26/10/2018 (14:57)

Língua indígena e espanhol nas audiências da justiça brasileira

Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) já está introduzindo língua indígena e espanhol nas audiências em que crianças estão envolvidas. Logo haverá também a linguagem de sinais. Trata-se de uma tendência que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já antecipa como válida para ser implantada na estrutura judiciária de todas as comarcas brasileiras.

 

Consolidado no Poder Judiciário brasileiro, o depoimento especial – técnica humanizada

para escuta judicial de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de abuso

sexual – começa a ganhar nova roupagem para atender públicos específicos. Com o

objetivo de conduzir a escuta especializada de forma ampla e atender diferentes

públicos, o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) passou a capacitar intérpretes em espanhol

e língua materna indígena para conduzir esses depoimentos quando as crianças não falam português.

Titular da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJRR, o juiz Marcos Oliveira fala sobre a importância da medida. “Com os índios que vivem no estado e a chegada dos venezuelanos, ajustes na condução do depoimento especial se mostraram necessários. É uma questão de inclusão”, diz o magistrado, lembrando que a experiência pode ser reproduzida em outros estados.

A capacitação promovida com apoio da direção do Tribunal também contou com a participação de entrevistadores forenses do próprio TJRR. No curso, eles receberam orientações de ordem teórica e prática. Duas servidoras do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS) foram as responsáveis pelo treinamento. Foram alguns dos assuntos apresentados pelas instrutoras do curso: a trajetória do depoimento especial no Rio Grande do Sul (estado pioneiro na prática da escuta especial no Brasil), os desafios do depoimento infantil e a construção da empatia.

“Nesta fase, as vivências das crianças devem ser tratadas

de maneira distinta e, na maior parte dos casos, o relato

da vítima é a única prova possível para responsabilizar o

acusado”, afirma o juiz Marcos Oliveira, que ocupa a

coordenadoria há um ano e meio.

Em uma próxima fase, a Coordenadoria da Infância e Juventude do TJRR pretende capacitar os servidores na Língua Brasileira de Sinais (Libras), a fim de também atender de forma humanizada crianças e adolescentes surdos.

Marco

A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preveem que a criança tem o direito de ser ouvida em processos judiciais que lhe dizem respeito. Com base nesses normativos, em 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Recomendação n. 33, que indicava a necessidade da criação de serviços especializados para escuta de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual nos tribunais de Justiça.

Sete anos mais tarde, houve a sanção da Lei n. 13.431/2017, que tornou obrigatório o depoimento especial em todo o Brasil. A lei normatiza e organiza o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e cria mecanismos para prevenir e coibir a violência. Em seu art. 5º, XI, a lei preconiza que é direito da criança e do adolescente ser assistido por profissional capacitado e conhecer os profissionais que participam dos procedimentos de escuta especializada e depoimento especial.

 

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