17/11/2017 (23:20)

Agrotóxicos ameaçam abelhas de extinção em todo o mundo

Colmeias exterminadas por agrotóxicos são problema mundial. No Brasil, há registros em São Paulo e Minas Gerais de modo mais amplo, mas o mal encontra-se disseminado por todo o País. Extermínio de abelhas é ameaça ao ecoistema e de acordo com a ONU, está dizimando as espécies no cenário mundial. Prejuízos ecológicos somam-se aos econômicos.

 

Colmeias exterminadas por agrotóxicos são problema mundial. No Brasil, há registros em São Paulo e Minas


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está investigando o extermínio de abelhas por intoxicação atraves de agrotóxicos em colmeias de São Paulo e Minas Gerais. Os estudos com inseticidas do tipo neonicotinóides devem estar concluídos no primeiro semestre de 2015. Trata-se de um problema de escala mundial, presente, inclusive, em países do chamado primeiro mundo, e que traz como conseqüência, grave ameaça aos seres vivos do planeta, inclusive o homem.

De acordo com Márcio Freitas, coordenador geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas e Produtos Perigosos, desde 2010 o Ibama está reavaliando vários produtos suspeitos de causar colapsos e distúrbios em colmeias. Freitas, que se expressa também pelo Comitê de Assessoramento da Iniciativa Brasileira para Conservação e Uso Sustentável dos Polinizadores, a intoxicação prejudica a comunicação entre as abelhas e isto impede que retornem às colmeias, levando os enxames ao extermínio.

 
PROIBIÇÃO
 

Enquanto não são concluídas as análises dos produtos investigados, foi proibida a aplicação aérea (por avião) e na época da florada, para não prejudicar a ação de insetos, aves e morcegos. “Interessa ao IBAMA conhecer e entender o comportamento dos polinizadores, bem como estabelecer medidas de mitigação para protegê-los”.

Estudos realizados em todos os continentes mostram que abelhas, marimbondos, borboletas, morcegos, formigas, moscas, vespas e beija-flor, estão seriamente ameaçados de desaparecer em função do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos na agricultura. É claro que o balé harmônico de polinizadores como o beija-flor em volta das flores, à procura do néctar, encanta homens e mulheres de todas as idades. Mas a maioria desconhece como são essenciais à existência e manutenção da vida no planeta.

 
DEPENDÊNCIA
 
 
Durante a reunião da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistêmicos (IPBES), em Antalya, Turquia, foram divulgados em dezembro 2013 para 400 especialistas de 100 países. Mostram que pelo menos três quartos (75%) das culturas do mundo dependem da polinização por abelhas e outros agentes, para se desenvolver e gerar frutos.

Nos próximos 5 anos os participantes da reunião decidiram desenvolver um programa de trabalho para preparar um conjunto de avaliações sobre a polinização e a relação que tem com a produção de alimentos, degradação da terra e espécies invasoras. O objetivo é fornecer aos formuladores de políticas, as ferramentas destinadas a enfrentar a pressão decorrente dos desafios ambientais.

 
INTOXICAÇÃO
 
 
Espera-se que a primeira avaliação esteja disponível em dezembro de 2015, baseando o estudo na polinização e na produção de alimentos. Pesquisadores vinculados à IPBES acreditam ser necessárias mais informações, a fim de se compreender melhor como a polinização sustenta a produção de alimentos, e avaliar a eficácia das políticas atuais.

Cientistas de todos os continentes concordam que a intoxicação dos polinizadores por agrotóxicos representa uma grave ameaça inclusive à sobrevivência do ser humano, caso nenhuma medida seja adotada. Segundo Ceres Belchior, analista ambiental e doutoranda em ecologia e conservação de recursos naturais, do Ministério do Meio Ambiente (MMA),  esses produtos podem provocar a morte de polinizadores e aves. É a razão que a leva sugerir restrições na aplicação, pelo menos durante a florada.

Como o assunto integra as políticas e ações estruturantes do MMA, o secretário de Biodiversidade e Florestas, Roberto Cavalcanti, enumerou 6 eixos temáticos a serem trabalhad
 
1) relações entre a polinização e a cultura agrícola;
 
2) política para apicultura no Distrito Federal, situado numa região que abriga mais de 500 espécies de abelhas nativas;
 
3) elaboração de projeto de lei voltado ao pagamento por serviços ambientais com polinização;
 
4) conservação da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que, no Cerrado, somam pelo menos 12 mil espécies de plantas lenhosas preferidas pelas abelhas;
 
5) avaliações da política de mudanças do clima e os impactos na polinização;
 
6) reavaliação do licenciamento de agrotóxicos e pesticidas.

 
IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
 

Cavalcanti foi a uma audiência pública na Câmara dos Deputados. PArlamentares estão formando opinião sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos e os reflexos que causam ao ecosistema. Alertou na ocasião que 87,5% das espécies de plantas com flores conhecidas no mundo, dependem de polinizadores (insetos, aves, mamíferos) para gerarem frutos e sementes sadios. 

Disse que os polinizadores são tão importantes que 75% da alimentação humana dependem, direta ou indiretamente, de plantas polinizadas ou beneficiadas pela polinização. “Sem polinizadores, as plantas não se reproduzem e as espécies que delas necessitam, declinam. Deu como exemplo a abelha (Apis mellifera) polinizadora de importância agrícola mais utilizado no mundo”.

Desdtacou a importância econômica dos polinizadores, que movem a economia mundial. Dados de 2007 mostram que verduras e frutas lideram as categorias de alimento que necessitam de insetos para a polinização. Geraram riquezas em torno de R$ 160 bilhões (50 bilhões de euros) para cada uma dessas áreas. Em 2009, o valor econômico anual total da polinização, girou na casa dos R$ 489,6 bilhões (cerca de 153 bilhões de euros), o que representou 9,5% do valor da produção agrícola mundial para alimentação humana.

 
FRUTAS E VERDURAS
 
 
A cada ano, os polinizadores naturais geram uma economia superior a R$ 483 bilhões, no caso das culturas beneficiadas pela polinização por insetos, e a quantia astronômica de R$ 2,435 trilhões. Alertou o especialista que o declínio da quantidade de polinizadores pode levar à redução da produção de frutas, verduras e estimulantes (como café), abaixo do necessário para o consumo atual global.
 
Insetos, aves e animais polinizadores, como o morcego, estão ameaçados por causa da fragmentação dos habitats naturais, do uso indiscriminado de pesticidas, pela falta de práticas agrícolas amigáveis à conservação; surgimento de doenças; e mudanças climáticas inesperadas.

A Iniciativa Internacional para Uso Sustentável dos Polinizadores (IPI, na sigla em inglês), criada no ano 2000 e articulada pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), está empenhada em monitorar o declínio de polinizadores. Quer sasber as causas e impacto; resolver a falta de informações taxonômicas (que define os grupos de organismos biológicos) sobre polinizadores; medir o valor econômico da polinização; promover a conservação, restauração e uso sustentável da diversidade de polinizadores na agricultura e em ecossistemas relacionados.

 
FALTA PESQUISA
 
 
Nos EUA, a desordem e a desorientação das abelhas melíferas provocaram a perda de 90% das colmeias. Na Alemanha, França, Suíça e Península Ibérica, o desaparecimento das abelhas foi relacionado ao uso de inseticidas. O problema chegou ao Brasil e causou preocupação o extermínio de 5 mil colmeias de abelhas africanizadas no estado de São Paulo. A questão, segundo Roberto Cavalcanti, é que existem poucos estudos toxicológicos avaliando os efeitos dos pesticidas sobre outras espécies de abelhas, inclusive internamente.

No campo das políticas ambientais, o MMA está imerso em projetos e ações destinadas a evitar maiores prejuízos aos polinizadores. Nos próximos anos, os esforços também se destinam a apoiar estudos acadêmicos, como os inseridos no Projeto de Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável, através de uma Abordagem Ecossistêmica. EEstudo foi iniciado em 2009 e tem previsão para acabar no final de 2015.

Projeto recebeu investimentos de R$ 67 milhões, executados pelo Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Verba foi destinada ao Brasil, Gana, Índia, Quênia, Nepal, Paquistão e África do Sul. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), repassou o valor de R$ 20,4 milhões.

 
MAIS CONHECIMENTO
 
 
Plano tem interesse em ampliar o conhecimento e oferecer ferramentas acessíveis aos profissionais que trabalham com a polinização; disponibilizar orientações e publicações sobre as limitações da prática de manejo de serviços relacionados com agroecossistemas. Agroecossistemas são a interpretação, avaliação e manejo do sistema agrícola, que permitem conduzir a produção com base nas inter-relações entre os elementos constitutivos como o homem e recursos naturais (solo, água, plantas e organismos e microrganismos). Quer conhecer melhor outros sistemas externos, do ponto de vista econômico, social, cultural e ambiental. Investimentosde entidades internacionais,  procuram a valoração socioeconômica da polinização, além de fornecer ferramentas fáceis de serem utilizadas na identificação de polinizadores.

Uma das vertentes do projeto prevê a capacitação de agricultores para conservar e utilizar os serviços dos polinizadores silvestres, bem como melhorar a capacidade de pesquisa e construir ferramentas para desenvolvimento e manejo dos serviços de polinização. Várias culturas já se beneficiam dos resultados desses esforços, como é o caso da produção de melão, maracujá, melancia, abóbora, caju, castanha do Brasil, maçã, canola, tomate e algodão, entre outras.

No caso do algodão, a Rede de Pesquisas dos Polinizadores do Algodoeiro no Brasil, realizou um estudo sobre a atuação das abelhas no incremento da produção nas áreas de Cerrado, no sul da região amazônica e na Caatinga. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Carmem Pires, apesar de o algodoeiro não necessitar de polinização para produzir, ficou demonstrado que as flores desta cultura que recebem a visita de abelhas, apresentam aumento de 12%.

 

 

3 comentários para a notícia

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valdir izidoro silveira

22/04/2015 às 13:46

O postador José Walter, como todo bom sofista, não abordou o problema e foge, pela tangente, se escondendo no " o português está sofrível". JW assuma uma posição, deixe de ser camaleão. Está bom o meu português? Good bye Mr. Valdir

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Carol

18/04/2015 às 16:09

Essa semana foi autorizado o uso de sementes transgênicas de eucalipto. O Brasil foi o primeiro país a autorizar o uso. Triste estarmos sempre em primeiro lugar das coisas ruins. Sempre na contramão do desenvolvimento sustentável. Um país tão rico em recursos naturais poderia usar isso a seu favor.

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José Walter

16/04/2015 às 17:45

O portugues está sofrível.


Noticiário:  Prezado Senhor José, agradecemos a gentileza da observação. Foi estimulante para analisarmos o longo e esclarecedor texto, sobre o perigo que passam os polinizadores. Graças à lembrança que formulou, fomos despertados para a complexidade das frases do redator. Procuramos corrigir. Muito obrigado Moreira, Luiz Nunes - jornalista responsável Reg. Prof. Min. Trab. 0357/03/79

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