Campinas retoma cirurgias urgentes além da atenção ao coronavírus
26-06-2020 23:21:14 (62 acessos)
Porque atividades hospitalares estão voltadas mais para controle e prevenção das infecções pelo coronavírus, estão aumentando os casos de catarata e obrigando adiamento de cirurgias de urgência. Por isso o governo municipal de Campinas (São Paulo) determinou que sejam retomadas todas as demais intervenções inadiáveis, de câncer, cardíacas e outras. Também estão incluídas as de catarata para evitar o comprometimento da visão.

Mais de 30% das cirurgias previstas para 2020 foram adiadas.  Campinas acaba de liberar cirurgias de urgência que engloba alguns casos de catarata.

Os danos do coronavírus vão muito além dos pulmões. Atingem a saúde total das pessoas, inclusive dos olhos. Para reduzir parte deste estrago que está levando a população à morte e em alguns casos à perda da visão. Decreto permite aos hospitais de Campinas retomar as cirurgias cardíacas, oncológicas ou de urgência. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, a liberação prevê justificativa da urgência no prontuário médico, visando continuar dando apoio às vítimas de  covid-19 na cidade.

Crescimento

O oftalmologista afirma que de todas as doenças oculares, a catarata é a que mais cresce no País. Isso porque, embora seja multifatorial, tem como maior causa o envelhecimento que opacifica o cristalino (lente interna do olho).

No Brasil, o envelhecimento acelerado da população faz com que responda por 49% dos casos de perda da visão, bem acima da média global de 35%, apontada por levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O pior é que a interrupção das cirurgias desde final de março para combater a pandemia, fez com que pelo menos 30% das cirurgias previstas para 2020 fossem adiadas. Principais sinais de catarata elencados pelo médico são: troca frequente dos óculos, perda da visão de contraste, ofuscamento no trânsito e em locais ensolarados, necessidade de mais luz para ler.

Urgências

“Queiroz Neto afirma que em alguns casos operar a catarata configura uma urgência. Isso acontece quando o paciente tem alta miopia que pode levar a alterações no fundo do olho e predispor ao descolamento da retina.

“Outro grupo é formado por pessoas que desenvolvem a catarata associada ao glaucoma secundário causado por diabetes, hipertensão, uso prolongado de colírios com corticoide ou um trauma que eleva a pressão intraocular sem dar sinais .Por isso, nestas condições clínicas quanto antes for realizada a cirurgia, maior a chance de preservar a visão.  salienta.

Outros riscos

O oftalmologista destaca que a saúde ocular tem reflexos em todo nosso organismo. Prorrogar a cirurgia torna o procedimento mais perigoso porque o cristalino fica muito rígido e dificulta a extração. Por outro lado, comenta, o amarelamento da lente natural do olho pela catarata, desregula nosso relógio biológico.

Isso porque, diminui a produção do hormônio indutor do sono, a melatonina e a produção pelas células ganglionares da retina, de melanopsina, um pigmento que regula nosso "relógio biológico".  Resultado: “Perdemos o sono e ganhamos outros problemas de saúde: doenças cardiovasculares. hipertensão, diabetes, sobrepeso, colesterol alto e depressão“, comenta.

Na mulher a insônia é ainda mais frequente do que no homem. Isso porque, o cristalino tem receptores dos estrogênios e a redução destes hormônios na menopausa diminui a produção da melanopsina pelas células da retina”, afirma. Por isso, a dificuldade para realizar tarefas cotidianas indicar quando a operação deve ser agendada.

Segurança

Queiroz Neto ressalta que por ser especializado em Oftalmologia, o ambiente do Hospital é mais seguro que o de instituições abertas ao atendimento de pacientes com sintomas de covid-19.  Ainda assim segue as regras preconizadas pela OMS:

  • Agendamento de exames em intervalos que evitam aglomeração na sala de espera
  • Colocação de álcool gel em vários pontos do hospital
  • Atendimento com equipe reduzida
  • Desinfecção dos equipamentos a cada exame
  • Uso de máscara e protetor facial durante o atendimento
  • Esterilização completa da sala cirúrgica para realizar procedimentos que não podem ser adiados.
  • Equipe cirúrgica paramentada com touca, óculos de proteção máscara cirúrgica, avental, luva e sapatilha
  • Tomada de temperatura do paciente antes de entrar para a cirurgia

      . Entrega ao paciente de todos os equipamentos de proteção individual antes da cirurgia

 

Fonte: Instituto Penido Burnier SP - Eutrópia Turazzi
 

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