Na Comissão Especial sobre a Política Nacional para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, está em análise o Projeto de Lei 3080/20.
“Sem dados, não conseguimos saber quantas pessoas precisam de atendimento. Precisamos enfrentar as brechas que hoje não recebem atenção.” Assdim falou a deputada Maria Rosas (Republicanos-SP).
Artur Almeida Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência
do Ministério da Saúde, informou que a pasta lançou, em setembro de 2025,
uma Linha de Cuidado para pessoas com TEA. O documento organiza o
atendimento no SUS e estabelece a Atenção Primária como porta de entrada.
Segundo Medeiros, sinais de autismo em adultos podem ser confundidos ou não identificados, o que exige profissionais capacitados. Disse que o Ministério ainda não tem dados específicos sobre diagnóstico tardio e que trabalha para incluir a identificação de pessoa com deficiência e de TEA, nos sistemas de informação do SUS.
Diagnóstico tardio
Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão de Pessoas Autistas, afirmou que há poucos dados sobre a situação de adultos com autismo, especialmente acima dos 45 anos.
Números estimados:
Diagnosticado aos 36 anos, Almeida defendeu a criação de protocolo específico para rastreamento de autismo em adultos e a implementação de um programa nacional de emprego apoiado.
“O diagnóstico tardio é libertador. Agora sei que não sou louco, depressivo ou burro”, relatou, ao citar o depoimento de uma mulher com autismo.
Atendimento após os 18 anos
A vice-presidente do movimento Orgulho Autista Brasil, Viviane Pereira Guimarães, criticou a interrupção do atendimento após os 18 anos.
“Nossas terapias vão até os 18 anos. Depois disso, a pessoa deixa de ser acompanhada pela rede e perde apoio social”, afirmou.
Vice-Presidente também relatou casos de servidores públicos que tiveram o diagnóstico de TEA questionado em perícias médicas ao solicitarem adaptação da jornada de trabalho, como o regime de trabalho remoto.
Segundo Viviane, profissionais sem formação específica em saúde mental têm desconsiderado laudos especializados.
Seminários no Brasil
Ao final da audiência, o colegiado aprovou requerimentos para realizar seminários regionais em municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. O objetivo é ampliar o debate sobre o Projeto de Lei 3080/20, que institui a Política Nacional para Pessoas com Autismo.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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