20/11/2015 (02:52)

Mulheres negras, maiores vítimas de homicídios

Do total de mulheres assassinadas em 2013, 67% eram de pele negra. Entre 203 e 2013 o número de mulheres brancas que foram mortas violentamente, caiu de 1.747 para 1.576 (%). Já com as negras houve aumento de 54,22% no período e os homicídios passaram de 1.864 para 2.875. Números estão no Mapa da Violência lançado no Brasil em novembro.

 

 “Seminário Internacional sobre Avaliação da Qualidade da Atenção em Saúde de Populações Vulneráveis: Pessoas com transtorno mental, usuários de álcool e outras drogas e população negra” evidenciou a importância da indicação racial nas pesquisas sobre saúde e teve objetivo de estimular o debate sobre o tema (12 e 13 de novembro) na Universidade de São Paulo (USP).

Fernanda Lopes, representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), organizou a conferência sobre direitos humanos, vulnerabilidade e saúde da população negra. Afirmou que os dados evidenciam o racismo nas condições de saúde da população.

 

Mapa da violência

Óbitos maternos têm “cara, cor, idade e endereço.” Foi o que afirmou a representante do Fundo de populações. Disse que a mortalidade materna é uma grave violação de direitos humanos das mulheres. pelo fato de ser evitável em mais de 90% dos casos. Das 1.505 mortes durante gestação, investigadas em 2013, 772 foram de mulheres entre 15 e 29 anos, sendo 522, pretas e pardas. “Situação é inaceitável, em especial porque 98,7% dos partos no Brasil ocorrem em ambiente hospitalar, e são feitos por profissionais capacitados”.

A coordenadora de políticas públicas para a população negra e indígena da Casa Civil, Elisa Lucas Rodrigues, destacou a necessidade de implementação de uma política específica que considere a diversidade étnica e racial. “Pensar em saúde é pensar em equidade, acesso a serviços e diminuição das desigualdades”, acrescentou.

Maria Amélia de Campos Oliveiras, diretora da Escola de Enfermagem da USP, enfatizou a importância da indicação racial nas pesquisas, já que estão sendo incluídos, outros temas também fundamentais, como gênero e geração. Explicou que a atividade acontece no contexto da Década Internacional de Afrodescendentes (2015 – 2024) e da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra e da Década Internacional.

 

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