A série de oficinas já foi iniciada (260519), em dois estados. No Rio Grande do Norte, o encontro acontece na Câmara Municipal de Santa Maria (RN), das 8h às 17h, enquanto na Paraíba o treinamento será na cidade de Esperança (PB), na Sede da Associação Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), no mesmo horário. Os detalhes sobre as capacitações na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas estão no quadro ao final da matéria.
“Essas capacitações vêm fortalecer e qualificar a implementação das barragens subterrâneas em políticas públicas como o Programa Cisternas, ao proporcionar mais segurança às organizações na seleção de áreas para a implantação da tecnologia. A ferramenta amplia a capacidade de identificação de locais aptos à construção de barragens subterrâneas, contribuindo para o uso sustentável da água e para a inclusão socioprodutiva das famílias do Semiárido brasileiro”, explica Vitor Leal Santana, coordenador-geral de Acesso à Água da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do MDS.
As oficinas serão divididas em dois momentos. No primeiro, haverá contextualização teórica sobre barragens subterrâneas e orientações para instalação e cadastro no aplicativo. Na segunda parte, serão realizadas atividades práticas em unidades de produção familiar em territórios rurais para identificação de locais aptos à construção da tecnologia. As atividades serão conduzidas a partir de práticas dialógicas, promovendo um ambiente inclusivo que valoriza a participação de todos os participantes.
"A abordagem adotada integra base científica, prática de campo e troca de saberes, o que fortalece o aprendizado coletivo. O objetivo principal é que os participantes adquiram conhecimento para identificação de áreas e implantação de barragens subterrâneas, assim como fornecer sugestões para o manejo adequado da água, dos solos e dos cultivos nos agroecossistemas que contam com essa tecnologia”, explica Cláudio Almeida Ribeiro, assessor técnico do Programa P1+2 da ASA.
Desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA, o aplicativo GuardeÁgua foi lançado em dezembro de 2025 e está disponível para Android, contando ainda com uma plataforma na versão web. A tecnologia recebeu aporte financeiro do MDS por meio de um Termo de Execução Descentralizado (TED) firmado em 2024.
Maria Sonia Lopes da Silva, pesquisadora da Embrapa Solos UEP Recife e líder do projeto GuardeÁgua, explica que o aplicativo foi criado para ser utilizado diretamente no campo, por meio de tablets ou aparelho celular. “O aplicativo funciona mesmo sem acesso à internet, garantindo autonomia em áreas sem cobertura de internet. Quando a conexão é restabelecida, o sistema recupera automaticamente os dados coletados, assegurando a atualização e o compartilhamento das informações em tempo real”, salienta.
A barragem subterrânea é uma tecnologia social hídrica já consolidada e que facilita a convivência produtiva com a seca ao garantir umidade no solo para plantio durante boa parte do ano. Consiste, basicamente, na utilização de uma lona plástica de 200 micras que desce no solo a profundidades de 1,5 a 6 metros, em valas cavadas em regiões de áreas agrícolas com declives suaves. Como a água das chuvas fica retida pela lona, o solo fica umedecido durante vários meses, tornando-se apto para o cultivo. É construído também um sangradouro para quando ocorrem fluxos de água acima do esperado, além de um poço que permite que essa água adicional seja estocada para pequena irrigação em períodos de escassez das chuvas, bem como para a dessedentação animal, conforme necessidade da família - assista vídeo para saber mais.
“A Embrapa, a ASA e o MDS esperam que, ao final das capacitações nesses nove estados do Semiárido brasileiro, o aplicativo GuardeÁgua esteja amplamente apropriado por extensionisas, técnicos, técnicas, agricultores e agricultoras, como ferramenta de apoio à identificação de áreas para instalação de barragens subterrâneas e ao uso dessa tecnologia social hídrica. Os estados do Espírito Santo e do Maranhão, embora integrem a região do Semiárido, não serão contemplados nesta etapa, por não possuírem metas de barragens subterrâneas no contrato ASA/MDS, no âmbito do Programa Cisternas”, explica Maria Sonia.
Alexandre Hugo Barros, pesquisador da Embrapa Solos que participou do desenvolvimento, explica que os dados de entrada para o funcionamento do GuardeÁgua referem-se a solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir dos dados inseridos, o aplicativo fará uma análise integrada e poderá retornar três resultados: “Apto”, quando o local é adequado para a construção da barragem subterrânea; “Restrito”, quando o terreno é adequado, porém com algumas restrições ou limitações para a construção; ou “Inapto”, quando não é adequado para a instalação.
“O usuário pode visualizar em tela e baixar no formato PDF o relatório com os detalhes da análise e a justificativa do resultado. Para os resultados ‘Apto’ e ‘Restrito’, o aplicativo também fornece sugestões gerais de práticas conservacionistas de manejo do solo e de manejo de água com sugestões de irrigação, que favorecem o uso eficiente da barragem subterrânea e o aumento da produtividade agrícola”, acrescenta Barros.
Quanto à sugestão de cultivos a serem adotados na área da barragem subterrânea, o aplicativo fornece uma lista de culturas. Ao clicar em cada uma delas, o usuário é direcionado para a página de Cultivos, criações e sistemas de produção disponibilizada no Portal Embrapa, que fornece informações detalhadas sobre produção de diversas culturas, com dados técnicos e orientações práticas para técnicos e agricultores.
O GuardeÁgua também disponibiliza acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e ao aplicativo Zarc Plantio Certo, que fornecem informações por estado e município sobre a melhor época de plantio recomendada pelo Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa).
Fonte: EMBRAPA, Fernando Gregio
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