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Varíola dos macacos pode lesar os olhos

 

03-08-2022 12:39:44 (53 acessos)
A saúde ocular está correndo risco devido ao novo surto de varíola dos macacos. Principais grupos que podem ser afetados são crianças, imunossuprimidos e gestantes. "A doença já é bem conhecida pela comunidade médica. Uma evidência disso são os diversos estudos científicos que vem sendo realizados desde que a varíola dos macacos surgiu na África." São observações do oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Instituto Penido Burnier de Campinas, São Paulo.

 

 

Contaminação causa 9 alterações nos olhos

e 74% das sequelas mais graves

ocorrem em pessoas não vacinadas.

 

O Brasil vive hoje um surto epidêmico da varíola dos macacos ou monkeypox, infecção viral causada por um vírus do mesmo nome que já infectou mais de 1 mil brasileiros nos últimos três meses.   A doença que chegou em maio, já coloca o País entre os 10 com maior número de contaminações entre as 75 nações que notificaram à OMS (Organização Mundial da Saúde) 16 mil casos da varíola dos macacos até final de julho.

 

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier de Campinas, a saúde ocular corre risco com o novo surto. Os principais grupos de risco são crianças, imunossuprimidos e gestantes. "A doença já é bem conhecida pela comunidade médica. Uma evidência disso são os diversos estudos científicos que vem sendo realizados desde que a varíola dos macacos surgiu na África", comenta.

 

O oftalmologista afirma que nove alterações oculares decorrentes da monkeypox e suas respectivas frequências elencadas pela comunidade científica são:

·Aumento dos gânglios linfáticos perioculares - 75%

·Formação de vesículas na órbita e ao redor dos olhos – 25%

·Blefarite – 30%

·Conjuntivite - 30%

·Lesão foco conjuntival – 17%

·Úlcera na córnea – 4%

·Fotofobia ou aversão à luz – 22,5%

·Ceratite (inflamação da córnea) 3,6% a 7,5%

·Perda da visão – 10% nas contaminações primárias e 5% nas contaminações secundárias.

 

Vacina protege olhos

Queiroz Neto afirma que o mais preocupante na nova epidemia é o hábito de automedicação entre brasileiros. Isso porque, um colírio inadequado no tratamento da conjuntivite pode causar uma perfuração na córnea, uma emergência médica que sem atendimento imediato leva à perda da visão. Por isso, toda  pessoas com suspeita de varíola dos macacos e desconforto nos olhos deve passar por consulta oftalmológica.  Os estudos revelam que a vacina reduz de 30% para 7% o risco de desenvolver conjuntivite (inflamação da conjuntiva) e blefarite (inflamação das pálpebras). A incidência de lesões no foco conjuntival caem de 17% para 14% e os casos de úlcera na córnea de 4% para 1%. O problema comenta é que as vacinas desenvolvidas na Europa para a monkeypox são escassas e a vacina para varíola humana, embora seja eficaz pela similaridade genética entre os dois vírus, deixou de ser fabricada depois que a doença foi erradicada.

 

Transmissão

Queiroz Neto explica que após o contato com roedores ou pessoas contaminadas pelo monkeypox, o vírus ficar encubado de 5 a 21 dias. O contágio também pode ocorrer através de fronhas, lençóis, toalhas e talheres utilizados por um doente ou pelo contato com secreção das lesões da pele, saliva ou gotículas das vias respiratórias. "Basta tocar um desses elementos e levar as mãos aos olhos para contrair o vírus e contaminar o globo ocular", afirma. Os primeiros sinais da varíola dos macacos podem ser confundidos com uma gripe: febre, dor no corpo desânimo, dor de cabeça. Até 5 dias depois desses sintomas surgem manchas vermelhas na pele chamadas de rash cutâneo que coçam. Estas manchas se transformam em vesículas cheias de um líquido viscoso que contém o vírus, e evoluem para pústulas cheias de pus que secam formando uma crosta. O médico afirma que os olhos e outras pessoas estão fora do risco de contaminação quando a pessoa infectada pelo monkeypox elimina todas as crostas.

 

Tratamento

O oftalmologista afirma que o tratamento das alterações oculares varia de acordo com a avaliação oftalmológica. O mais indicado é a instilação de colírio lubrificante para melhorar o conforto. O uso de colírio com corticoide aumenta a resistência do vírus, pode afinar a córnea e provocar perfuração. Casos de infecções resistentes pode ser tratados com antivirais, sempre com supervisão médica pelo risco. A varíola dos macacos é uma doença autolimitada e como todas as viroses o sistema imunológico geralmente elimina o vírus.

 

Prevenção

As dicas de Queiroz Neto para prevenir a monkeypox e a contaminação dos olhos são:

·Lave as mãos com frequência.

·Evite levar as mãos aos olhos.

·Mantenha os olhos lubrificados.

·Em caso de diagnóstico de monkeypox ou desconforto nos olhos consulte um especialista.

·Não uso colírio por conta própria. Todo medicamento tem efeitos colaterais que podem ser perigosos.

 

 

Fonte: Instituto Penido Burnier SP - Eutrópia Turazzi
 

 1 Comentários para esta notícia

  1. author

    Excelentes as informações! Precisamos estar atentos!


 

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