18/06/2015 (15:00)

Sem despoluição da Baía da Guanabara, competição olímpica será prejudicada

Prejuízos ao dinamismo das competições olímpica é praticamente certo, caso os Governos federal, estadual e municipal não consigam despoluir a Baía da Guanabara. Opinião é do biólogo Mário Moscatelli sobre a região para a qual dedicou o apelido de "grande latrina" com 75% da área totalmente comprometida. Sem limpeza as provas dependem de São Pedro.

 

O biólogo Mário Moscatelli reiterou, nesta quarta-feira (17), que o atual “fracasso” do plano de despoluição da Baía de Guanabara poderá prejudicar as competições de vela dos Jogos Olímpicos de 2016. Ele classificou a região como uma “grande latrina”: “Os rios não têm mais vida, pois se transformaram em valões de esgoto – 75% da baía estão comprometidos”.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência conjunta das comissões de Esporte (CESPO) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) para discutir o processo de despoluição da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, que será utilizada nas competições de Vela nas Olimpíadas de 2016. Biólogo e Mestre em Ecologia, Mário Moscatelli
Mário Moscatelli: despoluição tem de ser política de Estado, não palanque eleitoral
 

Figuração do ambientalista é para dizer que as provas olímpicas dependerão de condições climáticas que barrem o chorume – vindo de lixões “extraoficiais” que ainda persistem no entorno da baía. Declarações foram feitas em audiência pública promovida, na Câmara dos Deputados, pelas comissões do Esporte; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Moscatelli denunciou que a Estação da Alegria, a maior do programa de despoluição, só funciona parcialmente e os equipamentos estão abandonados, enquanto a Estação de São Gonçalo, reinaugurada no ano passado, nunca entrou em atividade. “Isso não é equivoco técnico, é má gestão de recursos públicos”, criticou.

Defendeu a aplicação do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o governo do Rio de Janeiro e o Ministério Público, a fim de que o plano de despoluição seja política de estado, e não "palanque eleitoral".

 

Impedir lançamento do esgoto
 

Marcelo Pedroso, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), enumerou iniciativas do Governo estadual que dão “tranquilidade de que a competição tem condições de ser realizada”. É o caso da galeria de cintura da Marina da Glória – uma das 6 raias da disputa de vela na Rio 2016 – para impedir o lançamento de esgoto sem tratamento na região.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência conjunta das comissões de Esporte (CESPO) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) para discutir o processo de despoluição da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, que será utilizada nas competições de Vela nas Olimpíadas de 2016. Presidente em Exercício da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso
Marcelo Pedroso: "É natural a cobrança, mas há um conjunto de medidas que vai permitir a limpeza da baía"
 

Pelo contrato entre a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e o comitê organizador dos Jogos, as obras, iniciadas no final de outubro passado, deveriam estar prontas em 12 meses – prazo que não deve ser cumprido.

A operação na Marina da Glória abrange a construção de cerca de mil metros de galerias coletoras, que têm início na região do Aeroporto Santos Dumont e vão até a Rua do Russel, na Glória.

Mesmo ciente de que há falhas no projeto de despoluição, Pedroso se mostrou confiante no êxito dos Jogos. Ele disse que o governo local deve instalar novas ecobarreiras, com o intuito de reduzir o lixo flutuante trazido pelos afluentes da Baía de Guanabara, e acrescentou que o balanço do evento-teste, realizado na região em agosto de 2014, foi positivo. “É natural a cobrança, mas a gente percebe que há um conjunto de medidas que vai permitir a despoluição da baía”, defendeu Pedroso.

Parceria de governos

Durante o debate o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) enfatizou a necessidade de gestão tripartite dos governos federal, estadual e municipal em torno da revitalização da região. “Maior do que as Olimpíadas é a contribuição da iniciativa para o meio ambiente, a saúde pública e o cotidiano da cidade”, comentou.

Conforme o parlamentar, apesar da preocupação das autoridades com o lixo e o despejamento de óleo na Baía de Guanabara, o volume de esgoto tratado ainda é ínfimo.

Tânia Braga, gerente-geral de sustentabilidade, acessibilidade e legado do Comitê Rio 2016,  alertou para a paralização, desde o início do ano, da retirada de lixo da região por meio dos ecobarcos. Apesar disso, ela ressaltou que a qualidade da água na maioria das raias está dentro dos limites para a prática esportiva. A exceção é a Marina da Glória e a praia do Flamengo, pontos de partida dos barcos.

Longo prazo


Guido Gelli, coordenador do programa de saneamento da Baía de Guanabara afirmou que “o problema da despoluição nada tem a ver com os Jogos Olímpicos”. Destacou que o plano começou tardiamente, em 1992, e demandará um esforço de no mínimo 20 anos, ao custo de R$ 20 bilhões.

Sobre as obras na Marina da Glória, comentou que o atraso na entrega se deve aos “inúmeros equívocos na construção da rede de tratamento de esgoto no entorno da baía”. Gelli explicou que, em vez de pequenas estações de esgoto, optou-se por obras imensas, ainda assim ineficientes.

 

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