16/05/2015 (18:30)

Jovens atletas vivem condições degradantes nas escolinhas

Atletas jovens do Brasil estão sendo submetidos a condições degradantes de trabalho. Vivem "amontoados" em instalações precárias das chamadas "escolinhas de futebol", sem higiene e assistência pessoal. Denúncia é de Geny Helena Fernandes Barroso, membro do Ministério Público do Trabalho que junto com colegas inspecionou instalações.

 

 

 

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Audiência pública para subsidiar o relator dos Projetos de Leis nºs 8.038/14, que dispõe sobre escolas de formação de atletas destinadas a crianças e adolescentes, e 8.287/14 apensado. Procuradora do Ministério Público do Trabalho, Geny Helena Fernandes Barroso
Geny Barroso: inspeção mostrou jovens amontoados em alojamentos de escolinhas, em condições precárias de higiene.
 

Está amparada pela Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, onde mostrou fotos e oiutros documentos que comprovam o que diz. Sugeriu legislação que ajude proteger essas vítimas. "Não dá para fechar os olhos e pensar numa contrapartida ao clube, sendo que a prioridade absoluta é da criança e do adolescente, e não do clube".

A coordenadora-geral de convivência familiar e comunitária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Maria Izabel da Silva, reforçou o que disse a Procuradora. Afirmou que muitos jovens recrutados por essas escolinhas são impedidos de visitar as famílias e não têm direito a assistência médica. "Esse tipo de atenção à saúde só é dado quando o jovem assina o contrato e passa a ir a campo defender o time. Nós temos notícias de que não existe qualquer cobertura sequer do atendimento à saúde ou do seguro saúde”.

Izabel criticou o fato de o jovem não poder sair da instituição para visitar a família. “Às vezes, temos notícias de que as famílias não têm recursos financeiros para visitar a criança ou o adolescente no alojamento. Por que ele não pode sair para visitar sua família e sua comunidade?”.

 

Situação dos clubes

João Feijó, presidente do Corinthians Alagoano, clube que revelou jogadores bem-sucedidos no exterior, como Deco, Pepe e Luiz Gustavo também participou da audiência em Brasília e defendeu as entidades. Disse que os clubes não investem porque sofrem concorrência desleal de empresários e pediu mudanças na Lei Pelé (Lei 9.615/98) para impedir esse tipo de atividade. Empresários ficam com o lucro depois de os clubes investirem muito em jogadores que, na maioria das vezes, não fazem sucesso.

"Eu fiz uma visita ao Esporte Clube Bahia e fiquei abismado. O Departamento Amador tinha mais de 40 atletas ganhando entre R$ 20 e R$ 30 mil sem fazer nada. Aí esses atletas não viraram nada. Está aí a razão de o Bahia, que foi campeão nacional, estar falido".

Feijó cobrou do governo contrapartidas na forma de compensações fiscais para que os clubes possam garantir a formação do jovem. “Eu acabei com a categoria sub-15 porque é muito caro. Não tem contrapartida do governo”, disse. “Tem que impedir a saída dos jovens para o exterior e inibir a atuação dos empresários de porta de estádio.”

 

Falta de oportunidade


O deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), ex-jogador de futebol, concordou que a situação dos clubes que formam atletas é crítica. "Eu vivi e vi. Só 1% dos meus colegas se transformam em atleta, e a maioria não dá certo, a maioria não teve oportunidade de estudar, um hoje é motoboy ".

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados promoveu a audiência para discutir propostas que regulamentam a formação de atletas entre 14 e 21 anos no Brasil.

O debate foi sugerido pelo deputado José Rocha (PR-BA), que é relator de dois projetos sugeridos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente. O objetivo das propostas é prevenir abusos praticados por escolinhas de formação esportiva (PLs 8038/14 e 8287/14).

 

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