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Número de refugiados aumenta e ONU pede esforço dos países pela paz

 

Em Boa Vista, Brasil recebe parte dos 4 milhoes de refugiados da Venezuela.  FOTO Opiniao e Noticia
18-06-2021 21:06:03 (238 acessos)
Há hoje no cenário internacional 82,4 milhões de refugiados. Isto é o que diz um relatório liberado em Genebra (Suiça), pelo ACNUR, com o propósito de "chamar atenção dos líderes mundiais" sobre urgência de esforços pela paz, estabilidade e cooperação. Cresceram 4% esses deslocamentos forçados devido a conflitos, perseguições e violência de todo tipo. Documento dos agentes da ONU, indica que há uma "tendência" de agravamento do problema e que governos podem agir.

Ao final de 2020 havia 20,7 milhões de refugiados sob o mandato da ACNUR

(Alto Comissariado da ONU para Refugiados), 5,7 milhões de refugiados

palestinos (sob o mandato da agência UNRWA) e 3,9 milhões de

venezuelanos deslocados fora do País. Outras 48 milhões de pessoas

foram definidas como deslocadas internas – ou seja, dentro dos próprios países.

Adicionalmente, 4,1 milhões estavam como solicitantes da condição de refugiado.

Pedidos de cessar fogo não aplacam os conflitos, nem sob o perigo da infecção oportunista do coronavírus. E as pessoas continuam afetadas por violência e expulsões dos próprios lares. 

“Atrás de cada número há uma pessoa forçada a fugir de sua casa e uma história de deslocamento, perda de bens e sofrimento. Estas pessoas merecem nossa atenção e apoio não apenas com ajuda humanitária, mas com soluções duradoras para sua situação.” Foi o que disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

“Enquanto a Convenção da ONU de 1951 e o Pacto Global sobre Refugiados oferecem um arcabouço legal e ferramentas para responder ao deslocamento, necessitamos de maior apoio político para lidar com os conflitos e perseguições que forçam as pessoas a fugir”, completou Grandi.

Meninas e meninos com até 18 anos de idade representam 42% de todas as pessoas forçadas a se deslocar. São especialmente vulneráveis, ainda mais quando as crises perduram por muitos anos. Novas estimativas do ACNUR mostram que quase 1 milhão de crianças nasceu como refugiadas entre 2018 e 2020. Muitas delas deverão permanecer nesta condição nos próximos anos.

“A tragédia de tantas crianças nascendo no exílio deveria ser uma razão suficiente para um esforço ainda maior no sentido de prevenir e encerrar conflitos e violência”, afirma o Alto Comissário da ONU para Refugiados.

O relatório do ACNUR nota ainda que durante o pico da pandemia em 2020, mais de 160 países fecharam fronteiras, com 99 não fazendo qualquer exceção para pessoas em busca de proteção internacional. Com a adoção de algumas medidas, como checagem médica nas fronteiras, certificados de saúde ou quarentena temporária, procedimentos simplificados de registros e entrevistas remotas, mais países encontraram maneiras de assegurar o acesso a procedimentos de asilo e manter o controle da pandemia.

Enquanto pessoas continuam sendo forçadas a fugir cruzando fronteiras internacionais, muitos milhões delas encontravam-se deslocadas dentro dos próprios países. Devido a crises principalmente na Etiópia, Sudão, países do Sahel, Moçambique, Iêmen, Afeganistão e Colômbia, o número de deslocados internos cresceu em mais de 2,3 milhões de pessoas.

Ao longo de 2020, cerca de 3,2 milhões de deslocados internos e apenas 251 mil refugiados retornaram aos lares – uma queda de 40% e 21% respectivamente, se comparado com 2019. Outros 33.800 refugiados foram naturalizados pelos países de acolhida. O reassentamento de refugiados registrou queda drástica: apenas 34.400 refugiados foram reassentados em 2020, o menor nível em 20 anos – uma consequência da redução de vagas para reassentamento causada pela COVID-19.

“Soluções requerem dos líderes globais e daqueles com

poder de influência que coloquem as diferenças de

lado, acabem com uma abordagem egoísta

sobre a política e, em vez disso, se foquem na

prevenção e solução de conflitos, assegurando

o respeito aos direitos humanos”, disse Grandi.

Principais dados do ACNUR em “Tendências Globais 2020:”

  • 82,4 milhões de pessoas forçadas a se deslocar em todo o mundo (79,5 milhões em 2019) – crescimento de 4%;
    • 26,4 milhões de refugiados (26,4 milhões em 2019), incluindo:
      • 20,7 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR (20,4 milhões em 2019);
      • 5,7 milhões de refugiados palestinos sob o mandato da UNRWA (5.6 milhões em 2019);
    • 48 milhões de deslocados internos (45,7 milhões em 2019);
    • 4,1 milhões de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado (4,1 milhões em 2019)
    • 3,9 milhões de venezuelanos deslocados fora do seu país (3,6 milhões em 2019);
  • 2020 é o nono ano de crescimento ininterrupto do deslocamento forçado no mundo. Hoje, 1% da população global encontra-se deslocada e há duas vezes mais destas pessoas que em 2011, quando este número estava abaixo de 40 milhões.
  • Mais de dois terços de todas as pessoas refugiadas vieram de apenas cinco países: Síria (6,7 milhões), Venezuela (4 milhões), Afeganistão (2,6 milhões), Sudão do Sul (2,2 milhões) e Mianmar (1,1 milhão).
  • A vasta maioria das pessoas refugiadas do mundo – quase nove em cada dez (ou 86%) – estão acolhidas em países vizinhos às crises e que são de renda baixa ou média. Os países menos desenvolvidos acolheram 27% deste total.
  • Pelo sétimo ano consecutivo, a Turquia abriga a maior população de refugiados no mundo (3,7 milhões de pessoas), seguida pela Colômbia (1,7 milhão, incluindo venezuelanos deslocados fora do seu país), Paquistão (1,4 milhão), Uganda (1,4 milhão) e Alemanha (1,2 milhão).
  • Pedidos de asilo pendente de análise no mundo permaneceu nos níveis de 2019 (4,1 milhões), sendo que o ACNUR e os países registraram (dentro deste total) 1,3 milhão de novas solicitações (1 milhão – ou 43% – a menos que em 2019).

 

 

Fonte: ACNUR - Alto Comissariado da ONU para Refugiados
 

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