14/01/2015 (23:50)

Superbactéria nas águas do Rio de Janeiro preocupa equipes olímpicas

Todas as equipes que estão treinando para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, estão preocupadas com a notícia de contaminação pela superbactéria KPC resistente aos antibióticos comuns. Foi encontrada nas praias de Botafogo e Flamengo, ao lado da Martina da Glória palco de competições de vela. Comitê Olímpico disse que nada muda.

 

Em nota, o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 informou que o local das competições de vela não será alterado. “Conversamos com especialistas do governo e da Fiocruz e, desde então, monitoramos o tema [da bactéria]. O Comitê Rio 2016 criou uma força-tarefa para cuidar do assunto, e o grupo seguirá acompanhando muito de perto sua evolução."

A nota explica que grande parte do trabalho é discutir com o governo e com especialistas soluções para evitar a contaminação da água e continuar garantindo a segurança dos atletas. "A questão não impõe nenhuma mudança no planejamento de eventos-testes e competições”, conclui.


Pesquisas identificam


Instituto Estadual do Ambiente (Inea) recomendou aos cariocas que não frequentem as praias consideradas impróprias pelos testes de balneabilidade.


Realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um dos estudos identificou as superbactérias em amostras de água coletadas no Largo do Boticário (Cosme Velho), Aterro do Flamengo (antes da Estação de Tratamento do Rio) e na foz do Rio Carioca, no ponto em que desagua na Praia do Flamengo. Um segundo estudo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Inea, mostra que a bactéria também está presente nas águas da Praia de Botafogo.


Presidente do Inea, Isaura Fraga pede aos banhistas que acompanhem os testes de balneabilidade divulgados rotineiramente no site do instituto. “Fizemos uma correlação entre nossos estudos e os da UFRJ. Comprovamos que, quando a praia está imprópria, a bactéria pode aparecer. Quando a praia está própria, ela não aparece. Dessa forma, o teste de rotina feito pelo Inea é um indicador da existência ou não da bactéria”, explicou.


Isaura ressaltou que, em razão da salinidade do ambiente, a bactéria perde agressividade quando presente no mar. Ela informou que, apesar disso, o Inea e a prefeitura do Rio acompanham hospitais da região para saber se algum deles despejou esgoto fora da rede, já que a bactéria encontrada nas praias é de ambiente hospitalar. “Também investigamos a existência de infectados em banhos de praia e não encontramos”, acrescentou.


De acordo com Renata Picão, microbiologista da UFRJ responsável pelo estudo, dificilmente ocorre infecção pela bactéria em pessoas com boa saúde. “A bactéria produz uma enzima chamada KPC, que a torna resistente aos principais antibióticos. Ela é problemática nos hospitais, pois os pacientes geralmente estão com o sistema imunológico debilitado. É importante frisar que ela não é agressiva. Não é o primeiro contato que vai desenvolver uma infecção”, assegurou.

 

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