06/02/2019 (05:24)

Guerra tarifária EUA-China já beneficia Europa e o Brasil, mas há perigos

Disputas comerciais entre EUA e China começa beneficiar exportadores do Brasil e União Europeia. Especialistas da UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento avaliaram só a Europa deve ganhar US$ 70 bilhões. Mas outros serão beneficiados e neste caminho Japão, México e Canadá irão lucrar US$ 20 bilhões, pelo menos.

 

Documento0 da UNCTAD avaliam que apesar dos volumes não serem significativos em relação ao volume global de comércio (cerca de US$ 17 trilhões em 2017), para muitos países representam grande fatia do total de exportações.

Por exemplo, o México deverá capturar US$ 27 bilhões do comércio EUA-China, o que representa cerca de 6% do total das exportações. Efeitos substanciais também serão sentidos na Austrália (aumento de 4,6% nas exportações), Brasil (3,8%), Índia (3,5%), Filipinas (3,2%) e Vietnã (5%), de acordo com o documento.

Dos US$ 250 bilhões em exportações chinesas que são sujeitas a tarifas norte-americanas, somente cerca de 6% serão capturados por companhias nos EUA.

De forma semelhante, dos aproximadamente US$ 85 bilhões em exportações norte-americanas que são sujeitas a tarifas chinesas, somente cerca de 5% serão capturados por companhias do País asiático, indicou a pesquisa da ONU.

Brasil ganha com tarifas

Enquanto as tarifas dos EUA e da China podem ser benéficas para alguns competidores estrangeiros, os efeitos médios serão mais incertos dependendo da estrutura econômica de cada país, assim como da extensão dos efeitos das tarifas sobre os preços dos produtos.

Um exemplo dessas dinâmicas são as tarifas impostas pela China aos EUA na soja. Por conta da importância desses dois mercados (a China responde por mais da metade das importações globais de soja e os EUA são o maior produtor global), as tarifas sobre o produto perturbaram o comércio global dessa commodity.

“Uma das consequências da imposição de tais tarifas, tem sido o desvio do comércio em favor de outros países exportadores, em particular o Brasil, que rapidamente se tornou o principal fornecedor de soja para a China”. É uma conclusão dos técnicos que fizeram o relatório da UNCTAD.

No entanto, enquanto os preços mais altos têm sido comemorados por produtores brasileiros, nem todos estão contentes. Alguns produtores estão preocupados com a possibilidade dos preços elevados impulsionados pelas tarifas, dificultarem a competitividade no longo prazo.

“Em uma situação em que a magnitude e a duração das tarifas não são claras, os produtores brasileiros relutam em tomar decisões de investimento que podem se tornar não lucrativas se as tarifas forem revogadas”. É um alerta contido no documento.

Além disso, empresas brasileiras que operam em setores que

usam soja como insumo (por exemplo, ração animal), estão

fadadas a perder competitividade por conta dos preços mais

altos, devido ao aumento da demanda por soja brasileira de compradores chineses.

Maquinários e até móveis

O estudo também alertou que os efeitos “são consistentes em diferentes setores”, incluindo maquinários, móveis, químicos e instrumentos de precisão. Observa que tarifas bilaterais “farão pouco para ajudar a proteger companhias domésticas em seus respectivos mercados”.

A não ser que EUA e China concordem em derrubar a disputa tarifária até 1º de março, tarifas sobre produtos de cada país irão aumentar 25%, acima do nível atual de 10%.

Citando o ex-secretário de Estado norte-americano Cordell Hull, Pamela Coke-Hamilton, da UNCTAD, disse que as tarifas protecionistas são “uma arma que ricocheteia contra nós mesmos”. Há o perigo de contribuíram para graves consequências, pois foi assim que aconteceu a Grande Depressão da década de 1930 e que se deu o crescimento do extremismo.

As implicações de tais acontecimentos seriam “massivas”, disse a diretora da UNCTAD para a Divisão de Comércio Internacional em Bens, Serviços e Commodities, acrescentando que seus efeitos irão envolver, em primeiro lugar, “uma desaceleração econômica, por conta da instabilidade das commodities e dos mercados financeiros”.

Depois, disse Pamela, haverá mais “pressão sobre o crescimento global, conforme companhias terão que impor ajustes de custos que irão afetar investimentos em produtividade e rentabilidade”.

Perdas no leste asiático

Mas o estudo da UNCTAD também alerta que a rixa comercial entre os dois países, pode atingir produtores do leste asiático com mais força, com uma contração projetada de US$ 160 bilhões em exportações da região, a não ser que discussões entre China e EUA sejam resolvidas antes de março.

O estudo torna evidente a “preocupação comum” de que disputas comerciais têm impacto inevitável sobre a “ainda frágil” economia global, especialmente sobre países em desenvolvimento dependentes de exportações.

Clique aqui para acessar o relatório (em inglês).

 

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