05/05/2016 (18:45)

Queima de 105 toneladas de marfim, denuncia morte de 7 mil elefantes

Queima de 105 mil toneladas de marfim é um espetáculo deprimente que tem gerado protestos de preservacionistas e pesquisadores de todo o mundo, bem como de dirigentes da Organização das Nações Unidas (ONU). Em Nairóbi foram acusados caçadores cuja ação criminosa, já vitimou 100 mil dos 500 mil elefantes até agora existentes nas florestas africanas.

 

Governo do Quênia queimou 105 toneladas de presas de mais de 7 mil elefantes em cerimônia de protesto contra a caça ilegal de animais silvestres. A prática ilícita matou 100 mil elefantes – de uma população de menos de 500 mil espécimes – entre 2010 e 2012.

O evento contou com a participação de representantes do Programa das Nações para o Meio Ambiente (PNUMA) e Desenvolvimento (PNUD). Também estiveram presentes os presidentes do Gabão, Ali Bongo Ondimba, de Uganda, Yoweri Museveni, e do próprio Quênia, Uhuru Kenyatta.

Estimativas indicam que a população de elefantes das florestas encolheu dois terços de 2002 a 2011 em decorrência de atividades predatórias proibidas. Também por conta da caça ilegal, o número de elefantes das savanas africanas registrou um decréscimo de 60% na Tanzânia e de 50% em Moçambique desde 2009, segundo dados do ano passado.

Rinocerontes

A cerimônia também queimou 1,35 tonelada de chifres de rinocerontes, espécie igualmente ameaçada por caçadores criminosos. O total de materiais queimados correspondeu a quase todos os chifres e presas que o Quênia mantinha guardados.

“Ninguém faz negócio vendendo marfim, pois esse comércio significa a morte de nossos elefantes e a morte de nossa herança nacional. Ao destruir o marfim, nós rejeitamos de uma vez por todas aqueles que pensam que nossa herança natural pode ser vendida por dinheiro”, explicou Kenyatta.

“O marfim não tem valor nenhum a não ser num elefante vivo”, enfatizou o chefe de Estado.

Mercado multibilionário 

Ibrahim Thiaw, vice-diretor-executivo do PNUMA, destacou que “não faz sentido moral, econômico ou político” caçar animais silvestres ou permitir que essa prática continue.

“Também temos que lembrar que a vida selvagem tem mais valor viva do que morta e que ela pode gerar receitas sustentáveis para financiar educação, cuidado médico e infraestrutura que vão retirar as pessoas da pobreza e impulsionar o crescimento econômico”, completou o dirigente.

Thiaw ressaltou que o continente africano deve se empenhar para reconciliar seus interesses sociais, econômicos e ambientais e, desse modo, contribuir para o cumprimento da Agenda 2030.

Helen Clark, administradora do PNUD, alertou que a comunidade internacional não pode aceitar “ver países perdendo 50% (da população) de seus elefantes a cada cinco anos e esperar que haja elefantes sobrando”.

Segundo Clark, a caça ilegal alimenta um mercado mundial multibilionário que tem levado espécies à extinção, além de estimular a corrupção e conflitos e acentuar desigualdades.

 

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