22/08/2013 (22:58)

Peregrinos da jornada mundial pedem refúgio no Brasil

Pelo menos 40 peregrinos que participaram da JOrnada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, já pediram refúgio às autoridades do Brasil.

 

Informação foi dada (130822) pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR). Solicitações estão sendo feitas à Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (CARJ). São pessoas de div ersos países.

Entre as razões alegadas pelos solicitantes de refúgio estão perseguições sofridas por questões religiosas ou relacionadas a conflitos armados nos países de origem. A Jornada aconteceu entre os dias 23 e 28 de julho e reuniu cerca de 1 milhão de jovens no Rio de Janeiro.

A Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) também tem recebido pedidos de refúgio por parte de peregrinos que participaram da JMJ. Até agora
foram 5 casos. Entre os solicitantes estão nacionais do Paquistão, Serra Leoa e República Democrática do Congo.

Assim como todos os solicitantes de refúgio que chegam ao Brasil, os peregrinos da JMJ terão os pedidos analisados pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE). Essa entidade funciona no âmbito do Ministério da Justiça. Solicitantes terão de se apresentar à Polícia Federal e serão entrevistados por oficiais de elegibilidade do CONARE. Como de praxe, após avaliação individual o CONARE decidirá quais casos devem ser reconhecidos como refugiados.

No Rio de Janeiro, pelo menos 12 solicitantes relataram perseguições relacionadas a questões religiosas. “Meu pai foi morto por ser cristão, e sempre disse a minha mãe que isso poderia acontecer com
nossa família. Sendo também cristão, a JMJ foi a única oportunidade que tive para conseguir um visto e sair do meu país”. É o que contou ao ACNUR o jovem Peter Atuma (*), católico de 24 anos que vivia em Serra Leoa, no oeste da África. No corpo mostra cicatrizes de ferimentos causados por grupos religiosos hostis aos cristãos da comunidade onde vivia. 

Os peregrinos solicitantes de refúgio no Rio já estão sendo assistidos pela CARJ, por voluntários ligados à Igreja Católica que participaram da JMJ e por autoridades municipais para questões de moradia e alimentação.
A assistente social Aline Thuller, uma das coordenadoras do projeto de assistência e proteção a refugiados implementado pela CARJ, com apoio do
ACNUR e do governo brasileiro, explica que a assistência financeira direta só poderá ser prestada quando os pedidos de refúgio forem formalizados. “Outros apoios, como aulas regulares de português e
cursos profissionalizantes, também só poderão ser dados quando os peregrinos tiverem o protocolo da Polícia Federal confirmando seu pedido de refúgio”, afirma Thuller.

Os pedidos de refúgio feitos por peregrinos que participaram da Jornada Mundial da Juventude e alegam perseguição religiosa representam, de
certa forma, um novo desafio para as autoridades brasileiras. “Não temos dados específicos sobre este tema, pois muitas vezes as questões religiosas se misturam com perseguições associadas a motivos políticos. Faremos um acompanhamento detalhado destes casos, pois o pedido de refúgio devido a questões religiosas é uma questão complexa de ser
decidida". É o que diz o Representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez.

(*) Nomes trocados a pedido dos entrevistados, por questões de segurança.

 

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