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Conheça bactérias que resistem a antibióticos e desafiam a cura de doenças

 

Antibióticos já não fazem efeito contra certas bacterias, um desafio aos sistemas de saúde do mundo
18-01-2022 12:46:54 (2577 acessos)
Bactérias resistentes a antibióticos, são um desafio à farmacologia e à Medicina modernas. Agora a Organização Mundial da Saúde (OMS) está mostrando quais são esses micróbios que de tanto serem tratados com super doses, já não controlados com remédios comuns. A indústria tem que pesquisar e desenvolver outros medicamentos, encarecendo a doença.

170301 - 19:25:47 horas 

 

“Esta lista é uma nova ferramenta para garantir que a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) responda às necessidades urgentes de saúde pública”, explica a subdiretora-geral da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação, Marie-Paule Kieny.

“A resistência aos antibióticos está crescendo, e estamos ficando sem opções de tratamento. Se deixarmos as forças do mercado sozinhas, os novos antibióticos de que precisamos mais urgentemente não serão desenvolvidos a tempo”, acrescenta.

O segundo e terceiro níveis da lista reúnem outras bactérias que têm se tornado cada vez mais resistentes aos fármacos e provocam doenças comuns, como gonorreia ou intoxicação alimentar causada por salmonela.

 

 

Prioridade 1: CRÍTICA

Acinetobacter baumannii, resistente a carbapenema;
Pseudomonas aeruginosa, resistente a carbapenema;
Enterobacteriaceae, resistente a carbapenema, produtoras de ESBL.

Prioridade 2: ALTA

Enterococcus faecium, resistente à vancomicina;
Staphylococcus aureus, resistente à meticilina, com sensibilidade intermediária e resistência à vancomicina;
Helicobacter pylori, resistente à claritromicina;
Campylobacter spp., resistente às fluoroquinolonas;
Salmonellae, resistentes às fluoroquinolonas;
Neisseria gonorrhoeae, resistente a cefalosporina, resistente às fluoroquinolonas.

Prioridade 3: MÉDIA

Streptococcus pneumoniae, sem sensibilidade à penicilina;
Haemophilus influenzae, resistente à ampicilina;
Shigella spp., resistente às fluoroquinolonas.

 

Para a Organização Mundial essas bactérias devem ser prioridade nas pesquisas por novos remédios contra micróbios. São 12 famílias de agentes patogênicos incluídas no documento que alerta, sobretudo, para as bactérias não afetadas por diferentes medicamentos.

Diz que microrganismos resistentes a múltiplos antibióticos são particularmente perigosos em hospitais, casas de repouso e entre os pacientes cujos cuidados exigem dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos.

Incluídas na primeira das 3 categorias de urgência definidas pela lista da OMS, essas bactérias incluem os gêneros Acinetobacter, Pseudomonas e várias espécies do gênero Enterobacteriaceae, como as Klebsiella, E. coli, Serratia e Proteus.

A agência da ONU aponta que esses agentes patogênicos

tornaram-se resistentes aos melhores medicamentos disponíveis

para tratar micróbios multirresistentes, como os antibióticos

carbapenemas e cefalosporinas. São bactérias que podem causar

problemas de saúde graves e frequentemente fatais, como

infecções da corrente sanguínea e pneumonia.

 

Se deixarmos as forças do mercado sozinhas,
os novos antibióticos de que precisamos
mais urgentemente não serão desenvolvidos a tempo.

De acordo com a OMS, a publicação do documento é um apelo a governos para que implementem políticas de incentivo à ciência básica e à P&D avançada, tanto por meio de agências financiadas pelo setor público quanto pelo setor privado. A agência internacional espera que mais recursos sejam investidos na descoberta de novos remédios.

O objetivo também é orientar novas iniciativas de P&D, como a Aliança mundial de P&D para antibióticos da OMS e da Iniciativa para Remédios para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigle em inglês), que está comprometida com o desenvolvimento sem fins lucrativos de novos antibióticos.

A tuberculose – cuja resistência ao tratamento tradicional vem crescendo

nos últimos anos – não foi incluída na lista porque é prioridade de outros

programas específicos. Outras bactérias que não foram incluídas, como

estreptococos A e B e clamídia, têm baixos níveis de resistência aos tratamentos

existentes e não representam atualmente uma ameaça significativa para a saúde pública.

Os critérios utilizados pela OMS para a escolha dos agentes patogênicos da lista incluíram: o nível de letalidade das infecções que provocam; se o seu tratamento requer longas internações hospitalares; com que frequência apresentam resistência aos antibióticos existentes quando infectam as pessoas em comunidades; a facilidade para se espalhar entre os animais e dos animais para os seres humanos, bem como de pessoa para pessoa; se as infecções que provocam podem ser prevenidas (por exemplo, por meio de uma boa higiene e vacinação); quantas opções de tratamento permanecem; e se novos antibióticos para tratar as infecções que causam já estão sendo desenvolvidos.

A agência da ONU lembra que, embora essencial, a pesquisa de novos remédios não basta para resolver o desafio representado pelos microrganismos resistentes. Outras medidas são fundamentais, como a prevenção de infecções e o uso adequado de antibióticos já existentes, tanto entre humanos, como nos animais. A OMS também recomenda o consumo racional de quaisquer novos medicamentos que venham a ser produzidos.

 

Fonte:
 

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