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Crise do emprego vai até 2023. Geração é insuficiente

 

Para muitos o desemprego leva viver na rua onde a solidariedade nao restaura dignidade ao ser humano
03-06-2021 18:35:08 (176 acessos)
Estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que 205 milhões de pessoas estarão desempregadas pelo mundo em 2022. Número surpreendeu os técnicos porque foram 187 milhões em 2019, algo semelhante só encontrada na crise de 2013. Se de fato chegar àquele nível, a taxa ficará em 5,7%. Na opinião de observadores da Organização, "está longe de terminar" a crise do mercado de trabalho que pode avançar em 2023. Avaliam que a geração de emprego vem sendo "insuficiente."

210602 - 21:41 horas

 

A indicações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), encontram-se no relatório "Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo: Tendências 2021" (World Employment and Social Outlook: Trends 2021 - WESO Trends).

Documento agora liberado (210602) diz que a carência de locais de trabalho somaará 75 milhões em 2021, por causa da pandemia; mas em 2022 vai cair para 23 milhões. Estudo demonstra que as perdas de postos de trabalho e a redução de horas de trabalho, equivalem a 100 milhões de empregos em tempo integral em 2021 e 26 milhões de empregos em tempo integral em 2022. "Essa escassez de empregos e horas de trabalho, somam-se aos níveis persistentes de desemprego, subutilização da mão de obra e condições precárias de trabalho anteriores à crise."

Assim, as projeções apontam para o desemprego mundial de 205 milhões de pessoas em 2022.

América Latina e Caribe, e Europa e Ásia Central são as regiões mais afetadas. Nessess locais a perda estimada de horas de trabalho superou 8% no primeiro trimestre e 6% no segundo, em comparação com as perdas globais em horas de trabalho que foram de 4,8% e 4,4%, respectivamente, no primeiro e segundo trimestres.

Recuperação esperada

Estima-se que a recuperação global do emprego acelere na segunda metade de 2021, desde que não haja um agravamento da situação geral de pandemia. No entanto, isso será desigual, devido ao acesso desigual às vacinas e à capacidade limitada da maioria das economias em desenvolvimento e emergentes de apoiar fortes medidas de estímulo fiscal. Além disso, a qualidade dos empregos recém-criados provavelmente se deteriorará nesses países.

A queda no emprego e nas horas de trabalho resultou em uma redução drástica da renda do trabalho e no consequente aumento da pobreza. Em comparação com 2019, globalmente, 108 milhões a mais de trabalhadores são agora considerados como vivendo na pobreza ou extrema pobreza (o que significa que eles e suas famílias vivem com o equivalente a menos de US$ 3,20 por pessoa por dia). De acordo com o relatório, “os cinco anos de progresso para a erradicação da pobreza laboral foram perdidos”, e isso afeta o horizonte da realização do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de erradicar a pobreza até 2030.

O relatório conclui que a crise da COVID-19 afetou duramente os trabalhadores mais vulneráveis, e, portanto, também exacerbou as desigualdades pré-existentes. A falta generalizada de proteção social - por exemplo, entre os 2 bilhões de trabalhadores do setor informal em todo mundo - significa que as crises no trabalho relacionadas à pandemia tiveram consequências catastróficas para a renda e meios de subsistência das famílias.

Mulheres perderam mais

A crise também atingiu as mulheres de forma desproporcional. Em 2020, a contração do emprego feminino foi de 5%, em comparação com 3,9% do emprego masculino. O percentual de mulheres que ficaram de fora do mercado de trabalho e passaram para a inatividade também foi maior. Por outro lado, o aumento das responsabilidades domésticas resultante do confinamento devido à crise, aumentou o risco de um “retorno à tradicionalização” no que diz respeito aos papéis de gênero.

Globalmente, o emprego jovem caiu 8,7 % em 2020, em comparação com 3,7 % do emprego dos adultos, com a queda mais pronunciada observada em países de renda média. As consequências deste atraso e perturbações na experiência inicial dos jovens no mercado de trabalho podem se prolongar por anos.

Empregos decentes

“A recuperação da COVID-19 não é apenas uma questão de saúde. Os graves danos às economias e às sociedades também precisam ser superados. Sem um esforço deliberado para acelerar a criação de empregos decentes e apoiar os membros mais vulneráveis da sociedade e a recuperação dos setores econômicos mais duramente atingidos, os efeitos da pandemia poderiam prolongar-se por anos na forma de perda do potencial humano e econômico, e de maior pobreza e desigualdade ”, disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT. 

“Precisamos de uma estratégia abrangente e coordenada, baseada em políticas centradas nas pessoas e respaldada por ação e financiamento. Não pode haver recuperação real sem a recuperação de empregos decentes.”

Além de examinar as perdas de horas de trabalho, as perdas diretas de postos de trabalho e a redução do crescimento do emprego, o relatório descreve uma estratégia de recuperação estruturada em torno de quatro princípios:

  1. promover o crescimento econômico de base ampla e criar empregos produtivos;
  2. apoiar a renda familiar e a transição do mercado de trabalho;
  3. fortalecer bases institucionais para crescimento e desenvolvimento econômicos inclusivos, sustentáveis e resilientes;
  4. utilizar o diálogo social para formular estratégias de recuperação centradas nas pessoas.

 

Perdas de 26 milhões

A região da América Latina e do Caribe perdeu 26 milhões de empregos em decorrência da pandemia e começou 2021 com um panorama laboral complexo. Foi agravado por novas ondas de infecções e processos lentos de vacinação que tornam mais incertas as perspectivas de recuperação dos mercados de trabalho, Isso encontra-se em nova nota técnica da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mesmo assim, no final de 2020, a taxa média de ocupação na região havia caído de 57,4% para 51,7%. É uma queda acentuada, que equivale à perda de cerca de 26 milhões de empregos, dos quais 80% - ou mais de 20 milhões de pessoas- deixaram a força de trabalho.

Esta saída da força de trabalho foi inédita e uma característica de 2020. Em comparação, a taxa de desocupação refletiu apenas parcialmente a magnitude das dificuldades que os mercados de trabalho da região têm enfrentado, ao registrar um aumento de pouco mais de 2 pontos percentuais entre 2019 e 2020, passando de 8,3% para 10,6%.

Essa situação teria começado a mudar, explicou a autora do relatório, a especialista regional em economia do trabalho da OIT Roxana Maurizio. Destacou que em 2021 poderia haver “um aumento significativo da taxa de desocupação quando retornarem à força de trabalho milhões de pessoas que deixaram de participar da força de trabalho”.

Além dos empregos perdidos, a região sofreu uma forte contração nas horas de trabalho, bem como uma redução na renda do trabalho, que representa 80% do que ganham as pessoas na América Latina e no Caribe. A região registrou as maiores perdas do mundo em termos de horas de trabalho.

 

Fonte: OIT
 

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