24/06/2015 (14:29)

Mulheres trabalham cada vez mais e continuam ganhando menos que homens

Banco Mundial anunciou estudo sobre trabalho feminino em 17 países da América Latina e Caribe. Comprovou que a mulher ganha em média 10% a menos para realizar as mesmas tarefas que os homens e que as diferenças mais graves foram encontradas no Brasil e no México. Constatou a discriminação nas empresas e a falta de mulheres em ciência e engenharias.

 

Novo estudo do Banco Mundial, "Trabalhando para acabar com a pobreza na América Latina e no Caribe: trabalhadores, empregos e salários", examinou dados de 17 países e aponta que milhões de latino-americanos vivem com menos de 90% do salário mínimo. Nas duas maiores economias da região, Brasil e México, as mulheres ainda são as mais prejudicadas neste número. Só em 2013 quase 14% das mexicanas ganharam menos de 90% do mínimo, contra 9,1% dos homens. No Brasil as mulheres representam 9,6% nesta faixa salarial, ante 8,9% dos profissionais do sexo masculino.

Entretanto, as mulheres participam cada vez mais da força de trabalho latino-americana, aumentando a renda familiar e contribuindo para a redução da pobreza. O número de trabalhadoras de 25 a 65 anos cresceu 4,5% de 2003 a 2013. Isso faz delas o único grupo a aumentar a presença tanto nos empregos de baixa qualificação quanto nos que exigem alto nível educacional, diz o relatório.

 

Discriminação de meulheres

Os novos dados se somam a uma série de análises, também feitas por especialistas do Banco Mundial. Explicam porque as latino-americanas ganham menos. As respostas abrangem desde a discriminação ainda cometida pelas empresas à falta de mulheres em setores como engenharia e ciências, que pagam melhor.

A pesquisa destaca que o grande motor para a redução da pobreza na América Latina foi o da melhoria dos salários, e não o da qualidade dos empregos. Isso vale principalmente para os trabalhadores que só fizeram a escola primária: os valores das mulheres cresceram quase 4% entre 2003 e 2013, enquanto os dos homens subiram 4,5%.

 

Commodities

Segundo o estudo, o crescimento econômico gerado pelas commodities impulsionou setores como agricultura e serviços. Também fez aumentar o percentual de profissionais pouco qualificados contratados por grandes empresas, com acesso a diversos benefícios trabalhistas: só no Brasil, em 2013, chegou a 27,6%.

A melhoria nos indicadores de educação e qualidade do emprego, no entanto, responde por apenas uma pequena parte do aumento dos salários. E, agora que o boom das commodities chegou ao fim, preocupam-se com o destino dos trabalhadores.

 

Mulheres do Estado Islâmico

valem tanto quanto

um maço de cigarro

 

Mulheres yazidis do Iraque, vendidas como escravas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e outros grupos terroristas, têm o valor de um maço de cigarros. Quem disse isso foi Zainab Bangura, representante especial do secretário-geral da ONU para a violência sexual em conflitos.

A representante voltou de missão ao Oriente Médio em abril durante a qual se encontrou com mulheres e meninas que sobreviveram à violência sexual. No Conselho de Segurança, Bangura apresentou a situação de milhares de meninas da região e reforçou que a educação é a chave para alterar esse cenário.

“Eu estava com o coração partido”, afirmou Bangura. “Eu escutei meninas que tentaram cometer suicídio, meninas que tentaram saltar para fora das janelas, fugir, e meninas cujas famílias tiveram de pagar o resgate. Eu acho que essas histórias realmente me chocaram”.

 

Escravidão sexual

A funcionária da ONU foi à Síria, ao Iraque, Turquia, Líbano e Jordânia. Na Síria, uma em cada três mulheres corre o risco de violência baseada no gênero. A crise de 5 anos tem dado origem a novos padrões de casamentos forçados entre crianças e soldados e escravidão sexual. A violência sexual é cada vez mais utilizada como uma arma de guerra.

Segundo, informações que Bangura recebeu durante sua visita, e de relatórios subsequentes, o ISIL teria emitido um regulamento que estabelece os preços a serem pagos para mulheres e meninas cristãs e yazidis, que variam de acordo com a idade. A promessa de acesso sexual a mulheres e meninas tem sido utilizada em materiais de propaganda do ISIL como parte de sua estratégia de recrutamento e um número estimado de 1,5 mil civis podem ter sido forçados à escravidão sexual.

 

Reconstituir a virgindade

“O momento mais difícil foi, na verdade, na Jordânia, onde me contaram sobre uma garota que, nos últimos 4 anos, tinha sido casada 22 vezes. A mulher tem 21 anos, e cada vez que esse casamento é organizado, operavam para reconstruir a virgindade de forma que se tornasse virgem para o próximo casamento”, alertou.

O que todas as vítimas parecem ter em comum é o medo da reação de membros da comunidade e da família e o estigma associado a sobreviventes de violência sexual, o que resulta em um baixíssimo número de registros, um dos principais desafios que Bangura ouviu durante toda a sua viagem. Para poder confrontar os governos e pedir respostas, ela instou grupos de ONGs trabalhando na questão de mulheres refugiadas a recopilar o máximo de informação possível.

 

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Comente esta notícia 

 

itlMdf