03/09/2015 (16:49)

Competições de remo serão mesmo nas raias da Baía da Guanabara

Porque as competições olímpicas de remo serão realizadas em alto mar e não mais próximo à praia onde os rios desaguam poluição forte na Baía de Guanabara, atletas e membros do Comitê Organizador da Olimpíada no Rio de Janeiro já dão mostram que irão aceitar as raias da competição. Mas médicos admitem que é séria a infecção de atleta sul-coreano.

 

Presidente em exercício da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso, reafirmou (150902) que a Baía de Guanabara estará em condições adequadas para as provas de vela dos Jogos Olímpicos de 2016 e que a instituição não trabalha com outro local de competição. A declaração foi feita em audiência pública da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados.

Durante o debate, o dirigente admitiu que o "tema é complexo", no entanto salientou que o programa de despoluição da baía está avançado. “Por referência internacional, a qualidade da água nas raias de competição permite contato primário ou secundário [do atleta], ou seja, tanto o contato eventual com a água quanto o mergulho”, disse. “A obra de contenção do esgoto na Marina da Glória será entregue em dezembro para garantir qualidade da água lá e na Praia de Botafogo”, acrescentou.

Incidente com windsurfista
Marcelo Pedroso minimizou uma possível relação entre a poluição das águas e o incidente com o windsurfista sul-coreano, Wonwoo Cho, que passou mal durante o evento-teste na baía na semana passada. "Tivemos 380 atletas participando da competição e é de se estranhar que, em nível de risco tão elevado, apenas um atleta tenha apresentado sintoma dessa natureza”, ponderou.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência Pública para discutir sobre a saúde da Baia de Guanabara para realização das atividades aquáticas nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Representante da Casa Civil do RJ, Leonardo Espíndola
Leonardo Espíndola, da Casa Civil do RJ, descartou relação entre a qualidade das águas e o mal-estar sofrido por atleta estrangeiro em evento-teste na baía.
 

Na visão do secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Leonardo Espíndola, também não faz sentido atribuir o mal-estar à qualidade das águas. “Antes da competição, foi franqueado às próprias equipes testar a água das raias”, disse. “Alguns testaram, e não houve resultado divergente dos índices de qualidade recomendados para o contato secundário – sem interação íntima com a água – necessário para o esporte de vela”, complementou.

Já o médico infectologista Marcos Boulos não descarta a poluição como causa do ocorrido com o sul-coreano. Ele explicou que a toxina funciona como um veneno no organismo e é expelida por meio de vômito (uma das reações do windsurfista). “Quando você está expelindo [a toxina], tem dor de cabeça, mas, quando põe a toxina para fora, parece que está curado, o que permitiu que o atleta competisse no dia seguinte e com bom aproveitamento."

Na opinião do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), um dos que solicitaram a audiência, as suspeitas de intoxicação precisam ser esclarecidas para que os erros sejam corrigidos a tempo. “Aqui é uma comissão fiscalizadora também e o nosso intuito é fazer com que o colegiado participe sempre das discussões que envolvam a Baía de Guanabara e as Olimpíadas”, ressaltou.

Raias de competição
Leonardo Espíndola reconheceu que os índices de qualidade da água no ponto de saída dos barcos ainda estão aquém do esperado. Segundo ele, a área é hoje tratada bioremediação, que será desnecessária após a conclusão das galerias de esgoto da Marina da Glória. “Teremos em 2016 as seis raias de competição – três que ficam dentro da Baía de Guanabara e três que estão fora – sem nenhum risco para os atletas”, assegurou o secretário.

Para Marcos Boulos, é positivo o fato de as raias estarem afastadas dos afluentes da baía. "Fiquei mais tranquilo depois de ouvir que as competições de remo não vão mais ocorrer próximas à praia, onde tem a foz do rio, e sim vão acontecer em alto mar. Nesses locais, provavelmente o risco de infecções é muito pequena.” O infectologista lembrou que as chances de contrair conjutivite e otite aumentam na beira da praia.

O diretor médico do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, João Grangeiro, por sua vez, reforçou a preocupação da equipe em atuar de forma proativa no evento. Ele fez diagnóstico positivo do atendimento médico durante os eventos-testes: dos 380 velejadores participantes,15 receberam atendimento no local e 2 foram atendidos no hospital. “Os números não nos dão tranquilidade, mas fornecem uma perspectiva de trabalho”, comentou.

 

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Comente esta notícia 

 

3oG28a