28/02/2013 (21:13)

Nova Ortografia do Português Tira Hífen e Alguns Acentos

Fim do trema, do hífen, inclusão das letras w, k e y no idioma, extinção de acento em algumas palavras. São mudanças no Português iniciadas em 2009.

 

Apesar das regras valerem a partir do primeiro dia de janeiro de 2009, nos livros escolares entram em 2010, mas serão exigidas em 2012.Mas quem vai se submeter a provas de concursos e vestibulares nem precisa se preocupar. regras atuais valerão até 2012.

Entre as mudanças estão ainda a eliminação do trema em palavras como tranqüilo, agüentar e outras. Acento agudo desaparecerá em palavras com ditongos "oi" e "ei", como idéia e heróico. Não haverá mais os acentos circunflexos em palavras como crêem, vêem, dêem e vôo, por exemplo. Caem os acentos diferenciais em palavras como pêlo, pólo, péla e pára.

Muito fácil de assimilar será a extinção do hífen. Ocorrem quando a segundo palavra começa com "r" e "s". Mas infelizmente há exceção, que é quando a primeira palavra e a segunda terminam com a mesma letra, como por exemplo hiper-requintado e super-resistente. Em Portugal cai o "h" de palavras como húmido e o "c" e o "p" em palavras como acção e óptimo.

Simplificação da ortografia, facilidades de comunicação com outros países que falam Português, são 2 benefícios da unificação. São falantes do idioma, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Brasil e Portugal.

Oficialização foi feita, dia 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras. Operário Presidente Inácio Lula assinou decreto durante solenidade dos 100 anos da morte do escritor Machado de Assis. 

CONHEÇA AS PRINCIPAIS

MODIFICAÇÕES QUE

COMEÇAM EM JANEIRO

Unificação da Língua Portuguesa prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras
Assim por exemplo, em vez de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo". 

 As alterações, por certo, interessam a todos os brasileiros e em especial aos advogados, professores e àqueles que escrevem textos, teses, dissertações.

"A frequência com que eles leem no voo é heroica!".

Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor o "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", estará corretíssima. 

As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990.
Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe.

Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição, no qual ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários, etc.

Português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol.
A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a prática em eventos internacionais. Unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros.

Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado.

 
No Brasil, a mudança será bem menor:  0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.

O que muda:

*** As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por exemplo, deixem de escrever "húmido" para escrever "úmido".

*** Também desaparecem da língua escrita, em Portugal, o "c" e o "p" nas palavras onde não são pronunciados, como por exemplo, "acção", "acto", "adopção", "baptismo", "óptimo" e "Egipto".

Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas mudanças que, em princípio, parecem estranhas.

*** As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. 
No lugar de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo".

*** Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos:
"crer", "dar", "ler", "ver" e decorrentes, ficando correta a grafia:  "creem", "deem", "leem" e "veem".

*** O trema desaparece completamente.
Estará correto escrever "linguiça", sequência", "frequência" e "quinquênio" e não de:  lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.

*** O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", do "w" e do "y".

*** O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).

Outras duas mudanças:

*** Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação,  tais como:  "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos".

*** A eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como:  "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".


Antônio Houaiss 

A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil contemporâneo, falecido em março de 1989.
O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma mesma ortografia.
No seu livro "Sugestões para uma política da língua", Antônio Houaiss defendia a essência de embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em Portugal.

Fontes para comentar o assunto:

** William Roberto Cereja - Mestre em Teoria Literária pela USP, Doutor em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Professor graduado em Português e Lingüística e licenciado em Português pelo ensino em São Paulo e autor de obras didáticas.

** Marcia Paganini Cavéquia - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa; Inglês e Literaturas de Língua Inglesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada em Metodologia da Ação Docente pela UEL,
Palestrante e consultora de escolas particulares e secretarias de educação de diversos municípios e autora de livros didáticos.

** Cassia Garcia de Souza - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual de  Londrina (UEL), Pós-graduada em Língua Portuguesa pela UEL, Palestrante e organizadora de cursos para professores da rede de ensino, Assessora pedagógica e autora de livros didáticos.

 

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Comente esta notícia 

 

23xmOF