07/04/2016 (01:24)

Desertificação começa com mau uso do solo e derrubada de florestas

Manejo inadequado do solo, destruição da floresta e outros elementos da flora, uso excessivo de agrotóxicos e perturbações causadas pelo clima; são causas da desertificação que já atinge quase 10 estados brasileiros, inclusive o extremo sul. Agora o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) estimula ações entre agricultores em plano piloto em Sergipe

 

A expectativa é de que o programa seja replicado também em mais 8 estados do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, áreas do semiárido brasileiro. Estão ajudando no projeto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e entidades locais.

“Morar aqui na caatinga é excelente, é maravilhoso. Não troco cidade nenhuma por esses pés de árvores maravilhosos aqui. Isso é gostoso, é um alívio, o ar puro, a gente respira, assobia ouvindo os cantos dos pássaros.”

É assim que Silvano Leite, morador do assentamento de Jacaré Curituba, em Canindé, no interior de Sergipe, descreve a relação que tem com a terra onde vive. No semiárido sergipano, pequenos agricultores buscam sua subsistência nos recursos naturais disponíveis na caatinga.

A exploração indevida do bioma, porém, pode ter consequências graves a longo prazo. Estimativas indicam que 74,2% do território do Sergipe é suscetível à desertificação, que pode ser provocada tanto por questões climáticas, quanto pelo manejo inadequado do solo.

Uso sustentável da terra

Para conscientizar produtores agrícolas do estado e mostrar como é possível produzir alimentos sem esgotar recursos ambientais, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) realiza o projeto piloto “Manejo de uso sustentável de terras do semiárido do Nordeste brasileiro”, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o governo do Sergipe.

Lançada oficialmente em dezembro de 2015, a iniciativa lida diretamente com habitantes do semiárido sergipano. Ensina novas técnicas de produção agrícola e colocando em contato os pequenos fazendeiros que vivem nos assentamentos com técnicos que conhecem bem a caatinga.

“Somos nós da assistência técnica, são os nossos agricultores e os órgãos ambientais para falar a mesma língua e juntos superar essa dificuldade, que é fazer com que o nosso povo sobreviva à seca, e contribuir para que a nossa caatinga continue em pé”, explica o assessor técnico do projeto, Fabio Andrey Pimentel.

“Nesses assentamentos, o projeto vai estimular práticas sustentáveis de manejo do solo, trocando com as populações ideias e técnicas de como fazer uma gestão sustentável da caatinga a fim de manter uma cobertura florestal”, disse a representante do Programa de Desenvolvimento Sustentável do PNUD, Rose Diegues.

 

 

 

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