
Acredita a pesquisadora Mônica Macedo, da área de Virologia Vegetal da Embrapa Hortaliças, que aparentemente o surto nas lavouras de melancia em Uruana(GO), foi provocado por uma espécie exótica de tospovírus, até então não relatada no Brasil.
Agricultores pediram ajuda aos pesquisadores, diante da agressão do vírus que prejudicou 100% da prodfução. O esforço de identificação do vírus tem a colaboração do professor Tatsuya Nagata, da Universidade de Brasília (UnB). “Reunimos amostras de folhas de melancia com sintomas de mosaico e clorose intensa, coletadas em Uruana e Santa Fé de Goiás. As amostras foram submetidas ao Sequenciamento de Alto Rendimento (High-Throughput Sequencing – HTS), metodologia capaz de identificar qualquer organismo presente na amostra”, detalha a pesquisadora Mônica Macedo.
O caso não é isolado: surtos de viroses têm impactado periodicamente a produção e a cadeia econômica da cultura da melancia na região. O último grande surto havia ocorrido em 2013, provocado principalmente por tospovírus transmitidos por tripes. Em 2026, a incidência causou até 100% de perdas nos cultivos.
Estratégias contra o agressor
Junto com os agricultortes, os pesquisadores da EMBRAPA promoveeram mesa-redonda para discutir estratégias de manejo contra o agente causal do surto. As visitas técnicas ao município ocorreram em maio — com a participação da pesquisadora e virologista Mirtes Lima — e nos dias 9 e 10 de setembro.
Enquanto são encaminhadas tratativas com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) relativas à identificação da espécie, a pesquisadora recomenda medidas integradas de manejo para redução de danos.
Estão sugeridos a eliminação de plantios antigos logo após a colheita, a destruição de plantas tigueras (voluntárias) e o controle de plantas daninhas no entorno do cultivo, evitando que sirvam de reservatório para o vírus e seu vetor.
Também é recomendado o controle do inseto vetor (tripes) por meio de barreiras físicas (como lonas adesivas nas bordaduras do plantio) e controle químico adequado.
As orientações estendem-se à adoção do vazio sanitário, medida fitossanitária que visa interromper o ciclo de pragas e doenças ao proibir o cultivo de espécies-alvo em determinados períodos do ano.
“Atualmente, integramos um grupo de trabalho que avalia a viabilidade dessa medida para a melancia. O vazio sanitário já é aplicado com sucesso no manejo de outras doenças, como o mosaico-dourado no feijoeiro e a geminivirose no tomateiro”, assinala Macedo.
Fonte: EMBRAPA, Assessoria de Comunicação
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