22/01/2015 (09:57)

Diretora sugere rever conceito sobre crianças e jovens fora da escola

“A formas tradicionais de administração [educacional], baseadas em mais professores, mais salas de aula e mais livros didáticos, não são suficientes para alcançar as crianças mais desfavorecidas”. Isto é o que afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, no lançamento de relatório a respeito da iniciativa global crianças fora da escola.

 


 



Escola no Quênia. Foto: UNESCO

Escola no Quênia. Foto: UNESCO



O relatório “Reparação da promessa quebrada de Educação para Todos: resultados da Iniciativa Global Crianças Fora da Escola”, produzido pelo Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra que 121 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 6 a 15 anos, estavam fora da escola em 2012, ano de referência das estimativas utilizadas no estudo.


O documento, lançado nesta segunda-feira (19) em Londres, é um alerta de que o mundo não conseguirá cumprir a meta de universalizar o acesso à educação primária até 2015. De acordo com a publicação, 58 milhões de crianças permaneciam fora da escola primária em 2012, o equivalente a 8% da população mundial em idade escolar para o ensino primário. Em todo o planeta, 705,7 milhões de alunos estavam matriculados no primário.


“A formas tradicionais de administração [educacional], baseadas em mais professores, mais salas de aula e mais livros didáticos, não são suficientes para alcançar as crianças mais desfavorecidas”, afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “Precisamos de intervenções específicas para alcançar as famílias deslocadas devido a conflitos, as meninas que são forçadas a ficar em casa, as crianças com deficiências e as milhares que são obrigadas a trabalhar. Porém, essas políticas têm um custo. Este relatório serve de alerta para mobilizar os recursos necessários para garantir a educação básica para cada criança, de uma vez por todas”.


O relatório mostra também que 63 milhões de crianças e adolescentes de 12 a 15 anos estavam fora da escola em 2012, o equivalente a 20% do total da população mundial nessa faixa etária. Em termos proporcionais, portanto, a situação era ainda mais grave entre os meninos e meninas com mais idade.


Em todo o planeta, havia 316,1 milhões de alunos de 12 a 15 anos matriculados na escola. Em tese, quando não há atraso escolar, essas crianças e esses adolescentes deveriam frequentar o chamado primeiro nível da escola secundária.


O diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake, acredita que “Para cumprir a promessa de atingir a educação universal para todas as crianças, precisamos de um compromisso mundial de investimento em três áreas: ter mais crianças frequentando a escola primária; ajudar mais crianças, principalmente as meninas, a permanecer na escola durante todo o nível secundário; e melhorar a qualidade da aprendizagem que elas recebem ao longo de sua escolarização”. “Não deve haver discussão a respeito dessas prioridades: precisamos realizar as três, porque o sucesso de cada criança – e o impacto do nosso investimento em educação – depende de todas elas ”.

 

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