27/10/2015 (17:36)

CEPAL prevê 50% de queda na capacidade de exportação de automotores

Capacidade de exportação do setor automobilístico do Brasil será reduzida em 50% durante o ano de 2015. Previsão é da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que em documento publicado indica retração geral no valor das vendas externas e importação em toda a região da América do Sul. "O preço da remessa ao exterior cairá 16%".

 

Em relatório publicado (151020), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) destacou a retração no valor das exportações e importações da região. A indústria automobilística do Brasil foi citada como exemplo do cenário de desaceleração econômica. Em 2015, a capacidade será reduzida pela metade. O preço da remessa do País ao exterior terá queda de cerca de 16%.

O baixo crescimento mundial, atrelado à incapacidade das economias desenvolvidas de retomar os níveis de crescimento e consumo do período pré-crise, contribui para a redução das remessas da América Latina. A recente desaceleração da China também está afetando a região, que exporta grandes volumes para o País. Dados de 2013 indicavam que 19% das exportações brasileiras iam para o mercado chinês. Em 2014, o Brasil foi responsável por 75% das exportações agrícolas regionais para a nação oriental.

 

Pior número em 80 anos

De acordo com a CEPAL, os últimos 3 anos (2013, 2014 e 2015) apresentam a pior contração em 8 décadas nas exportações da América Latina e Caribe. Para esse ano, estima-se uma retração de 14% no valor das vendas ao exterior.

No Brasil, o cenário global de desaceleração se reflete na queda da produção de determinados segmentos. A indústria automobilística, por exemplo, terá sua capacidade produtiva reduzida a 50% em 2015, índice que se manterá estagnado em 2016. Embora, ainda nesse ano, esteja previsto um aumento de 1% no volume de exportações brasileiras, o valor dessas transações deve apresentar uma queda de 15,1%. Para a CEPAL, o saldo positivo referente aos volumes não vai conseguir sustentar a queda dos preços (-16,1%).

 

Depreciação da moeda

CEPAL também apontou que a recessão no Brasil e o consequente ajuste macroeconômico são responsáveis por uma forte contração nas importações brasileiras, cujo valor terá uma queda projetada de 22,6% em 2015. A contração é negativa para a economia regional, mas benéfica para o Brasil, que conseguirá sair de uma situação de déficit, verificada em 2014, para alcançar um superávit de cerca de US$ 13,8 bilhões.

A depreciação da moeda brasileira também foi tema do levantamento, que ressaltou processo semelhante de desvalorização em países da América Latina e também nas nações do BRICS, com a exceção da China. Para a CEPAL, o fraco desempenho das moedas sul-americanas tem provocado a estagnação do comércio intrarregional. Entre membros do MERCOSUL, houve uma queda de 23% nas trocas comerciais, durante o primeiro semestre de 2015. Entre Brasil e Argentina, a redução foi de 17%.

 

Relatório da CEPAL na íntegra aqui.

 

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