Nascimento em 25/Setembro/1935

Pianista dedicou-se à interpretação da música
brasileira e foi intérprete de
referência da obra de Camargo Guarnieri
Laís de Souza Brasil, aos 91 anos, teve uma trajetória profundamente ligada à música brasileira; foi referência na interpretação e divulgação desse repertório e, em especial, da música de Camargo Guarnieri.
“Laís de Souza Brasil construiu uma trajetória artística singular, marcada pela excelência interpretativa, pelo compromisso com a música brasileira e pela dedicação ao ensino.” Assim se expressou a Academia Brasileira de Música em comunicado sobre a morte da artista, que ocupava a cadeira nº 23 da instituição.
Laís de Souza Brasil nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1935. Formou-se pela Eacola Nacional de Música da Universidade do Brasil, atual Escola de Música da UFRJ, onde estudou sob a orientação de Guilherme Fontainha, antes de seguir para Milão e Viena, onde estudou com professores como Bruno Seidlhofer.
O comunicado ressalta ainda sua relação com a criação contemporânea como um todo, em recitais e concertos como solista à frente das principais orquestras brasileiras e de importantes conjuntos internacionais, realizando estreias no Brasil de obras de diferentes compositores, como Hans Werner Henze e Samuel Barber.
O contato com a música de Camargo Guarnieri, no entanto, foi de enorme importância, símbolo da riqueza da relação entre compositor e intérprete.
Lais realizou a estreia mundial de peças importantes, como a Sonata para piano e o Concerto para piano e orquestra nº 5, ambas dedicadas a ela. Gravou os 50 Ponteios, além das sonatas para violoncelo e piano e os concertos para piano.
Na discografia, destaca-se também a participação na gravação
integral das sonatas para violino e piano de Claudio
Santoro. Importantes registros da artista estão
disponíveis no acervo do Instituto Piano Brasileiro.
Em 2007, a pianista falou à Revista CONCERTO sobre sua relação com Camargo Guarnieri. “A única coisa de Guarnieri que eu tocava era a Dança negra. Um dia ele me convidou para tocar sob sua regência o concerto de Prokofiev. Depois do concerto, num momento informal, dedilhou ao piano seu Concertino e eu imediatamente me apaixonei”, lembrou, em entrevista concedida à jornalista Camila Fresca [leia aqui; acesso exclusivo para assinantes].
“A primeira coisa que gosto no Guarnieri é a marca pessoal, você identifica suas obras logo nos primeiros compassos. Têm os segundos movimentos confidenciais, nas obras maiores, ou as peças curtas intimistas, envolventes. Tem a rítmica de uma variedade fabulosa, a sobreposição de compassos – a junção dessa aparente ‘dissintonia’, com cada mão tocando uma coisa, forma algo muito especial. Tem a polifonia; tudo isso me fascina. Sua música nunca parece calculada, mas sim intuitiva; é despida de qualquer autopromoção ou efeito gratuito”