13/10/2015 (09:14)

Em 2014 registrados 135 casos de suicídios entre indígenas jovens

Pesquisa do Conselho Indigenista Missionário, mostra que o Mato Grosso do Sul lidera o ranking de suicídio entre indígenas. Do total de 135 casos no Brasil, o Estado registrou 48 suicídios de índios em 2014. Relatório do CIMI, diz que 36% dos suicídios incidem na faixa etária de 15 a 19 anos e em 70% na população masculina.

 

A disputa pela terra continua no centro do conflito social envolvendo os povos indígenas e tem forte vínculo com a expansão do agronegócio e do desmatamento na Amazônia pela ação de garimpos e madeireiras.

A conclusão é do relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência contra indígenas em 2014. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (8) na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

Entre 2013 e 2014, os casos de violência motivados pela omissão ou demora da Fundação Nacional do Índio (Funai) em regulamentar o território, por exemplo, aumentaram em 131% . Só em 2014, foram registradas 118 ocorrências, 42 delas no Pará e 24 no Mato Grosso do Sul. Em 2013, o Conselho Indigenista tinha levantado 51 casos de violência ligados à indefinição sobre o território.

 

 

Incitação ao ódio

Para o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário, Cleber Buzato, parte dessa violência se justifica pela tentativa de reverter os direitos indígenas já fixados na Constituição, como a PEC215/00, que prevê a participação do Legislativo no processo de demarcação de terras indígenas.

"A discussão é usada como elemento político por parte de muitos parlamentares, especialmente da bancada ruralista, que têm feito recorrentes discursos de incitação ao ódio, violência contra os povos indígenas".

Buzato relatou que foram pelo menos 12 ataques de milícias armadas por parte de fazendeiros e jagunços contra os Guarani-Kaiowá só do final de agosto para setembro de 2015.

 

Denúncias do CIMI são falsas

Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),  relator na comissão especial que analisa a PEC 215, classificou de “falácias” as declarações feitas por Buzato. “Gostaria que alguém indicasse algum lugar em que os proprietários tivessem praticado algum ato de invasão, de força, que tenham iniciado qualquer relação conflituosa. São ONGs que ficam por trás de grupos indígenas fomentando esse desencontro”, falou Serraglio.

Deputado Sarney Filho (PV-MA), que solicitou o debate, acredita que a PEC 215 pode aprofundar ainda mais o atraso no reconhecimento das terras. "Se essa matéria vier para o Congresso, mesmo como projeto de lei, a gente sabe que nunca mais vai ser demarcada reserva indígena nem unidade de conservação, porque infelizmente são muito fortes as correntes que defendem o agronegócio."

 

 

 

Grileiros e posseiros resistem

Estudo do Cimi enumera 19 relatos de disputa fundiária, 7 desses casos ocorrem na terra indígena Apyterewa, no Pará. O território foi homologado em favor do povo Prakanã, desde 2009, no entanto famílias de posseiros e grileiros se recusam a abandonar o terreno. O conflito na região agrava os problemas sociais na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

De acordo com o relatório, das mais de 1000 terras indígenas existentes no País, apenas 46 passaram em definitivo para o patrimônio dos índios, com a homologação feita pela Presidência da República. Até dezembro de 2014, a situação de 334 terras ainda estava indefinida.

A coordenadora de Processos Educativos da Fundação Nacional do Índio, Sirlene Bendazzoli, apontou para um agravamento da crise fundiária, com o “desmonte” do corpo técnico da FUNAI, que atualmente analisa as solicitações de demarcação das terras indígenas.

 

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