03/10/2018 (21:37)

Diminuem transplantes de córnea. Prevenir doenças nos olhos é melhor.

Está diminuindo a fila para transplantes de córnea. Números do Ministério da Saúde mostram que ao fim de 2018, serão 15.026 procedimentos; menos que em 2017 quando foram feitas 16.417 cirurgias. Mas o médico oftalmologista do Instituto Penido Burnier, de Campinas, Leôncio Queiroz Neto diz que ainda é demorada a espera na fila, o que gera ansiedade.

 

Pesquisa mostra que maior acesso

ao crosslink explica recuo.

 

O transplante de córnea no Brasil está em queda segundo o Ministério da Saúde. A pasta prevê encerrar este ano com 15.026 cirurgias, cerca de 8% a menos que os 16.417 procedimentos realizados em 2017. A diminuição da fila de espera é ainda maior. Em junho de 2018, 10.256 brasileiros aguardavam por uma doação, contra 13.920 no ano passado.

 

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier apesar do recuo a espera pelo transplante é longa, compromete as atividades diárias e pode causar transtornos como ansiedade e depressão.

Principal causa da menor busca pelo transplante de córnea, é a inclusão do crosslink no rol 2018 dos planos de saúde pela ANS (Agencia Nacional de Saúde). Isso porque, uma pesquisa realizada por Queiroz Neto com 920 portadores de ceratocone, mostra que 52% dos que tinham indicação para realizar a cirurgia afirmaram não ter condições de pagar pelo procedimento. Dos que passaram pelo crosslink 86,9% tiveram estabilidade do ceratocone e 45% uma melhora da visão.

 

A cirurgia

O médico explica que o crosslink é o único tratamento que inibe a progressão do ceratocone, doença degenerativa que afina a córnea e responde por 70% dos transplantes no Brasil. O procedimento, observa, também é indicado no combate de infecções resistentes causadas pelo uso de lente de contato vencida, mal higienizada ou durante o sono.

A cirurgia é ambulatorial, feita sob anestesia local e aumenta em até três vezes a resistência da córnea através da aplicação de radiação ultravioleta (UV) associada à vitamina B12 (riboflavina). “É a maior resistência das fibras de colágeno da córnea que faz a cirurgia prevenir o transplante” , afirma.

 

Como identificar

Queiroz Neto afirma que um dos maiores desafios do ceratocone é o diagnóstico logo no início da doença. Isso porque, observa, frequentemente é confundido com astigmatismo associado à miopia e a progressão é mais agressiva durante a infância e juventude e os resultados do tratamento também são mais efetivos. Alérgicos e portadores da síndrome de Down formam os principais grupos de risco

Os sinais de alerta que podem indicar aos pais a doença em crianças são:

  • Troca frequente do grau dos óculos
  • Dificuldade de permanecer em locais bem iluminados
  • Hábito de coçar ou esfregar os olhos
  • Queda repentina no desempenho escolar
  • Olhos irritados.

Estes sintomas devem ser relatados ao oftalmologista para que seja feita uma tomografia exame que detecta inclusive anomalias na face posterior da córnea. “Quanto antes é feito o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a visão”, pondera.

 

Contraindicações

Adiar o tratamento do ceratocone pode inviabilizar o melhor tratamento, alerta Queiroz Neto. Isso porque, o crosslink não pode ser aplicado em córneas muito finas, com cicatrizes e olhos com glaucoma.

Para proteger a córnea as dicas são:

usar [óculos com filtro UV (ultravioleta)

nas atividades externas, evitar o contato

com produtos químicos e corpos estranhos

usando equipamento de proteção individual,

EPI, adequada para cada atividade.

 

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