26/12/2018 (22:49)

Acidentes de trânsito matam 1,35 milhão de pessoas pelo mundo

Acidentes de trânsito estão aumentando pelas ruas e rodovias do mundo. É o que revela a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um relatório que exibe também as graves consequências desse mal. Mas há um dado positivo aí, pois ficaram estáveis as taxas de mortalidade proporcionalmente ao tamanho da população mundial. Problema tem solução comprovada.

 

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que as mortes no trânsito continuam aumentando, com um total anual de 1,35 milhão. O Relatório Global da OMS sobre o Estado da Segurança Viária 2018 destaca que as lesões causadas no trânsito são hoje a principal causa de óbito de crianças e jovens entre 5 e 29 anos no mundo.

“Essas mortes são um preço inaceitável a pagar pela mobilidade”,

disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Não

há desculpa para a inação. Este é um problema com soluções

comprovadas. Este relatório é um apelo aos governos e parceiros

para que tomem ações muito maiores para implementar essas medidas”.

Relatório Global da OMS sobre o Estado da Segurança Viária 2018 documenta que, apesar do aumento no número total de mortes, as taxas de mortalidade proporcionais ao tamanho da população mundial se estabilizaram nos últimos anos. Isso sugere que os esforços de segurança viária feitos por alguns países de renda média e alta permitiram mitigar a situação.

“A segurança no trânsito é uma questão que não recebe nem de longe a atenção que merece – e é realmente uma das nossas grandes oportunidades para salvar vidas em todo o mundo”, disse Michael R Bloomberg, fundador e CEO da Bloomberg Philanthropies e Embaixador Global da OMS para Doenças e Lesões Não Transmissíveis.

“Sabemos quais intervenções funcionam. Políticas fortes e fiscalização, desenho de vias inteligentes e campanhas poderosas de conscientização pública podem salvar milhões de vidas ao longo das próximas décadas.”

Entre os principais motivos que levaram as localidades que progrediram a alcançar esse resultado, está uma melhor legislação quanto aos principais fatores de riscos, como o excesso de velocidade; dirigir sob o efeito do álcool; a não utilização de cintos de segurança, capacetes para motociclistas e sistemas de retenção para crianças (cadeirinhas infantis); infraestrutura mais segura, como calçadas e pistas exclusivas para ciclistas e motociclistas; melhores padrões para veículos, como os que exigem controle eletrônico de estabilidade e frenagem avançada; e aprimoramento de cuidados de saúde pós-colisão.

O relatório documenta que essas medidas contribuíram para a queda das mortes no trânsito em 48 países de renda média e alta. No entanto, nenhum país de baixa renda demonstrou redução no total de óbitos, em grande parte por falta dessas medidas.

De fato, o risco de morte no trânsito continua sendo três vezes maior

nos países de baixa renda do que nos países de alta renda, com a maior

taxa na África (26,6 por 100 mil habitantes) e a menor na Europa (9,3 por 100 mil habitantes).

Por outro lado, desde a edição anterior do relatório (do ano de 2015), três

regiões do mundo notificaram um declínio nas taxas de mortalidade

no trânsito: Américas, Europa e Pacífico Ocidental, com a maior

redução (4,4%) observada no Pacífico Ocidental.

Variações nas mortes no trânsito também são refletidas pelo tipo de usuário da via. No mundo, pedestres e ciclistas respondem por 26% de todas as mortes no trânsito, com essa porcentagem chegando a 44% na África e 36% no Mediterrâneo Oriental. Os motociclistas e passageiros respondem por 28% de todas as mortes no trânsito, mas a proporção é maior em algumas regiões – por exemplo, 43% no Sudeste Asiático e 36% no Pacífico Ocidental.

Brasil

O relatório afirma que cidades de países como Brasil e Índia reduziram as mortes por acidentes de trânsito por meio de campanhas na mídia e maior força na aplicação da lei, incluindo o combate ao uso de álcool na direção.

O documento mostrou, no entanto, que apesar de as taxas de mortalidade no trânsito no Brasil (19,7 por 100 mil habitantes, segundo dados de 2016) estarem registrando tendência de queda (estavam em 20 por 200 mil habitantes em 2006), elas permanecem bem acima das taxas europeias. 

Conclusões do relatório

Os relatórios de estado global da OMS sobre segurança no trânsito são divulgados a cada dois ou três anos, e funcionam como a principal ferramenta de monitoramento para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020.

Entre as outras conclusões do Relatório Global

da OMS sobre o Estado da Segurança Viária 2018,

quando comparado à edição de 2015, estão:

• Mais 22 países emendaram suas leis sobre um ou mais fatores de risco para adequá-las às melhores práticas, cobrindo um adicional de 1 bilhão de pessoas;

• 46 países, representando 3 bilhões de pessoas, possuem leis alinhadas às melhores práticas que estabelecem limites de velocidade;

• 45 países, representando 2,3 bilhões de pessoas, atualmente têm leis alinhadas às melhores práticas sobre dirigir sob efeito do álcool;

• 49 países, representando 2,7 bilhões de pessoas, atualmente têm leis alinhadas às melhores práticas sobre o uso de capacetes para motociclistas;

• 105 países, representando 5,3 bilhões de pessoas, atualmente têm leis sobre uso de cinto de segurança alinhadas às melhores práticas;

• 33 países, representando 652 milhões de pessoas, atualmente têm leis sobre o uso de sistemas de retenção para crianças (cadeirinhas infantis) alinhadas às melhores práticas;

• Atualmente, 114 países realizam alguma avaliação sistemática ou classificação por estrelas das vias existentes;

• Apenas 40 países, representando 1 bilhão de pessoas, implementaram pelo menos sete ou todos os oito padrões de segurança de veículos das Nações Unidas;

• Mais da metade dos países (62%) têm um número de telefone com cobertura total no país para ativar o sistema de atendimento de emergência;

• 55% dos países têm um processo formal para treinar e certificar prestadores de cuidados pré-hospitalares.

 

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