
Foi Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), quem mostrou esses números na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro.
Há ainda a observação que interessa aos jovens e a todos que precisam: quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas. Alerta o diretor do PNI que, no verão, os casos de dengue costumam subir no Brasil, o que pode ocorrer de forma mais intensa na temporada 2026-2027, por causa do El Niño.
"Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil.
No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal [em que a incidência
da doença é mais baixa], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida", complementou.
Está garantido o fornecimento para o público-alvo, apesar de a farmacêutica japonesa Takeda, fabricante da vacina Qdenga, ter uma capacidade de produção que não atende a toda a população brasileira, explicou Gatti.
Além das vacinas obtidas em 2024 e 2025, o Brasil tem um contrato vigente que prevê a entrega de 9 milhões de doses em 2026, e outras 9 milhões em 2027.
A vacinação contra a dengue no Brasil foi iniciada nos municípios mais afetados pela doença, avançando progressivamente; e, já é feita em todo o País. Público-alvo são as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Explicou o diretor da Sociedade que quando a vacina foi incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os dados que comprovavam a segurança eram mais robustos para a faixa etária de 4 a 16 anos. Dentro desse universo, as chances de adoecer com gravidade, são maiores entre 10 e 14 anos.
"Olhando para o que o mundo e o Brasil produziram de conhecimento nos últimos anos, nós já temos mais dados de segurança e continuamos olhando para isso com muita atenção. A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, até um desejo, mas a gente precisa ter cuidado com as questões operacionais, orçamentárias e de segurança."
O diretor do PNI também esclareceu que a aplicação da vacina produzida pelo Butantan continua suspensa, após a identificação de três casos de dengue grave adquiridos após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.
Ainda não está confirmado que a vacina tenha causado a doença, mas a coincidência temporal foi considerada um sinal de segurança pelo Ministério da Saúde, que decidiu suspender a vacinação em junho.
"Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete", acrescentou Gatti.
O diretor do PNI classificou a vacina do Butantan como "uma grande esperança para o País".
"É uma tecnologia nacional, e a nossa ideia era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas por ano, o que significa que, em três anos, nós conseguiríamos chegar a toda a população elegível do país. Mas, antes, precisamos sanar todas as lacunas geradas a partir desse sinal de segurança", explicou o diretor do PNI.
Fonte: Agência Brasil, Ministério da Saúde
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