05/11/2018 (21:26)

Saturno tem surpresas, revela sonda Cassini

Em Saturno, os anéis mais internos estão "bastante contaminados, aparentemente com material orgânico capturado em gelo". É uma das revelações do cientista Thomas Cravens, da Universidade do Kansas (EUA). E esse anel lança volumosas quantidades de material na ionosfera do Planeta. Isso faz os estudiosos supor que a vida do astro será menor.

 

A sonda Cassini terminou a missão de 20 anos entrando na atmosfera de Saturno, mas, até o último momento, esteve coletando dados que serviram para proporcionar mais informações sobre a composição dos anéis que cercam o planeta e qual a influência dos mesmos sobre sua atmosfera, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (181004) pela revista especializada Science.

Os dados coletados por Cassini, que se desintegrou na atmosfera de Saturno em setembro de 2017, revelam que a composição química dos anéis é "muito mais complexa" do que se acreditava até agora, segundo comunicado da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, uma das que participaram do estudo.

Além disso, as informações recolhidas pela sonda indicam que

o anel mais interno de Saturno, o chamado D, "está lançando

grãos de pó" para a atmosfera superior (ionosfera) do planeta

e o faz a uma velocidade extraordinária, ao fazer girar cerca

de 10 mil quilos de material por segundo.

 

Pesquisadores consideram que este fenômeno, mantido durante longos períodos de tempo, "pode mudar o conteúdo de carbono e oxigênio da atmosfera do planeta", segundo a nota.

O professor da Universidade de Kansas e um dos autores do estudo Thomas Cravens afirmou que duas coisas surpreenderam: "a complexidade química do que é expulso dos anéis", pois, até aqui, acreditava-se que seria quase tudo água, e a "quantidade e qualidade desses materiais".

Espectrômetro identifica água

O espectrômetro de massas neutras (INMS, na sigla em inglês) da Cassini descobriu que os anéis de Saturno são compostos de água, amoníaco, monóxido de carbono, nitrogênio molecular e dióxido de carbono.

O relatório descreve o que há no espaço entre o anel mais interno de Saturno e a atmosfera superior do planeta, no qual encontraram coisas que já esperavam, como água.

Mas o INMS também encontrou metano e pequenas quantidades de dióxido de carbono, duas coisas que os especialistas não esperavam.

No entanto, os anéis mais internos estão "bastante contaminados, aparentemente com material orgânico capturado em gelo", acrescentou Cravens.

Uma grande quantidade desses elementos está sendo lançada à ionosfera do planeta pelo anel mais interno, cujo giro é mais rápido que o da atmosfera de Saturno.

"Observamos que isso acontece, mas não entendamos totalmente o porquê", afirmou o especialista, que explicou que o material expulso "estava alterando a parte mais externa da atmosfera de Saturno na região equatorial".

Os novos resultados apresentados por Cassini "lançam uma

nova luz" sobre os mecanismos subjacentes no Sistema Solar

e em outros sistemas e seus exoplanetas, além de "proporcionarem

um número infinito de novas perguntas científicas", considerou Cravens.

O fato de o anel D expulsar para a ionosfera do planeta uma quantidade de material maior que a esperada faz com que os astrônomos pensem agora que a expectativa de vida desse anel pode ser mais curta do que tinham estimado.

"Sabemos que há matéria saindo dos anéis de forma pelo menos dez vezes mais rápida do que pensávamos. Se (esse material) não tiver reposição, os anéis não vão durar", considerou o especialista, para quem pode haver um ciclo no qual estes aparecem e desaparecem.

 

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