05/11/2014 (13:24)

Mudanças no clima já são irreversíveis, dizem técnicos em Brasília

Alterações no clima já provocam impactos físicos, econômicos e sociais irreversíveis em diversos países. Entre os cenários de futuro apresentados no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estão dias e noites mais quentes, ondas de calor, chuva extrema, aumento dos ciclones tropicais e prolongamento das secas.

 

Segundo os especialistas, nos últimos 100 anos a temperatura no Brasil aumentou em média dois graus. E a previsão é aumentar mais dois graus até o fim do século. Fenômenos climáticos recentes como as grandes cheias em Rondônia, Rio de Janeiro e outros estados, tornado em Santa Catarina e a seca em São Paulo foram mencionados pelos debatedores.


“A mudança climática já é alarmante com riscos irreversíveis e vai necessitar um grande trabalho de adaptação, com medidas que devem ser tomadas rapidamente”. Alerta é de Osvaldo Luiz Leal de Moraes, representante da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


No encontro fdoram sugeridas medidas como o uso de materiais de construção adequados a climas diferentes, a contenção de enchentes, para reduzir os efeitos das mudanças do clima. Mas os estudiosos consideram que o efeito do aquecimento global será "grave, abrangente e irreversível".


Comportamento consumista



Durante o debate na Câmara Federal em Brasília, a vice-presidente do IPCC, Suzana Kahn, enfatizou que o acordo internacional para mitigar o aumento da temperatura passa por uma mudança de comportamento em relação ao consumo. “A tecnologia pura e simples não vai resolver o problema. Se a gente considerar o aumento populacional no mundo, mantendo o mesmo padrão de consumo da classe média ocidental, não adianta”, afirmou.


Na opinião de Suzana Kahn, os países consumidores também são responsáveis pelo aquecimento global. Ela ressaltou que os países mais poluidores são os de menor renda, que produzem bens para atender a demanda dos mais ricos.


Na América do Sul, a previsão é que a distribuição e uso da água sejam afetados, assim como a produção de alimentos. A safra de trigo já caiu e pode reduzir também a de milho, soja e arroz.


Geração de energia



O relatório sobre mudanças climáticas revelou ainda que, em 2010, a emissão de gás carbono, que causa o efeito estufa foi o maior da história. O aumento está relacionado à geração de energia e, em menor número, ao uso da terra (queimadas e desmatamento).


A Europa, por razões geopolíticas, intensificou o uso do carvão na sua matriz energética, gerando o crescimento da intensidade de carbono no setor industrial.


Aprovada pelos governos, a utilização da biomassa para substituir as usinas térmicas a carvão, é uma das medidas de mitigação destacadas no relatório.


Para o presidente da comissão, deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), um acordo entre os países para instituir a redução de carbono como unidade de valor do sistema financeiro internacional, seria uma medida complementar para manter os níveis desejados de temperatura no planeta.


Efeitos climáticos no Brasil


O senador pelo Ceará e vice-presidente da comissão, Inácio Arruda (PCdoB), lembrou os três anos de estiagem seguida no Nordeste e questionou os participantes sobre as previsões climáticas para a região.


As respostas divergiram, com tendência de aumento da desertificação e períodos maiores de seca, mas também aumento de chuvas, ainda que com distribuição irregular. Estudos apontam que no litoral nordestino, nos últimos 50 anos, não houve mudança na quantidade de chuvas, ao contrário do interior.


A previsão é que chova mais, tanto no Nordeste quanto na Região Amazônica, nos próximos anos. Contudo, como são usados mais de 30 modelos climáticos diferentes, é comum que os resultados sejam mais discordantes em relação às chuvas do que sobre o aumento da temperatura. A expectativa é que o uso por cientistas brasileiros de um modelo de escala global possa garantir melhores cenários e previsões mais precisas.

 

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