25/09/2018 (10:07)

No verão, cuidado com os olhos ao usar repelentes contra insetos

De janeiro a agosto de 2018, Brasil teve 190 mil casos de dengue, 6 mil de zika e 68 mil de chikungunya. Alta incidência leva ao uso inadequado de repelentes que estão provocando conjuntivite tóxica, alergia e úlcera na córnea. Oftalmologista de Campinas, Leôncio Queiroz Neto recomenda cuidado na aplicação, mediante proteção dos olhos e higiene.

 

Aedes aegypti coloca visão em risco

Risco está relacionado

ao mau uso de repelentes,

inflamação intraocular e queda

de plaquetas. Entenda.

 

Dados do Ministério da saúde mostram que de janeiro a agosto de 2018, foram contabilizados no Brasil 190 mil casos de dengue, 6 mil de zika e 68 mil de chikungunya. Em relação ao mesmo período de 2017 tiveram quedas de 5%, 57% e 60%, respectivamente.

O problema segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier é que a chegada de dias mais quentes e chuvosos aumenta a proliferação do mosquito Aedes aegypti que transmite as três doenças.

Para evitar a contaminação as duas principais recomendações são evitar o acúmulo de água parada nas áreas externas e usar repelente.

Risco dos repelentes

Queiroz Neto adverte que a aplicação incorreta de repelente pode causar conjuntivite tóxica, alergia e úlcera na córnea. É por isso, comenta, que todos os fabricantes indicam evitar o contato com os olhos, independente do princípio ativo do produto.

As principais orientações do especialista para prevenir complicações oculares são:

  • Proteja os olhos com óculos quando usar aerossol.
  • Lave sempre as mãos após o uso, inclusive de produtos em spray.
  • Nunca utilize no rosto ou mãos.
  • Evite coçar ou levar a mão aos olhos.
  • Alérgicos devem testar a sensibilidade à composição, aplicando uma pequena quantidade no antebraço.
  • Irritação da pele ou alterações nas vias respiratórias exigem troca do produto para evitar reação em cadeia nos olhos.

Em caso de contato acidental com a mucosa ocular a dica do oftalmologista é lavar o olho abundantemente com água filtrada e consultar um oftalmologista se o desconforto não desaparecer em dois dias.

Sintomas e tratamentos

“Tanto a conjuntivite tóxica como a alergia ocular causam os mesmos sintomas – coceira, vermelhidão, sensibilidade à luz, lacrimejamento e pálpebras inchadas – mas os tratamentos são diferentes” afirma. Na conjuntivite tóxica, observa, só o afastamento do produto e uso de colírio lubrificante pode ser suficiente para eliminar o desconforto. “Já a alergia requer tratamento com colírio anti-histamínico. Também é muito importante não coçar os olhos porque isso aumenta a produção de histamina na região dos olhos e leva à piora da coceira”, explica. Caso o repelente cause dor ocular intensa, vermelhidão, queda visual, lacrimejamento e secreção amarelada indica úlcera na córnea que deve ser tratada com colírio antibiótico e corticóide sempre sob supervisão médica. Dependendo da gravidade, ressalta, pode levar a uma diminuição permanente da visão.

Zika e glaucoma

Queiroz Neto destaca que estudos mostram que o vírus Zika transmitido pelo Aedes pode causar em adultos uveíte, uma inflamação intraocular que pode desencadear glaucoma. O tratamento padrão com colírio corticóide também elimina a doença causada por zika. Já a transmissão do vírus ao feto através da placenta durante a gestação gera lesões na retina e nervo óptico que provocam a perda da visão nos bebês.

Dengue e vacina

Queiroz Neto afirma que os maiores risco da dengue para a visão são a queda de plaquetas que aumenta a chance de uma hemorragia intraocular e a trombose em vasos da retina decorrente do depósito de anticorpos nas paredes das artérias do olho. Por isso, após o diagnóstico de dengue a recomendação é passar por um exame oftalmológico mesmo que não perceba qualquer alteração nos olhos. Para quem já teve dengue e é contaminado novamente o médico indica tomar a vacina para prevenir maiores complicações.

 

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