07/04/2016 (00:36)

Pedofilia deve ser considerada crime hediondo na internet do Brasil

Melhorar dispositivos legais bem como mais completa tipificação dos delitos penais; medidas educativas dos internautas através de campanhas públicas e todos os meios disponíveis, melhoria de equipamentos, recursos materiais e humanos para atuar na investigação, denúncia e punição. Aqui algumas sugestões da CPI de crimes cibernéticos que vai acabar.

 

Marco civil da internet, vigorando há alguns anos, é uma boa lei e bem avançada. Quem estiver aqui, observando as mudanças pretendidas, deve avaliar cada artigo da nova legislação. Ao que parece, o legislador está exorbitando no uso de intervenção sobre liberdades de manifestação de pensamento e individuais.

Perigos podem ocorrer se passarem os textos sugeridos até aqui, quando se trata de prisões e punições. Pelo que se deseja, é possível intervir numa organiozação de internet, de forma direta, sem o respeitável contraditório. Sugerimos que os interessados analisem sobre a existência dessas pretensões legislativas, a fim de evitar desfigurar o marco civil existente e o cometimento de arbitrariedades.

Para combater delitos

Para o deputado Esperidião Amin (PP-SC), o relator dos trabalhos iniciados em 15 de agosto de 2015, o texto final do parecer vai sugerir 19 medidas para combater delitos praticados pela internet. Expectativa é que a votação da matéria ocorra entre os dias 12 e 13 de abril – prazo final de funcionamento da CPI.

Entre as sugestões do relator estão: alterar o Marco Civil da Internet (MCI - Lei 12.965/14) para facilitar a identificação de criminosos virtuais; tornar hediondos os crimes ligados à pedofilia e criminalizar qualquer tipo de invasão de dispositivo informático (computadores, tablets, celulares e similares).

Identificação dos criminosos

Relatório final propõe, por meio de projeto de lei, a inclusão do endereço IP (internet protocol) no conjunto de informações cadastrais dos usuários de internet. “A rápida identificação de agressores é de fundamental importância para limitar os danos causados à vítima”, observou Amin.

Pela atual sistemática do Marco Civil da Internet , a identificação do usuário se dá em três etapas, o que dificulta a identificação do autor do delito. Ainda contra o anonimato na rede, o relator sugere a adoção do protocolo de internet IPv6, o que, "contribuiria para resolver essa questão".

O protocolo mais usado atualmente, IPv4, permite que diversos usuários compartilhem o mesmo endereço IP , dificultando a identificação individual do internauta. O compartilhamento decorre da escassez de números IPs disponíveis na versão 4, o que não ocorre na versão 6 do protocolo.

Projeto de lei para alterar

O relatório também propõe um projeto de lei para alterar o Marco Civil da Internet e responsabilizar subsidiariamente sites e aplicativos de internet nos casos em que os conteúdos que atentarem contra a honra não sejam removidos em até 48 horas.

“Ao eliminar barreiras físicas entre as pessoas, tornando a interação entre elas fácil e gratuita, a internet trouxe como efeito colateral o aumento das ofensas contra a honra das pessoas”, pontuou o relator.

Invasão de dispositivos

Outra sugestão de Amin modifica a tipificação do crime de invasão de dispositivo informático, a fim de que a invasão seja considerada crime independentemente dos motivos que levaram o infrator a cometê-lo. “O projeto de lei sugerido retira a questão da motivação e determina que a invasão, com ou sem vantagem pessoal, é criminalizada.”


Atualmente, o Código Penal (Decreto-Lei 2848/40) considera crime invadir dispositivo informático alheio apenas se ficar comprovado o objetivo de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo.

Aparelhamento do Estado

Segundo o relator, a CPI constatou ainda carências na estrutura das policias Federal e estaduais para o combate dos crimes cibernéticos. Para tentar reverter essa situação, o relatório sugere, por meio de projeto de lei ordinária, a aplicação de 10% das receitas do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) para financiar o aparelhamento dessas polícias.

O texto ressalta que crimes cibernéticos que possuam repercussão interestadual ou internacional e que demandem uma repressão uniforme fiquem exclusivamente a cargo da Polícia Federal.

Acesso a dados contra quadrilhas

Com base em casos recentes, como o que resultou no bloqueio do aplicativo Whatsapp em todo o Brasil, o relatório final sugere alterações no MCI para deixar claro que filial, sucursal, escritório ou estabelecimento situado no País responde solidariamente por dados requisitados judicialmente de empresas com atuação no país e cuja matriz esteja situada no exterior.

O bloqueio do Whatsapp em todo o País foi uma represália da primeira vara criminal de São Bernardo do Campo-SP pelo fato de os responsáveis pelo aplicativo terem se recusado a cumprir determinação judicial de quebrar o sigilo de dados trocados entre investigados.

O relator comentou que caso semelhante ocorreu nos Estados Unidos entre o FBI e a Apple, quando a autoridade de investigação do país solicitou ao fabricante a quebra da segurança do IPhone de um suposto terrorista. Diante da negativa da Apple, o caso acabou sendo resolvido na semana passada quando o FBI conseguiu, por fim, acessar o dispositivo.

“É preciso encontrar uma solução que equacione liberdade, inovação e livre iniciativa à segurança. É inadmissível que quadrilhas se utilizem desses aplicativos para praticar crimes e que as autoridades não tenham acesso a esses sistemas”, diz Amin no relatório.

Em tramitação

O relatório final da CPI dos Crimes Cibernéticos recomenda também a aprovação de propostas em tramitação na Câmara que poderiam aperfeiçoar a legislação brasileira, tais como:


- PL 1776/15, que inclui no rol de crimes hediondos os crimes de pedofilia;
- PL 3237/15, que dispõe sobre a guarda dos registros de conexão à internet de sistema autônomo;
- PL 5555/2013, que trata da divulgação não autorizada de imagens íntimas das vítimas (a vingança pornô); e
- PL 1755/2015, que trata da criminalização da divulgação indevida, na internet, de informações pessoais; entre outros.

Segundo a presidente da CPI, deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), a discussão do relatório deverá ter início no dia 7 de abril, uma vez que há uma audiência pública agendada para o dia 5 de abril para tratar do financiamento de publicidade em sites de conteúdos ilícitos.

 

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Comente esta notícia 

 

XsU8Tb