12/06/2019 (19:38)

Empresas aéreas do Brasil anunciam prejuízo de R$ 1,93 bilhão

R$ 1,93 bilhão é o total do prejuízo acumulado em 2018 pelas empresas aéreas Latam, Gol, Azul e Avianca, esta última em processo falimentar. Com passagens cada vez mais caras e horizonte piorando em função da política de preços, as companhias são alvo de um relatório contábil, produzido pelas ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Querem demonstrar a opção feita, preparando-se para a concorrência do ingresso de empresas aéreas de baixo custo (low cost) que estão chegando.

 

Este é a "demonstração ocntábil" da Agência.

As quatro principais empresas aéreas brasileiras (Latam, Gol, Azul e Avianca) tiveram um prejuízo acumulado de R$ 1,93 bilhão em 2018, correspondente à margem líquida negativa de -4,7%. Em 2017, o resultado líquido havia sido de R$ 411 milhões positivos, com margem líquida de 1,2%. Os números fazem parte do relatório das Demonstrações Contábeis das Empresas Aéreas (clique no link para acessar), divulgado nesta segunda-feira (10/06) pela Agência Nacional de Aviação (ANAC).

Considerando apenas os dados do 4º trimestre de 2018, as empresas também pioraram desempenho na comparação com o mesmo período de 2017. De outubro a dezembro de 2018, o setor registrou lucro de R$ 107 milhões. No mesmo período de 2017, o saldo positivo foi de R$ 492,5 milhões.

No acumulado de 2018, apenas a Azul teve lucro líquido positivo, de R$ 170,2 milhões. Avianca, Gol e Latam, juntas, registraram prejuízo da ordem de R$ 2,1 bilhões. A Gol foi a empresa com maior prejuízo, com R$ 1,1 bilhão, seguida pela Avianca, com R$ 491,9 milhões, e Latam, com R$ 442,8 milhões.

A receita operacional líquida agregada das 4 empresas, no acumulado do ano, cresceu 15,3% em relação ao mesmo período de 2017, com registro de R$ 40,7 bilhões. Os custos dos serviços prestados apresentaram aumento de 25,2%, no total de R$ 35,9 bilhões. Desta forma, com o incremento dos custos dos serviços prestados em percentual maior do que o crescimento da receita operacional líquida, o lucro bruto das 4 empresas, conjuntamente, caiu 28%, passando de R$ 6,5 bilhões em 2017, para R$ 4,7 bilhões em 2018.

A receita operacional do 4º trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período de 2017, registrou aumento de 13,9%. O valor passou de R$ 9,8 bilhões para R$ 11,1 bilhões. Já os custos dos serviços prestados tiveram incremento de 26,6% no 4º trimestre de 2018 em comparação com o mesmo período de 2017, atingindo R$ 9,7 bilhões. Assim chegou-se à queda de 32% no lucro bruto.

Itens com maiores impactos entre os custos e despesas de 2018, foram: combustíveis, com 32,6%, seguido por arrendamento, manutenção e seguro de aeronaves, com 19,6%, e custos de pessoal em geral, com 15,5%. No acumulado de 2018, combustível atingiu o maior gasto dos últimos 4 anos analisados.

O EBIT (do inglês Earnings Before Interest and Taxes) das empresas aéreas piorou no acumulado de 2018 quando comparado com o mesmo período de 2017. O item caiu de R$ 1,45 bilhão para R$ 296,2 milhões. O resultado financeiro acumulado em 2018 apresentou piora de 39,1% quando comparado com 2017, com prejuízo de R$ 2,19 bilhões, ante perdas de R$ 1,5 bilhão em 2017.

Cenário macroeconômico

Responsável por mais de 30% dos custos e despesas operacionais dos serviços de transporte aéreo, o preço do combustível de aviação (QAV), na média anual, foi 37,3% maior em 2018 que no mesmo período de 2017. Em 2018, o valor médio mensal do litro do combustível oscilou entre R$ 1,84 e R$ 2,64. Em 2017, a variação foi de R$ 1,60 e R$ 1,81 por litro.

A taxa de câmbio do Real frente ao Dólar também manteve tendência de aumento em relação aos números apurados para cada mês em 2017. O câmbio (R$/US$), na média do último trimestre do ano, foi 17,3% superior ao verificado no mesmo período em 2017. Esse indicador tem forte influência nos custos de combustível, arrendamento, manutenção e seguro de aeronaves, que, em conjunto, representam cerca de 50% das despesas dos serviços aéreos.

Demonstrações Contábeis

Em cumprimento à Resolução nº 342/2014as empresas brasileiras de transporte aéreo público com participação igual ou superior a 1% em termos de passageiros quilômetros pagos transportados (RPK) doméstico ou internacional devem apresentar trimestralmente suas demonstrações contábeis à ANAC. Já as demonstrações anuais devem ser apresentadas por aquelas com participação igual ou superior a 1% do RPK ou das toneladas quilômetros pagos transportados (RTK) no mercado doméstico ou internacional.

As demonstrações contábeis correspondentes ao 4º trimestre de 2018 (quatro principais empresas aéreas brasileiras) estão disponíveis na seção “Dados e Estatísticas, Mercado do Transporte Aéreo” do portal da ANAC na internet e também podem ser acessadas pelo link https://www.anac.gov.br/assuntos/dados-e-estatisticas/demonstracoes-contabeis/demonstracoes-contabeis-de-empresas-aereas-brasileiras.

 

Fonte: ANAC - Assessoria de Comunicação Social

 

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