27/01/2016 (20:10)

Desemprego atinge 197,1 milhões em 2015 e será de 2,3 milhões em 2016

Mundo tem hoje 197,1 milhões de desempregados, conforme relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A instituição prevê ainda piores dias para os trabalhadores e afirma que perderão o emprego em 2016, pelo menos 2,3 milhões a mais, chegando ao total de 199,4 milhões. A soma prevista para o ano seguinte, 2017, chegará a 3 milhões.

 

A persistência de altas taxas de desemprego em todo o mundo e a vulnerabilidade crônica dos empregos em muitas economias emergentes e em desenvolvimento ainda estão afetando profundamente o mundo do trabalho, adverte um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O número final de desemprego em 2015 é estimado em 197,1 milhões. Em 2016 está previsto um aumento de cerca de 2,3 milhões, o que levaria o número a 199,4 milhões. Já em 2017, mais 1,1 milhão de desempregados provavelmente serão adicionados ao registro global, de acordo com o relatório World Employment and Social Outlook – Trends 2016 (WESO) da OIT.

“A significativa desaceleração das economias emergentes, aliada a um declínio acentuado nos preços das commodities, está tendo um efeito dramático sobre o mundo do trabalho”, afirma o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Empregos de segunda

“Muitos trabalhadores e trabalhadoras estão tendo que aceitar empregos de baixa remuneração em economias emergentes e em desenvolvimento, mas também cada vez mais nos países desenvolvidos. E apesar da queda no número de desempregados em alguns países da União Europeia e nos Estados Unidos, muitas pessoas ainda estão sem emprego. Precisamos tomar medidas urgentes para aumentar o número de oportunidades de trabalho decente ou corremos o risco de intensificar as tensões sociais”, acrescenta ele.

Em 2015, o desemprego global total foi de 197,1 milhões – 27 milhões superior ao nível pré-crise de 2007.

Emergentes mais atingidas

A taxa de desemprego das economias desenvolvidas diminuiu de 7,1% em 2014 para 6,7% em 2015. Na maioria dos casos, no entanto, estas melhorias não foram suficientes para eliminar a lacuna de empregos que surgiu como resultado da crise financeira global.

Além disso, as perspectivas de emprego se enfraqueceram nas economias emergentes e em desenvolvimento, notadamente no Brasil, na China e nos países produtores de petróleo.

“O ambiente econômico instável, associado a fluxos de capital voláteis, a mercados financeiros ainda disfuncionais e à escassez de demanda global continuam a afetar as empresas e a desencorajar o investimento e a criação de empregos”, explica Raymond Torres, diretor do Departamento de Pesquisa da OIT.

Fortalecer políticas

“Adicionalmente, os responsáveis pela formulação de políticas precisam se concentrar em fortalecer as políticas de emprego e combater as desigualdades excessivas. Há muitas evidências de que um mercado de trabalho bem concebido e políticas sociais são essenciais para impulsionar o crescimento econômico e lidar com a crise de empregos. Quase oito anos após o início da crise global, o fortalecimento dessa abordagem em matéria de políticas é urgentemente necessário”, acrescenta Torres.

Os autores do WESO também apontam para o fato de que a qualidade do emprego continua a ser um grande desafio. Embora tenha havido uma diminuição nas taxas de pobreza, a taxa de declínio do número de trabalhadores pobres nas economias em desenvolvimento desacelerou e o emprego vulnerável ainda responde por mais de 46% do emprego total no mundo, afetando quase 1,5 bilhão de pessoas.

O emprego vulnerável é particularmente alto nos países emergentes e em desenvolvimento, atingindo entre metade e três quartos da população empregada nesses grupos de países, respectivamente, com picos no sul da Ásia (74%) e na África Subsaariana (70%).

Contra emprego informal

Enquanto isso, o relatório mostra que o emprego informal – como um percentual do emprego não agrícola – é superior a 50% em metade dos países em desenvolvimento e emergentes com dados comparáveis. Em um terço desses países, o emprego informal afeta mais de 65% dos trabalhadores.

“A falta de empregos decentes leva as pessoas ao emprego informal, que é tipicamente caracterizado por baixa produtividade, baixa remuneração e falta de proteção social. Isso precisa mudar. Uma resposta urgente e determinada à altura do desafio mundial de empregos é fundamental para a implementação bem-sucedida da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030, recentemente adotada pelas Nações Unidas”, conclui Ryder.

 

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