01/02/2019 (23:28)

Secretário-Geral da ONU condena intolerânica pela internet

“Vemos intolerância se movendo na velocidade da luz na Internet. É intolerância que entra na política tradicional, mirando minorias, muçulmanos, migrantes e refugiados, e, explorando a raiva e a ansiedade de um mundo em mudança. Agora, mais do que nunca, vamos nos unir na luta por valores universais e construir um mundo de igualdade para todos”.

 

Em meio ao “aumento alarmante” do antissemitismo, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto (190128) foi lembrado em Nova Iorque por António Guterres, seceretário-geral da ONU. Falou em memória dos 6 milhões de judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, junto a outras vítimas do que chamou de “crueldade e horror calculados, sem precedentes”.

“De ataque mortal contra uma sinagoga nos EUA à profanação de

cemitérios judeus na Europa, este ódio de séculos não só continua

forte, mas está piorando”. Guterres indicou a “proliferação de grupos

neonazistas e tentativas de reescrever a história e distorcer os fatos do Holocausto”.

Conforme os horrores dos campos de concentração nazistas vão ficando para trás no tempo,

restando menos e menos sobreviventes, a necessidade de ser vigilante fica mais forte.

 

Sob o tema de 2019, “Lembrança do Holocausto: Exija e Defenda seus Direitos Humanos”, jovens estão sendo encorajados a aprender lições valiosas do Holocausto, como agir contra discriminação e defender valores democráticos essenciais.

Com o crescimento do neonazismo e de grupos de ódio, junto a outras formas de ódio pelo mundo, o tema também destaca os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção sobre a Prevenção e a Punição do Crime de Genocídio.

Guterres relembrou a fala de Jonathan Sacks, ex-rabino-chefe do Reino Unido: “o ódio que começa com judeus nunca termina com judeus”.

Como parte de uma semana de atividades no Salão da Assembleia Geral foram colocados depoimentos de sobreviventes, orações memorais, apresentações musicais e discurso de Sara J. Bloomfield, diretora do Museu Memorial do Holocausto dos EUA que, após 18 anos, continua trabalhando para conscientizar sobre o Holocausto, confrontar negações e avançar com prevenção a genocídios.

A cerimônia foi comandada por Alison Smale, subsecretária-geral da ONU para Comunicações Globais. Danny Danon, representante permanente de Israel para as Nações Unidas; Jonathan R. Cohen, agente diplomático da Missão dos Estados Unidos para a ONU; e o embaixador Sandro De Bernardin, presidente da Aliança Internacional de Memória do Holocausto, também discursaram.

Na ocasião, Guterres chamou atenção para o que definiu como “pior ataque antissemita da história dos EUA”, quando 11 fiéis que participavam do Sabá em Pittsburgh foram mortos na sinagoga Árvore da Vida em outubro de 2018. “Precisamos nos levantar contra o crescente antissemitismo”, esclamou o dirigente das Nações Unidas.

Ações contra antissemitismo e racismo

María Fernanda Espinosa, presidente da Assembleia Geral, falou diretamente a sobreviventes, dizendo estar profundamente tocada com a presença deles na cerimônia.

“A maioria de nós neste salão nunca irá entender o impacto do horror em suas vidas. Registros e gravações, documentos e coleções, nunca podem contar a história completa de uma das piores tragédias da história humana”, disse.

“Precisamos tirar lição da história; é por isso que é vital que nos lembremos do Holocausto e honremos as vítimas desta atrocidade”, declarou, acrescentando acreditar que somente através da memória e da educação o ódio, a demonização de determinados grupos e a manipulação cínica da opinião pública podem ser contidas.

Pedindo ações rápidas e ousadas de líderes mundiais contra a tendência

crescente de racismo, antissemitismo, xenofobia e intolerância de todas

as formas, ela alertou que os laços que mantêm o mundo unido desde a

Segunda Guerra Mundial estão mostrando claros sinais de desgaste. “Falar não é suficiente”.

“Como líderes, como cidadãos. Como pessoas de fé e de consciência, precisamos nos levantar pelo que acreditamos. Nossa sobrevivência como civilização moderna, com base no Estado de Direito e nos direitos humanos e no respeito à dignidade de cada indivíduo, depende disso”, afirmou.

Homenagem à diplomacia por judeus

No total, 36 diplomatas já foram reconhecidos por “terem arriscado a vida, a liberdade ou o cargo para salvar vítimas do Holocausto” pela Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, Yad Vashem.

Um dos diversos eventos para marcar o dia foi a exibição “Beyond Duty: Diplomats Recognized as Righteous Among the Nations”, que compartilhou as histórias de diplomatas que, servindo sob regimes nazistas, salvaram vidas de judeus ao fornecerem passaportes, vistos e permissões de viagem para fugas.

A exibição apresentou uma lista dos 8 diplomatas reconhecidos como “Justos entre as Nações”. O então cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, foi uma das figuras homenageadas.

Entre os lusófonos estão os diplomatas Carlos Sampaio Garrido, de Portugal, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Luís Martins de Sousa Dantas, do Brasil. Essa nomeação foi feita por uma comissão especial independente.

António Guterres lembrou que todos devem estar atentos depois de ataques recentes à comunidade judaica.

“Temos de estar alerta e fazer de tudo para que triunfem os valores da tolerância, do respeito mútuo, da convivência pacífica entre comunidades, entre grupos humanos, entre civilizações, porque só assim o mundo poderá viver em paz.”

 

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