15/10/2018 (22:58)

Alto número de cesarianas e violência dominam debates em Congresso no RJ

Dez mil médicos obstetras e ginecologistas de 130 países estão reunidos (181014), no Rio de Janeiro, para debater a saúde da mulher, no 32º Congresso Mundial de Ginecologia e Obstetrícia, da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Em destaque, a violência contra meninas e mulheres, como objetivos das Nações Unidas.

 

De acordo com a ONU, dados disponíveis, de 2005 e 2015 em 52 países, revelam que 21% das meninas e mulheres entre 15 e 49 anos sofreram violência física e ou sexual nas mãos de um parceiro íntimo. Mas há ainda outro tema que sobressalta. É o número exagerado de cesarianas que segundo especialistas e autoridades, são desnecessárias. Esse é um assunto que terá conclusões no Congresso.

Segundo o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), César Fernandes, há progressos em relação ao papel da mulher na família, na sociedade, no mundo corporativo e na esfera governamental.

“Mas ainda há muito a ser feito. Existe muita violência declarada ou oculta contra as mulheres", afirmou. Para o médico, o tema continua atual e relevante." Não podemos ficar à margem de tudo isso", disse Fernandes, que também é representantes no Brasil da federação internacional. Ele falou sobre a importancia de apoiar, divulgar e dar visibilidade à campanha pelo fim da violência de gênero.

Saúde da mulher

Definido pelo presidente da Febrasgo como linear, abrangente, que abrange a saúde da mulher como um todo, o congresso contará com palestras de 400 especialistas internacionais de renome sobre temas que incluem saúde reprodutiva, maternidade, assistência ao parto, oncologia ginecológica, doenças de um modo geral. “Tudo o que diz respeito à saúde da mulher será abordado."

Durante o evento, que se estenderá até o dia 19, será realizado um simpósio oferecido pela Ferring Pharmaceuticals, empresa biofarmacêutica e líder mundial em reprodução assistida, para apresentação à comunidade científica mundial do estudo clínico Champiom, patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que objetiva encontrar novo tratamento para hemorragia pós-parto (HPP).

Segundo o presidente da Ferring, Alexandre Seraphim, a hemorragia

pós-parto responde anualmente por cerca de 70 mil mortes maternas

em todo o mundo, das quais 20% ocorrem no Brasil.

Parteiras, enfermeiras, clínicos gerais e outros especialistas em saúde

feminina, participam do encontro, além de representantes da ONU

e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Cesarianas desnecessárias

A cesariana é um procedimento cirúrgico que, quando realizado por razões médicas, pode salvar a vida de uma mulher e de seu bebê. No entanto, muitas delas são realizadas desnecessariamente, o que pode colocar em risco a vida e o bem-estar das mães e de seus filhos tanto no curto como no longo prazo.

Em todo o mundo, as taxas de cesariana têm aumentado constantemente, sem benefícios significativos para a saúde das mulheres ou de bebês. Reconhecendo a necessidade urgente de abordar o aumento sustentado e sem precedentes dessas taxas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou (181011) uma nova orientação sobre intervenções não clínicas projetadas especificamente para reduzir as cesarianas desnecessárias.

A nova recomendação incorpora opiniões, medos e crenças de mulheres e profissionais de saúde sobre cesarianas. Também considera as complexas dinâmicas e limitações dos sistemas e organizações de saúde e as relações entre mulheres, profissionais de saúde e organização dos serviços de saúde.

Entre as principais orientações, estão intervenções educacionais para mulheres e famílias, com o objetivo de apoiar um diálogo significativo com provedores e tomada de decisão consciente sobre o tipo de parto (como oficinas de treinamento para mães e casais, programas de treinamento de relaxamento conduzidos por enfermeiros, programas psicossociais de prevenção para casais e/ou psicoeducação para mulheres com medo de dor ou ansiedade).

A OMS também recomenda o uso de diretrizes clínicas, auditorias de cesarianas e feedback oportuno aos profissionais de saúde sobre práticas de cesariana e requisito para segunda opinião para indicação de cesariana no ponto de atendimento em ambientes com recursos adequados.

Algumas intervenções destinadas a organizações de saúde são recomendadas apenas sob rigorosa pesquisa, como modelo colaborativo de parteira-obstétrica (ou seja, um modelo de pessoal baseado em atendimento fornecido principalmente por parteiras, com 24 horas de apoio de um obstetra, que fornece internamente cobertura de trabalho e parto sem outras tarefas clínicas concorrentes) ou estratégias financeiras (ou seja, reformas de seguro que igualem as taxas médicas para partos naturais e cesarianas).

Desigualdade e riscos

Enquanto muitas mulheres que necessitam de cesarianas

ainda não têm acesso à intervenção, particularmente em

locais com poucos recursos, outras passam pelo procedimento

desnecessariamente, por razões que não podem ser justificadas clinicamente.

A cesárea está associada a riscos de curto e longo prazo, que podem se estender por muitos anos além do parto e afetar a saúde da mulher, da criança e de futuras gestações. Esses riscos são maiores entre mulheres com acesso limitado a cuidados obstétricos integrados.

As cesarianas também são dispendiosas e altas taxas dessas intervenções desnecessárias podem, portanto, utilizar recursos de outros serviços essenciais de saúde, particularmente em sistemas sobrecarregados e com falhas.

Entendendo o contexto

Existem muitas razões complexas para o aumento das taxas de cesárea, que variam muito entre e dentro dos países. Antes de implementar qualquer intervenção para reduzir as taxas, a OMS sugere que sejam feitas pesquisas que identifiquem e definam por que esses números estão aumentando no cenário específico, bem como os determinantes localmente relevantes da cesariana, as opiniões e normas culturais das mulheres e provedores de cuidados de saúde.

Além disso, as intervenções para reduzir as taxas que não abordam as complexas e multifacetadas razões para seu aumento provavelmente terão impacto limitado. Intervenções que têm múltiplos componentes são mais bem-sucedidas e, portanto, mais desejáveis.

 

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