28/10/2018 (11:56)

Inflação vai voltar, sem reformas e dificuldades da economia mundial

Embora admita que a equipe econômica não recua no compromisso de manter a meta, o presidente do Banco Central do Brasil sugere que a inflação pode subir. Primeira repercussão deve ser aumento da taxa básica de juros hoje 6,5%. São ameaças atuais à estabilidade inflacionária, se as reformas não saírem do papel e o cenário internacional.

 

A política monetária deve continuar a ser estimuladora para a economia, mas a taxa básica de juros (Selic) pode voltar a subir gradualmente caso haja piora nas expectativas para a inflação. A avaliação foi feita (180927) pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, ao apresentar o Relatório de Inflação.

“Temos compromisso com inflação na meta e, portanto, alertamos que esse estímulo [Selic no menor nível histórico, 6,5% ao ano] começará ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e seu balanço de riscos apresentem piora”.

Ao definir a taxa Selic, o BC está mirando na meta de inflação, que é de 4,5%

neste ano e 4,25%, em 2019, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual

para mais ou para menos. Quando o BC reduz os juros básicos, a tendência é

diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Quando o

Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, o objetivo é conter a

demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos

encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Segundo Goldfajn, há três riscos para a inflação considerados relevantes para o BC. Um deles é a capacidade ociosa da economia brasileira, que pode reduzir a inflação. “Temos a capacidade ociosa que pode nos surpreender e levar a inflação a ficar mais baixa. Mas em compensação, temos dois riscos que estão crescendo. Um deles é o risco de frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas [como a da Previdência] e ajustes na economia brasileira e o outro é o cenário internacional mais incerto, especialmente para economias emergentes”, disse. Esses dois riscos podem elevar a inflação.

“A continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira é fundamental para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazosC, para a queda da taxa de juros estrutural e a recuperação sustentável da economia”, enfatizou.

O risco para as economias emergentes citado pelo presidente do BC é decorrente da alta dos juros nos Estados Unidos (EUA). Com taxas de juros mais altas nos EUA, investidores com capital aplicado em países emergentes, como o Brasil, podem preferir tirar recurso do país e investir em títulos do Tesouro americano, os treasures, considerados os papéis mais seguros do mundo. Este é um dos efeitos que fazem com que o dólar se valorize em relação ao real. A menor oferta de moeda americana no mercado de câmbio nacional eleva o seu preço. Neste ano, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, subiu os juros três vezes.

 

Goldfajn destacou que o crédito está crescendo de forma sustentável no

Brasil . “Não é um crescimento muito elevado, mas é positivo

sustentavelmente”. Ressaltou ainda que a inadimplência vem caindo,

assim como as taxas de juros e o spread (diferença entre taxa de

captação do dinheiro pelo banco e a cobrada dos clientes). “As taxas

de juros e de spread continuam caindo desde o pico de 2016.”

Apesar de não considerar que os juros estão no nível ideal, Goldfajn disse que é “importante perceber o que já se avançou”.

De acordo com o Relatório de Inflação, a expectativa do BC para o crescimento do saldo das operações de crédito do sistema financeiro é 4%, em 2018, ante a previsão anterior de 3%. O resultado será puxado pelo crédito às famílias, com perspectiva de expansão de 7,5%.

 

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