23/10/2018 (02:01)

Brasil, Peru e México têm mais de 50% dos casos de tuberculose

Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou 282 mil novos casos de Tuberculose (TB) nas Américas, 11% entre pessoas com HIV. Ao todo, 87% dos casos se concentram em 10 países. Brasil, Peru e México têm mais de 50% do total. Estima-se que 24 mil pessoas morreram por tuberculose na região, 6 mil também portadoras do vírus da AIDs.

 

Do total de 282 mil novos casos estimados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, 11% são de pessoas que vivem com HIV. Ao todo, 87% se concentram em 10 países. Estima-se que 24 mil pessoas morreram de TB em 2017 na região, 6 mil coinfectadas com HIV.

As mortes e os novos casos de TB caíram para 37,5% e 24%, respectivamente, entre 2000 e 2015 nas Américas. No entanto, o ritmo de declínio deve ser acelerado para que a região consiga pôr fim à doença, segundo revela um novo relatório da OPAS.

“Tuberculose nas Américas 2018”, lançado às vésperas da primeira reunião de alto nível das Nações Unidas sobre a doença, proporciona uma avaliação atualizada da epidemia e os progressos realizados com respeito à atenção e prevenção.

“Acabar com a tuberculose só será possível se intensificarmos a redução

de novos casos e mortes”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne.

“Precisamos ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento de qualidade

para todos que precisam e abordar os determinantes sociais que afetam

a saúde e favorecem a transmissão da doença".

Embora seja evitável e curável, a tuberculose é atualmente a doença infecciosa mais letal da região e a persistência se deve, em grande parte, às graves desigualdades sociais e econômicas nas Américas. Desde 2015, as mortes diminuíram em média 2,5% ao ano e os novos casos caíram 1,6%. Contudo, precisam de uma velocidade de decréscimo de 12% e 8% por ano, respectivamente, para atingir as metas intermediárias para 2020 e continuar em declínio até 2030.

Acabar com a epidemia mundial de tuberculose é uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A estratégia “End TB” da OMS, adotada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2014, tem o objetivo de reduzir em 80% as mortes por TB e a incidência da doença (número de novos casos a cada ano) em 80% até 2030, comparada com os níveis de 2015.

TB multirresistente

O relatório observa que mais de 50 mil pessoas na região – quase metade

com menos de 15 anos de idade – não sabem que têm a doença e não

foram tratadas. Essa lacuna de diagnóstico aumentou em 3 mil pessoas,

em comparação com 2016. O teste de diagnóstico rápido, uma nova

ferramenta que poderia ajudar a reduzir a diferença, foi usado em apenas

13% dos casos confirmados, um pouco acima dos 9% em 2016.

O tratamento para a tuberculose salvou milhares de vidas. No entanto, nos últimos cinco anos, 75% dos pacientes foram curados, o que está abaixo da meta estabelecida para 2030 (ao menos 90%). Para acelerar o progresso, o relatório recomenda que os países melhorem o monitoramento dos pacientes para garantir o acompanhamento do tratamento (8,6% o abandonam) e abordar as barreiras de acesso à saúde, entre outras questões.

A tuberculose multirresistente também é uma séria ameaça, com cerca de 11 mil pessoas atualmente infectadas por essa forma da doença na região. Entre aqueles que a desenvolvem, a taxa de cura é de apenas 56%.

Menor incidência de TB

As Américas são a região com o menor percentual de novos casos de TB no mundo (3% do total) e a primeira região com uma oportunidade real de eliminar a doença como problema de saúde pública. Segundo o relatório, 15 países, 12 do Caribe, têm baixa incidência da doença (menos de 10 casos por 100 mil pessoas) e estão em vias de eliminação.

“Os países estão adotando medidas para combater a tuberculose, mas não podem baixar a guarda e devem redobrar os esforços, junto com a colaboração da sociedade em geral, incluindo as comunidades afetadas”. Palavras de Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde, da OPAS.

Entre outras recomendações do relatório para acelerar o progresso em direção

à eliminação da TB, especialmente em países com maior carga de doenças, estão:

promover o estudo de contatos com pessoas com TB, especialmente menores de

15 anos; aumentar a implementação de regimes de tratamento mais simples e

introduzir drogas para crianças; alcançar as populações mais vulneráveis e abordar

os determinantes sociais; bem como garantir que os planos sejam financiados com

recursos próprios de um país, em vez de depender de fundos externos.

 

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