11/12/2018 (23:08)

No mundo, 33% dos solos estão degradados pelo uso de químicos

Águas residuais não tratadas, produtos químicos, plásticos e eletrônicos, são as fontes mais agressivas de contaminação do solo. Estima a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) que 33% das terras antes cultiváveis, estão comprometidas. Pior é que elementos contaminantes entram na cadeia alimentar e afetam a saúde.

 

“Em torno de 33% de todos os solos estão degradados e se deteriorando em ritmo alarmante”, alertou Maria Helena Semedo, diretora-geral adjunta da FAO,  na cerimônia do Dia Mundial do Solo, celebrada em Roma. “O solo atua como um filtro para os contaminantes. Mas quando a capacidade amortecedora é superada, podem chegar ao meio ambiente e à cadeia alimentar. Isto prejudica a segurança alimentar ao fazer com que o consumo destes cultivos represente um risco”.

“As atividades humanas são a principal fonte de contaminação do solo. Está em nossas mãos adaptar práticas para uma gestão sustentável do solo”.

Ao mesmo tempo, Semedo fez um pedido para que países “aumentem de forma significativa a investimento em solos saudáveis”. Falou que solos saudáveis ajudam garantir alimentos inócuos e nutritivos e são essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Fome Zero”.

Reutilizar, reciclar e reduzir

Em 2018 o tema “Seja a solução para a contaminação do solo”, forneceu uma série de recomendações sobre como reduzir a contaminação do solo em nível estadual, industrial e particular.

Por exemplo, as cidades em crescimento estão produzindo montanhas de lixo, que terminam em aterros sanitários que se introduzem no solo. Deste lixo, 80% poderiam ser reciclados.

À medida que o progresso tecnológico é acelerado, os dejetos eletrônicos são considerados uma nova ameaça emergente para os solos. A cada ano, são geradas 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos. A FAO recomenda doação ou reciclagem dos aparelhos velhos.

Embora os produtos agroquímicos possam ajudar a satisfazer a crescente demanda mundial de alimentos, eles degradam agroecossistemas e deixam um legado de contaminação do solo.

Quase 60% dos melhores solos agrícolas em 11 países europeus contêm

resíduos de diversos pesticidas persistentes. Atualmente, metade destes

pesticidas são ilegais. A FAO insta governos a promover a gestão responsável

e sustentável dos produtos químicos usados na agricultura.

Um terço do plástico produzido globalmente termina em nossos solos, com

partículas plásticas que entram na cadeia alimentar e no meio ambiente. São

necessárias políticas e regulamentações ambientais mais rígidas para evitar

o uso excessivo de produtos químicos por parte da indústria.

Além disso, todos podem ajudar a resolver o problema, simplesmente levado uma garrafa e uma bolsa de supermercado reutilizáveis e comprando produtos com embalagens reduzidas ou recicladas.

Impacto no Malauí

A FAO apresentou na semana passada os principais resultados de sua primeira avaliação econômica do impacto da erosão e da perda de nutrientes do solo.

O estudo foi feito em um projeto-piloto no Malauí – financiado pela iniciativa de Pobreza e Meio Ambiente, realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela ONU Meio Ambiente. O estudo permite uma maior compreensão dos danos econômicos causados pela perda do solo.

Segundo a avaliação, um aumento de 25% na perda do solo no Malauí resultaria na redução do PIB em 0,64%, o que equivale a cerca de 40 milhões de dólares ao ano.

“A degradação do solo tem altos custos econômicos devido à perda da saúde do solo e à redução dos rendimentos agrícolas”, afirmou Semedo. “Os contaminantes podem permanecer no solo durante décadas, o que faz com que a remoção seja extremamente custosa. A prevenção da contaminação do solo deve ser uma prioridade em todo o mundo”.

Prêmio Mundial do Solo

Durante cerimônia na semana passada, foi entregue o Prêmio Mundial do Solo “Glinka” 2018 ao professor Rattan Lal, presidente da União Internacional de Ciências do Solo (IUSS) por sua destacada contribuição à gestão sustentável do solo.

Lal foi incluído na lista dos cientistas mais influentes do mundo em 2012. Seu trabalho científico contribuiu de forma notável à restauração do carbono orgânico do solo e ao aprimoramento de sua estrutura e também desempenhou um papel importante para levar ciência à política e à tomada de decisões.

O Prêmio Mundial do Solo “Glinka” – que leva o nome do cientista pioneiro russo Konstantin D. Glinka – foi criado pela Aliança Mundial para o Solo com apoio da Rússia em 2016 e honra pessoas e organizações cujas lideranças e atividades contribuíram na promoção de gestão sustentável do solo e na proteção de seus recursos.

Em 2018 a Rússia aprovou uma contribuição financeira de US$ 2 milhões para apoiar atividades da Aliança Mundial para o Solo na segunda fase (2018-2020).

Também foi entregue o primeiro Prêmio do Dia Mundial do Solo à Practical Action Bangladesh pela organização da maior celebração do Dia Mundial do solo em 2017

 

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