09/11/2018 (10:41)

Cientistas descobrem fungos que destroem plásticos poluentes do mar

Fungos podem ajudar o mundo a se livrar dos plásticos. Podem degradar poliuretanos em questão de semanas. Estas afirmações foram feitas por cientistas do Kew Botanical Gardens, em Londres. Organismos tem o potencial de quebrar resíduos de plástico, avanço importante em um momento de reverter a onda tóxica que está matando a vida marinha.

 

A cada ano, ao menos 8 milhões de toneladas métricas de plástico vão parar nos mares e oceanos, frequentemente se decompondo em pequenos microplásticos que acabando indo parar na nossa cadeia alimentar.

Informação foi colocada no relatório inédito “State of the World’s Fungi”. A cientista sênior do Kew Gardens, Ilia Leitch, disse que outros fungos e microrganismos também estão sendo explorados pelo potencial de degenerar diferentes tipos de plástico. Explicou que “ao entender como os fungos quebram estas ligações e quais são as condições favoráveis, você pode então aumentar a velocidade com que fazem isso”.

O relatório do Kew Gardens mostra o tipo de pioneirismo que

estará presente na 4ª Assembleia das Nações Unidas sobre o

Meio Ambiente, em março do ano que vem, sobre “soluções inovadoras

para desafios ambientais e produção e consumo sustentável”.

Destacando que pode haver até 3,8 milhões de espécies de fungos, com somente 144 mil catalogadas, os autores (equipe de cerca de 100 cientistas de 18 países) afirmam que mais pesquisas sobre estes organismos podem fornecer respostas para alguns dos maiores desafios da humanidade.

O relatório explicita que avanços nas aplicações agrícolas podem se transformar em segurança alimentar melhorada, sustentabilidade ambiental e aumento das receitas de produção.

Além de reciclar nutrientes e ajudar safras a crescerem com maior eficiência, fungos também fornecem componentes que produzem antibióticos, imunossupressores e estatinas que bloqueiam ação enzimática hepática produtora de colesterol.

De acordo com a ONU Meio Ambiente, há evidências crescentes de que a

mudança climática está afetando as variedades de espécies e de biodiversidade

em maneiras que ainda não são compreensíveis. Os próprios fungos estão sob

ameaça, especialmente em áreas de altas latitudes, onde temperaturas médias

continuam crescendo, como no Ártico. Estas mudanças já afetam a reprodução

dos fungos, sua distribuição e atividades geográficas, com possíveis efeitos para nossos ecossistemas.

“Espécies reagem de formas diferentes à mudança climática, o que perturba a interação entre elas”, disse Niklas Hagelberg, especialista da ONU Meio Ambiente sobre mudança climática e ecossistemas.

“Isto complica ainda mais a conservação: nós precisamos acrescentar rapidamente o tema da mudança climática aos esforços de gerenciamento de nosso ecossistema”.

Em preparação à assembleia do ano que vem, a ONU Meio Ambiente pede para que pessoas “pensem além e vivam dentro”, um lema que tem o objetivo de atacar os desafios ambientais e garantir um futuro próspero – que pode incluir um papel para os fungos, o que era impensável há poucos anos.

 

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