21/10/2013 (14:26)

Brasil já faz cirurgia de catarata a laser

Tratamento da catarata (turvamento do cristalino) que é a maior causa de cegueira, está dando um salto de qualidade no País. Isso porque, as primeiras cirurgias a laser começam a ser realizadas por um grupo restrito de especialistas os quais já estão capacitados para usar a nova tecnologia. Por enquanto, são 7 equipamentos instalados no Brasil.

 

Nova tecnologia personaliza a cirurgia, melhora a segurança e reduz a necessidade de usar óculos. Dos 7 equipamentos instalados, 2 encontram-se no interior de São Paulo.


Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, de Campinas, afirma que a catarata é a doença ocular que mais cresce no Brasil por causa do aumento da população com mais de 60 anos. A projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de que em 2020 serão 40 milhões de brasileiros nesta faixa etária. Levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que a catarata atinge 17% das pessoas entre 55 e 65 anos, 47,% das que têm entre 65 e 75 anos e 73% das que têm mais de 75 anos. A doença responde por 350 mil casos de cegueira no Brasil e 18 milhões no mundo.


O médico, que já fez milhares de procedimentos com corte manual, é um dos pioneiros a realizar a cirurgia de catarata a laser no interior de São Paulo. Afirma que de acordo com estudos internacionais, a técnica personaliza o procedimento, torna-o mais seguro e reduz a necessidade de usar óculos. Entretanto informa que o resultado refrativo após a operação, depende do conhecimento que cada cirurgião tem sobre a fisiologia da córnea e outras condições de saúde que interferem na qualidade da visão.


Cirurgia convencional


Independente da técnica, toda cirurgia de catarata segue cinco passos, ensina o Oftalmologista: incisões na córnea, capsulotomia (incisão da cápsula do cristalino), quebra e remoção do núcleo da catarata, remoção do córtex e implante de lente intraocular que vai substituir o cristalino.


Na cirurgia convencional as incisões são feitas manualmente, o que exige grande habilidade do cirurgião. Ao contrário do que muitos imaginam, Queiroz Neto afirma que a remoção do núcleo e do córtex são feitos por ultrassom, não por laser. “O tempo prolongado de exposição ao calor do ultrassom induz ao astigmatismo e faz muitas pessoas precisarem usar óculos após a cirurgia”.


Cirurgia a laser


O especialista explica que o sistema (equipamento) possui dois componentes integrados: um laser de femtosegundo, tecnologia utilizada na cirurgia refrativa feita inteiramente a laser, e uma OCT (tomografia de coerência ótica). Mas a aspiração do cristalino continua sendo feita pelo ultrassom.


A OCT tira medidas das duas faces da córnea, do cristalino e da câmara posterior que são projetadas em telas para o cirurgião programar os cortes da cirurgia conforme a anatomia de cada olho.


Técnica pode zerar o astigmatismo


Explica o oftalmologista de Campinas que o laser faz cortes precisos e numa inclinação autosselante que dispensa o fechamento com pontos. Esta precisão evita distorções visuais provocadas pela cicatrização irregular que pode ocorrer no método convencional. “Por isso a cirurgia pode zerar o grau de astigmatismo com uma incisão relaxante na córnea, localizada no lado oposto ao desvio do eixo da visão. O resultado é a diminuição da necessidade de usar óculos”.


Mais segurança no trânsito


Também personaliza a capsulohexis, corte circular contínuo na face anterior da cápsula do cristalino. Esta personalização evita o deslocamento da lente intraocular. Isso aumenta a segurança no trânsito porque melhora a correção de aberrações visuais que atrapalham a visão noturna.


Destaca o médico que a cirurgia a laser é mais segura porque a fragmentação nuclear é feita pelo laser. Por isso, o olho fica menos tempo exposto ao calor do ultrassom. Isso diminui a morte de células do endotélio, camada interna da córnea. “Estas células são irrecuperáveis e fundamentais para a boa visão porque garantem a transparência da córnea”. Para o oftalmologista, o alto índice de aposentados que se mantêm ativos segundo o IBGE, é uma prova de que a boa visão na terceira idade se tornou essencial no País.


Contraindicações e sinais da catarata


Queiroz Neto explica que quem pretende optar pela nova tecnologia, não deve adiar a cirurgia de catarata. É que, a catarata muito madura é uma das contraindicações para o procedimento a laser. Os primeiros sinais da doença são: mudança frequente do grau dos óculos, perda da visão de contraste, dificuldade de enxergar à noite ou em ambientes escuros e aumento da fotofobia (aversão à luz).


Outras contraindicações são a presença de cicatrizes na córnea e pupilas que não dilatam.

 

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