Uma mulher recém-abandonada pelo marido começa a conversar com uma planta que cresce em seu apartamento. Logo, a planta ganha ideias próprias e acredita ser Deus. Nesse diálogo improvável repleto de ironia e humor ácido entre humano e natureza, realidade e delírio se confundem. Essa é a trama da mais nova criação da Cia. dos Trópicos: “A Sarça Ardente”. Sob a direção e dramaturgia de João Santucci, o espetáculo inédito fica em cartaz até 1º de abril no Teatro Ziembinski, na Tijuca, Zona Norte do Rio, com ingressos a partir de R$ 20 (meia-entrada).
No palco, uma árvore verdadeira divide o espaço com o elenco, e torna-se personagem viva e simbólica da obra. A peça aborda temas profundos como ausência, vazio existencial, fé, vida, morte, feminino, memória, trauma e solidão, mas com boas pitadas de humor, melodrama, ironia e emoção. Inspirada na tradição das novelas brasileiras, com referências à psicanálise freudiana, à cultura latino-americana e ao melodrama almodovariano, “A Sarça Ardente” propõe uma reflexão sobre o sentido da existência e sobre a relação entre homem, natureza e arte.
O elenco é formado pelas atrizes Patrícia Bello e Raquel Monteiro, que se alternam, ao longo da encenação, para vivenciar as personagens Planta, Mulher e Muda de Outra Planta.
Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), disponíveis neste link aqui. A classificação indicativa é de 16 anos. A Cia. dos Trópicos também oferece Lista Amiga, com ingressos a R$ 20, mediante contato direto no Instagram da companhia.
Solidão, abandono e trauma
“A peça parte de um ponto simples, fácil de comunicar e impossível de ignorar: uma mulher magoada começa a conversar com uma planta, e essa planta passa a acreditar que é Deus. O grande trunfo da peça está justamente nessa combinação entre absurdo e humanidade. O que começa como uma situação estranha e até cômica, rapidamente se transforma em uma metáfora potente sobre solidão, abandono, culpa cristã, fé, delírio, trauma e a necessidade humana de projetar sentido quando tudo desmorona.” Assim explica o diretor e dramaturgo João
Santucci.
Diz o diretor que a protagonista feminina também é um ponto de destaque. “Não se trata de uma figura idealizada ou heroica, mas de uma mulher em estado de ruptura, atravessada por contradições, carências, culpa, desejo e ironia. A planta que se crê divina não é apenas um elemento fantástico, mas um espelho da própria protagonista e, em alguma medida, de uma sociedade que busca respostas absolutas em meio ao vazio existencial.”
“É uma peça que provoca riso e desconforto, reflexão e identificação, unindo filosofia, melodrama e imaginação em uma narrativa que dialoga tanto com o público amplo quanto com a crítica especializada. É um teatro que se explica rápido, mas permanece ecoando por muito tempo depois que a luz se apaga”, reforça a Cia. dos Trópicos. Em síntese, o diferencial de “A Sarça Ardente” torns possível transformar uma ideia simples e insólita em uma experiência teatral profunda, sensível e visualmente marcante.
Sobre a criação do espetáculo
Olha as explicações do diretor: “A Sarça Ardente” nasce do desejo de criar uma experiência cênica singular, situada entre o melodrama, o humor e a provocação filosófica. A ideia inicial partiu de uma performance: uma planta, que acredita ser Deus, dublada por uma atriz. Ao longo de quase um ano de desenvolvimento, a companhia investigou de diversas maneiras como representar a psique e a corporalidade dessa mulher-planta e desta planta-mulher, explorando suas fronteiras simbólicas, afetivas e existenciais.
Do ponto de vista estético e narrativo, o trabalho dialoga com o cinema de Pedro Almodóvar, especialmente na construção de personagens femininas em estado de excesso emocional, na mistura entre humor e dor, no uso do melodrama como ferramenta política e afetiva, e na valorização do artifício como linguagem. Ao mesmo tempo, a peça se inspira na tradição das novelas brasileiras, sobretudo na capacidade de tratar temas complexos e existenciais por meio de narrativas populares, diretas e emocionalmente reconhecíveis, em que o drama convive com o riso e o cotidiano é atravessado pelo extraordinário.
Ficha técnica
Direção e dramaturgia: João Santucci
Design e assistência de direção: Julia Feital
Elenco: Patrícia Bello e Raquel Monteiro
Produção: Malu Costa
Cenário: Renê Salazar
Iluminação: Rodrigo Belay
Figurino: Maïa Flores
Direção de movimento: Allenkr Soares
Operação de luz: Bernardo Bastos | Operação de som: Thiago Miyamoto
Cenotécnicos: Francisco Gomes e Fabrício Gomes
Assistência de produção: Bruna Secchim
Piano: Thalyson Rodrigues
Serviço
Espetáculo “A Sarça Ardente”
Temporada: até 1º de abril de 2026 (terças e quartas-feiras)
Horário: 20h
Classificação indicativa: 16 anos
Gênero: melodramático
Duração: 80 minutos
Compre online na Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/116857/d/367818/s/2471551
* Lista Amiga mediante contato no Instagram @ciadostropicos
Local: Teatro Municipal Ziembinski
Endereço: Avenida Heitor Beltrão, s/nº (em frente à estação de metrô São Francisco Xavier) - Tijuca - Rio de Janeiro (RJ)
Capacidade: 141 lugares
Bilheteria (funcionamento): terça a domingo, das 14 às 20 horas
Acompanhe o elenco
Cia. dos Trópicos: https://www.instagram.com/ciadostropicos/
Joa?o Santucci (diretor): https://www.instagram.com/santuccjoao
Patrícia Bello (atriz): https://www.instagram.com/patriciabello
Raquel Monteiro (atriz): https://www.instagram.com/rakeucomq/
Fonte: Cia dos Trópicos
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