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Geração de empregos é insuficiente e aumenta informalidade

 

Sem recuperar locais de trabalho, a informalidade aumenta na America Latina e Caribe. OIT analisa.
08-09-2021 18:51:15 (182 acessos)
Mais de 43 milhões de empregos foram destruídos no auge da infecção por coronavírus em países da América Latina e Caribe, informa a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Analistas dizem que postos de trabalho não são criados “nem na quantidade nem na qualidade que a região necessita para fazer frente a uma crise sem precedentes." Palavras de Vinícius Pinheiro, diretor da Organização. Desde meados de 2020 até o primeiro trimestre de 2021, são informais 70% dos empregos gerados.

Por causa disso é considerada "insuficiente" a recuperação da economia, caracterizada pela elevada taxa de desocupação e forte predomínio de ocupações informais.

Acrescenta o Diretor que “a relação estreita entre a informalidade do trabalho, a baixa renda e a desigualdade, ficaram ainda mais evidentes."

“Emprego e informalidade na América Latina e Caribe: Uma recuperação insuficiente e desigual” (Empleo e informalidad en América Latina y el Caribe: una recuperación insuficiente y desigual). Este é o documento assinado pela OIT que analisa as mudanças nos últimos meses, nos mercados de trabalho, renda e desigualdade.

Sem proteção social e nem condições de acessar programas de redução de horas de trabalho ou retrabalho, a parcela da população desocupada está em desabrigo. Em alguns países foi reduzida a própria informalidade. 

“A recuperação subsequente daquele ponto até o primeiro trimestre de 2021 foi de cerca de 29 milhões. Portanto, o aumento da ocupação não compensou totalmente a perda anterior ”, destacou o documento. Cerca de 30% dos empregos perdidos ainda não foram recuperados.

Ao mesmo tempo, no início do ano, os indicadores críticos de mão de obra se arrastavam. Na comparação interanual entre o primeiro trimestre de 2020 e o mesmo trimestre de 2021, observou-se uma redução média de 3,5% na taxa de ocupação da região e uma contração na taxa de participação econômica de 2,6%. Além disso, houve aumento de 2% na taxa de desocupação.

Isso gera para o primeiro trimestre de 2021, um valor de 59% de taxa de participação econômica e 52,6% da taxa de ocupação - em ambos os casos a mais baixa em pelo menos uma década - e uma taxa de desocupação de 11%, o que implica que cerca de 32 milhões de pessoas procuraram ativamente um emprego sem conseguir encontrá-lo.

A redução na taxa de participação tem sido uma peculiaridade desta crise, na qual milhões de pessoas preferiram deixar a força de trabalho diante da perspectiva de procurar empregos que não estavam disponíveis. Quando muitas dessas pessoas voltarem a procurar emprego, somadas a outras que precisarão de renda após a crise, haverá pressões adicionais tanto sobre a taxa de desemprego quanto sobre os níveis de emprego informal.

Mulheres sofrem. Soluções.

A nota técnica da OIT também afirma que as mulheres, os(as) jovens e as pessoas com menores qualificações foram desproporcionalmente afetados pela contração do emprego e da renda, e são as pessoas mais fortemente afetadas pelos impactos da crise sobre a desigualdade e o aumento da pobreza na região.

A autora desta análise, a especialista em economia do trabalho da OIT, Roxana Maurizio, destacou que “no caso das mulheres, houve um declínio da participação laboral após décadas de aumento da sua incorporação ao mercado de trabalho. Há mais de 15 anos que não se registrava uma taxa tão baixa de participação econômica das mulheres ”.

Diante de um panorama laboral caracterizado por uma recuperação econômica com impacto insuficiente sobre o emprego, “a região precisa adotar uma agenda de políticas abrangentes, consensuais e de longo alcance centrada nas pessoas, que sustente a criação mais empregos formais ”, explicou Maurizio.

As medidas devem ser acompanhadas de estratégias de reconstrução do aparato produtivo, incluindo a criação de novas empresas e o aumento da produtividade das empresas que conseguiram sobreviver à crise.

 

Fonte: OIT - Organização Internacional do Trabalho
 

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