiu, então, para enxertia em laboratório e deve levar cerca de cem dias para confirmação do sucesso do procedimento. “Este material se encontra no alto, na copa da árvore e, em virtude da altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável nesta árvore, ou, infelizmente, com o tombamento”, explica Paulo César, bolsista da equipe . A iniciativa busca preservar e estudar características genéticas raras da espécie, como a altura e longevidade.
Idade da árvore
A idade exata do Pinheirão nunca foi determinada com precisão — seu tronco oco impedia a aplicação do método mais preciso, a dendrocronologia, que consiste na contagem dos anéis de crescimento formados ano a ano no interior do tronco. Em árvores íntegras e em pé, essa leitura pode ser feita com o uso de um trado, que retira uma amostra do lenho a partir do tronco, geralmente na altura do peito, em direção ao centro da árvore, onde estão os anéis mais antigos. Já em árvores caídas, é retirado um disco para realização da contagem, também com um corte à altura do peito. A escolha do DAP (“diâmetro à altura do peito”, convencionado como a 1,30 metro do solo) segue um padrão internacional e também critérios técnicos: nessa altura, os anéis tendem a ser mais regulares e representativos do crescimento da árvore, com menor interferência de deformações da base, como raízes expostas ou alargamentos do tronco. Isso aumenta a confiabilidade da amostra e permite comparações mais precisas entre diferentes estudos e indivíduos. No caso do Pinheirão, a equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares, da Embrapa Florestas, também vai coletar, em breve, discos do tronco em uma região onde a madeira ainda está íntegra (cerca de 5 metros de altura). Nesse caso, a contagem dos anéis pode ser feita diretamente, mas o resultado indicará apenas uma idade mínima da árvore, já que os anos iniciais de crescimento — quando o tronco ainda não havia atingido essa altura — não estarão registrados. Inspiração aos estudos Desde 2003, quando a equipe do Laboratório de Monitoramento da Embrapa Florestas - em parceria com professores e alunos da UFPR - iniciou a instalação de experimentos na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, o Pinheirão era frequentemente visitado. "Devido à fragilidade observada no tronco (oco), optou-se por não se proceder a nenhuma investigação para determinar a idade, mas certamente esta árvore serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos", explica a pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot. Pesquisadores de várias instituições internacionais como FAO, Universidade Politécnica de Madri, Centro Agronômico de Investigação e Ensino (CATIE - Costa Rica) e Rede Internacional de Bosques Modelo (Canadá) participaram de dias de campo na Estação, sendo a visita ao Pinheirão uma das partes mais esperadas da agenda. |
Saber qual a idade
Embora não seja possível estimar a idade da árvore, o porte monumental a transformou em um ponto de interesse dentro da Estação Experimental. Mesmo em área de acesso restrito, era comum que pesquisadores e funcionários buscassem o local para acompanhar o desenvolvimento. Para Anderson Feltrim, gerente da Epagri, instituição estadual parceira da EMBRAPA na Estação Experimental, “a mobilização atual reflete não apenas o valor científico da árvore, mas também o vínculo ao longo dos anos de todos nós que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a EMBRAPA, pois entendemos o valor científico de estudá-la.”
Situação semelhante já foi enfrentada anteriormente. Em Cruz Machado/PR, uma araucária de grande porte também foi clonada após queda, em trabalho também conduzido pela Embrapa Florestas. A experiência serve de referência técnica para a operação atual em Caçador. Clique aqui e aqui para saber como foi.
Últimos registrosO fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca foram os últimos a fazer registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pé. Em novembro/2025, eles estiveram no local para produzir imagens para o projeto “Reinvenção da Natureza”, do SESC. Segundo Zé Paiva, "é muito forte a sensação de sermos os últimos fotógrafos documentando essa árvore tão impressionante, sentir a força da natureza na árvore, mas também o impacto de ver a finitude da vida e que a vida está sempre se renovando” Inspirados pelo trabalho do Prof. Scipioni, o projeto visitou 12 árvores gigantes e, agora, está sendo finalizada uma exposição artística multimídia, com vídeos, experiência imersiva e informações sobre a Floresta Ombrófila Mista. A mostra ainda não tem data de estreia, mas deve acontecer ainda no primeiro semestre na galeria do SESC Concórdia e, no segundo semestre, na galeria do SESC Itajaí, em Santa Catarina. Acompanhe no Instagram o perfil @zepaivaphoto para mais informações. |
Levantamento de árvores gigantes
O professor Marcelo Callegari Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina, coordena um dos principais levantamentos de árvores gigantes no Sul do Brasil. No trabalho que faz (clique aqui) mapeia e estuda exemplares raros, como araucárias e imbuias de grande porte, ajudando a compreender sua magnitude, idade, ecologia e importância ambiental. As pesquisas envolvem expedições em campo, análise de anéis de crescimento e registro de árvores com mais de 1,5 m de diâmetro — hoje cada vez mais escassas. Além de revelar a história ambiental dessas espécies, o levantamento contribui para estratégias de conservação e reforça o valor ecológico das chamadas “árvores gigantes”.
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| Fotos: Katia Pichelli | ||
Fonte: EMBRAPA, Katia Pichelli
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