17/06/2019 (19:06)

Melhora do clima não avança, sem os empresários do mundo

Sem apoio dos empresários da indústria, comércio e serviços, não vai prosperar o acordo climático, que previne destruição dos recursos naturais e controle da poluição. Este preceito é uma dedicação constante de www.noticiario.com.br, desde abril de 2003. Nesse esforço, condenamos com veemência os excessivos gastos da ONU com as mega reuniões onde prosperam mais festas e outros atrativos do que a essência da defesa ambiental. Sem surpresa a própria ONU e o Pacto Global defendem a tese. Veja.

 

O setor privado brasileiro e global pode contribuir de maneira substancial para o cumprimento do Acordo de Paris para o clima, cujo principal objetivo é fortalecer a resposta mundial às mudanças climáticas ao manter a elevação de temperatura neste século abaixo do 1,5 grau Celsius.

A opinião é do enviado especial da ONU para a Cúpula do Clima de 2019, Luis Alfonso de Alba, que na quinta-feira (13) reuniu-se com empresários brasileiros no Rio de Janeiro (RJ) em um encontro articulado pela Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, braço no país da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.

“O setor privado a cada dia tem um papel mais claro, mais amplamente reconhecido por todos os atores, incluindo os governos, pela capacidade de inovação, pela capacidade que tem também de apoiar a transformação com recursos econômicos, e por uma série de ações coordenadas por setores que vão permitir uma transformação do modelo de desenvolvimento”, disse Alba em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

Segundo ele, a responsabilidade não recai apenas sobre as grandes empresas e multinacionais, mas também sobre as pequenas e médias. “É importante que transmitamos essa mensagem por meio da cúpula”, declarou, referindo-se à cúpula de setembro em Nova Iorque convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para traçar planos concretos e realistas para reforçar as contribuições nacionais para o Acordo de Paris até 2020, em linha com a redução das emissões de gases do efeito de estufa em 45% na próxima década.

“Não estamos buscando apenas ações de países grandes ou ações de uma grande dimensão em termos de toneladas de carbono que vão ser evitadas, por exemplo, mas medidas que sejam significativas em função da zona geográfica, do nível de desenvolvimento de cada uma das regiões”, disse Alba.

A cúpula reunirá governos, setor privado, sociedade civil, autoridades locais e outras organizações internacionais para desenvolver soluções ambiciosas em seis áreas: uma transição global para a energia renovável; infraestruturas e cidades sustentáveis ​​e resilientes; agricultura e gestão sustentáveis ​​de florestas e oceanos; resiliência e adaptação aos impactos climáticos; e alinhamento de finanças públicas e privadas para atingir tais objetivos.

“O mais importante é conseguir que todos os participantes, que não vão ser apenas governos (nacionais), mas também autoridades locais, empresários, sociedade civil organizada, compreendam a urgência (da situação) em que nos encontramos e a necessidade de incrementar ações para poder fazer frente aos desafios.”

O objetivo da cúpula de Nova Iorque é conseguir engajamento político dos países para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP25, que será realizada em dezembro no Chile.

“É muito importante que da cúpula saiam propostas de ações concretas, com calendários, recursos humanos e financeiros suficientes para que esses compromissos se tornem realidade no curto prazo. Trata-se de mudar o curso de ação, e passar a uma velocidade maior no processo.”

Os países desenvolvidos se comprometeram a mobilizar 100 bilhões de dólares anualmente a partir de 2020 para apoiar as nações em desenvolvimento na ação climática, lembrou Alba. A cúpula de Nova Iorque servirá para garantir que esse compromisso seja cumprido, assim como a transferência tecnológica para que os países em desenvolvimento possam dar suas contribuições.

“Estamos falando também de um equilíbrio da agenda, entre quais são os esforços de redução de emissões e quais são os esforços que os países em desenvolvimento precisam realizar para fazer frente aos impactos das mudanças climáticas que eles já estão sentindo e que, em alguns casos, são dramáticos.”

Alba enfatizou a importância da cooperação entre países em desenvolvimento no combate e na mitigação dos efeitos da mudança climática. “Por isso, a Cooperação Sul-Sul é fundamental. É (saber) o que os países do Sul podem fazer por si mesmos, seguindo exemplos e experiências”.

Papel do Brasil

Na opinião de Alba, o Brasil é um ator central para atingir as metas do Acordo de Paris para o clima, por conta de sua capacidade tecnológica, sua extensão territorial e seus recursos naturais.

“É muito importante que o Brasil siga demonstrando — como fez até agora — que é possível crescer em um contexto de maior sustentabilidade. Há, portanto, uma responsabilidade de distintos setores, que buscam o desenvolvimento, o combate à pobreza, mas que também buscam fazê-lo de maneira sustentável”, disse.

“No caso brasileiro, podemos trabalhar com soluções baseadas na natureza, conservação das florestas, uso de métodos agrícolas mais eficientes. A agroindústria no Brasil é muito poderosa e tem papel especial. O Brasil também está se destacando no trabalho que está fazendo em termos de infraestrutura, sobretudo nas cidades, lugares onde é necessária uma transformação — desde o modelo de transporte, o manejo de resíduos, etc”, disse.

Presente na reunião com empresários, o diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, lembrou que o Brasil sempre foi um grande negociador do clima, apoiando de forma estruturada todas as discussões e negociações sobre o tema.

“Para as negociações de clima em geral, (o Brasil) tem um papel muito relevante por ser um dos maiores emissores. Mas também por ter, por exemplo, uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo”, declarou.

Pereira lembrou que além de ter responsabilidades, o setor privado também tem oportunidades em uma migração para uma economia mais verde e no cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“Para a implementação da Agenda 2030, existem oportunidades de aproximadamente 12 trilhões de dólares em negócios. Não estou falando quanto é necessário para implementação da agenda, mas só de oportunidades de negócio. Isso gera 380 milhões de empregos no mundo todo”, disse.

“Quando a gente fala em energia renovável, e o Brasil está indo tão bem nesse quesito, tanto na questão da matriz hidráulica quanto eólica e solar — essas duas estão aumentando muito no Brasil —, a gente sabe que esse tipo de energia gera quatro vezes mais empregos.”

Pereira citou dados da Agência Internacional para as Energia Renováveis (IRENA), segundo os quais o setor de energia renovável é mais inclusivo, com 30% de mulheres em seus quadros globalmente.

“Quando a gente olha a matriz energética brasileira, por ela ser mais limpa, os produtos desenvolvidos no Brasil têm uma pegada carbônica menor. Então, quando a gente fala em clima e sustentabilidade, a gente acredita estar falando em aumentar a competitividade das empresas”, concluiu, defendendo um maior impulso ao mercado de créditos de carbono.

Para a gestora sênior para meio ambiente e clima do Pacto Global, Heidi Huusko, já teve início uma migração das economias para energias renováveis, pelo fato de que muitas empresas estão se engajando no mercado de carbono.

“Taxar as emissões de carbono também é uma forma de ver importantes transformações nos nossos sistemas energéticos. Esse tipo de apoio do setor privado, em demonstrar que esses mecanismos são viáveis, que é possível ter um preço significativo para o carbono, ajudará nessa migração dos mercados”, declarou.

Carta aos empresários

Uma ampla coalizão de empresas, organizações da sociedade civil e de líderes da ONU emitiram na quinta-feira (13) um chamado à ação para que o setor privado dê sua contribuição essencial e necessária para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para limitar os piores impactos da mudança climática.

No período que antecede a Cúpula de Ação Climática do secretário-geral da ONU, a ser realizada em 23 de setembro em Nova Iorque, os diretores-executivos estão sendo desafiados a estabelecer metas ainda mais ambiciosas para suas empresas, diante de dados alarmantes do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), que deu argumentos convincentes para limitar a elevação da temperatura global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.

O apelo à ação veio na forma de uma carta aberta dirigida a líderes empresariais e assinada por Lise Kingo, diretora-executiva do Pacto Global; e mais de 20 líderes, incluindo María Fernanda Espinosa, presidente da Assembleia Geral da ONU; Patricia Espinosa, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas; Jayathma Wickramanayake, enviada do secretário-geral das Nações Unidas para a Juventude; e Paul Polman, ex-presidente da Unilever e defensor dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“A mudança climática é, sem dúvida, a questão que define nossos tempos — e estamos em momento fundamental. O mundo hoje está enfrentando desafios ambientais sem precedentes e interconectados. Se não mudarmos urgentemente o curso de ações, arriscamos perder a chance de evitar a mudança climática descontrolada, com consequências desastrosas para as pessoas e para todos os sistemas naturais que nos sustentam”, disse o documento.

“No entanto, ainda há tempo de mudar de curso. Temos a inovação, as ferramentas e o conhecimento para fazer isso acontecer — precisamos agora de liderança. Estamos em uma conjuntura crítica, na qual as mudanças climáticas estão se movendo mais rápido do que nós todos os dias”, completou.

O documento lembrou que os benefícios da ciência baseada na ação climática para os negócios são claros. Centenas de companhias já estabeleceram metas, e empresas líderes estão provando que adequar seus negócios à ação pelo clima é possível, disse a carta.

“A oportunidade econômica que isso representa é significativa, com evidência sugerindo que aquelas empresas alinhadas à trajetória de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius estarão mais bem posicionadas para crescer enquanto a economia global passa por uma justa transição para um futuro com emissões líquidas zero até 2050”. Isso está no documento, convidando líderes empresariais a participar da cúpula que será realizada em setembro, em Nova Iorque. 

 

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