27/10/2018 (21:56)

Indígena brasileira, advogada, ganha prêmio das Nações Unidas

Joênia Batista de Carvalho, conhecida por Joênia Wapichana, primeira advogada indígena a comparecer perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e em 2013 nomeada primeira presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas; tornou-se ganhadoras do Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas. Anúncio foi da Assembleia Geral.

 

Maria Fernanda Espinosa, presidente da Assembleia Geral da ONU,

anunciou os vencedores do Prêmio das Nações Unidas de Direitos

Humanos. Citou primeiro Joênia Wapichana, defensora das

comunidades indígenas, e a primeira mulher indígena a se tornar

advogada no País, onde há pouco foi eleita deputada federal.

Na ONU News, de Boa Vista, em Roraima, Joênia disse acreditar que o prêmio dará mais visibilidade aos povos indígenas. “Vai fazer com que o mundo preste atenção que os povos indígenas são detentores de direitos, que têm seus valores, não somente aquele olhar de cobiça para as terras indígenas”.

“São cidadãos, pessoas que querem fazer parte da tomada de decisões de muitos processos que estão sendo discutidos dentro dos países, são defensores de direitos, de conhecimentos, de vários saberes. A gente vai fazer também com que as crianças possam viver este exemplo. E eu entendo que este reconhecimento vai servir também para nos proteger”.

A ativista é da comunidade Wapichana, do leste de Roraima. Após defender um caso de disputa de terras na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Joênia também se tornou a primeira advogada indígena a comparecer perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2013, foi nomeada primeira presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas.

“Quando eu levo a palavra como primeira mulher indígena formada no Brasil, é justamente para dar um incentivo, para que essa minha imagem possa ser reproduzida, multiplicada dentro dos povos indígenas”.

“Infelizmente, ainda é pouco, são poucas as mulheres que são visualizadas, porque eu acredito que existem muitas delas, igual a mim, que estão se esforçando, que estão defendendo os direitos, que são guerreiras, eu conheço várias delas, que fazem um trabalho brilhante, muito antes de mim até. Mas que não são vistas ainda pela mídia, reconhecidas, e este prêmio da ONU, eu vou até dedicar a todas as mulheres indígenas, que já fazem este trabalho.”

 Demais vencedores do Prêmio

Outros vencedores do Prêmio de Direitos Humanos de 2018 são a ativista

de direitos humanos de mulheres e meninas da Tânzania Rebeca Gyumi

e a organização irlandesa Front Line Defenders. A quarta premiada foi a

advogada de direitos humanos Asma Jahangir, do Paquistão, que

recebeu título póstumo. Ela morreu em fevereiro de 2018.

O Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas é concedido a pessoas e organizações pelas suas conquistas em direitos humanos. De acordo com a ONU, o prêmio é uma oportunidade de “enviar uma mensagem clara aos defensores dos direitos humanos em todo o mundo de que a comunidade internacional agradece e apoia seus esforços para promover todos os direitos humanos para todos”.

Entre os vencedores de anos anteriores estão nomes como os de Martin Luther King, Nelson Mandela, Malala Yusafzai, as organizações Anistia Internacional e Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Criado pela Assembleia Geral da ONU em 1966, o prêmio está em sua décima edição, que coincide com o aniversário dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Os vencedores são escolhidos por um comitê especial formado pela presidente da Assembleia Geral, o presidente do Conselho Econômico e Social da ONU, o presidente do Conselho de Direitos Humanos, entre outros.

Para o prêmio de 2018, foram recebidas mais de 300 candidaturas

de diversas áreas, incluindo Estados-membros, organizações da ONU

e da sociedade civil. A entrega do prêmio acontecerá em dezembro,

na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. A cerimônia

fará parte das comemorações do Dia dos Direitos Humanos.

 

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