04/08/2018 (19:36)

FMI corrige e diz que PIB do Brasil cairá mais. Análise na América.

Crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 2018, não será mais acima de 2%. O FMI revisou para 1,8% e espera que o crescimento econômico prossiga em ritmo moderado, impulsionado pelo consumo privado e pelo investimento. devido às condições globais mais difíceis e à recente greve dos caminhoneiros.

 

O resultado incerto das eleições gerais em 2018 também pode pesar no crescimento, segundo o organismo internacional. A inflação diminuiu para pisos recordes e a previsão do FMI é de que aumente para o centro da meta em 2019, à medida que as lacunas de produção se reduzirem.

Lembrou o Fundo Monetário que o Banco Central encerrou o ciclo de flexibilização em maio, depois que o Real desvalorizou cerca de 13% desde o início do ano. Falharam os esforços para aprovar uma reforma previdenciária considerada necessária e medida fundamental à consolidação fiscal.

América Latina em recuperação

A atividade econômica na América Latina continua se recuperando, de acordo com projeções divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Após a retomada da demanda doméstica liderada pelo consumo em 2017, o investimento está ganhando força. No geral, a região deverá crescer 1,6% em 2018 e 2,6% em 2019 — ante 1,3% em 2017, mas abaixo das projeções de abril.

A dinâmica de crescimento, no entanto, é mais variada do que a projetada em abril, segundo o FMI. Enquanto o crescimento está acelerando em alguns países, a recuperação se tornou mais difícil para algumas das maiores economias, porque as pressões de mercado no nível global foram amplificadas por vulnerabilidades específicas.

O crescimento nos EUA continua em ritmo forte, beneficiando as economias da região que têm laços estreitos com o País. Da mesma forma, preços mais altos das commodities estão dando apoio aos exportadores de matérias-primas da região.

Mas as condições para a demanda global e as finanças, se tornaram mais preocupantes. O aumento na demanda global não é tão forte quanto o esperado em todos os países, o que aumentou os riscos de queda para a demanda externa da região. Ao mesmo tempo, as condições financeiras globais, embora ainda acomodatícias, estão gradualmente piorando.

As pressões do mercado financeiro foram particularmente pronunciadas em países com fundamentos econômicos domésticos mais fracos, ou por causa de incertezas políticas. A escalada das tensões e conflitos comerciais está aumentando os riscos negativos para as perspectivas atuais, inclusive por meio de seu impacto potencial na incerteza e no investimento.

Alguns países exportadores de commodities estão desfrutando de uma recuperação na confiança de empresários e consumidores, alimentando uma demanda doméstica mais alta. Também em alguns países a incerteza interna diminuiu recentemente, se não se dissipou, com o fim de seus ciclos eleitorais.

No entanto, espera-se que a demanda doméstica enfraqueça em algumas grandes economias, refletindo a incerteza política relacionada às próximas eleições ou os efeitos do aperto monetário de curto prazo. Ao mesmo tempo, o apoio da política monetária daqui para frente provavelmente será mais limitado, já que muitos bancos centrais da região suspenderam seu ciclo de flexibilização.

Políticas para a recuperação

A recente diferenciação nas pressões de mercado destaca a importância de políticas para fortalecer os fundamentos domésticos, destacou o FMI.

Com o ajuste fiscal necessário ao longo de vários anos para alcançar a sustentabilidade, agora é a hora de, gradualmente, mas, constantemente, reconstruir amortecedores fiscais, de acordo com o organismo. O maior crescimento global e dos preços das commodities fornecem uma janela estreita de oportunidade, pois a consolidação fiscal subtrairia o crescimento de curto prazo.

Ao mesmo tempo, para assegurar que o crescimento seja inclusivo e sustentável, deve-se dar atenção à qualidade do ajuste fiscal e às políticas estruturais, inclusive priorizando os gastos com educação e enfrentando os gargalos de infraestrutura.

América do Sul

Após um começo sólido em 2018, o crescimento na Argentina está projetado para ficar negativo no segundo e terceiro trimestres de 2018. Enquanto a seca reduziu a produção agrícola, a pressão sobre a moeda argentina em maio e junho prejudicou a inflação e a confiança dos investidores, criando a necessidade de políticas monetárias e fiscais mais rígidas.

A expectativa do FMI é de uma desaceleração do crescimento do País em 2018, para 0,4%, com uma recuperação gradual em 2019 e 2020 que será apoiada pela confiança restaurada no programa de estabilização apoiado pelo fundo, menor custo de capital, menor inflação e forte demanda de exportação dos parceiros comerciais.

No Chile, a previsão de crescimento em 2018 foi elevada para 3,8% (ante 3,4% em abril), devido à forte recuperação contínua das empresas e da confiança do consumidor, que deverá compensar a alta dos preços do petróleo. A inflação continuará a subir gradualmente para a meta de 3%, impulsionada pelo forte ritmo de crescimento e pelos preços mais altos do petróleo.

Na Colômbia, o crescimento está ganhando força, uma vez que o consumo privado e as exportações foram retomados, apoiados pela maior demanda externa e pelos preços do petróleo, bem como pelo ciclo contínuo de flexibilização da política monetária.

O investimento privado deve se recuperar no final do ano, ajudado pela reforma tributária e pela recuperação dos preços do petróleo. As perspectivas de crescimento a médio prazo são favoráveis, ajudadas por um programa de investimento em infraestrutura mais forte.

No Peru, a economia está se recuperando após um ano difícil em 2017. Apoiado pelos altos preços das commodities e por um estímulo fiscal e monetário anticíclico, o crescimento em 2018 deverá ser de 3,7%. Deve subir para mais de 4% em 2019-2020, impulsionado pela demanda interna do setor privado, mesmo com a consolidação fiscal gradual. Prevê-se que a inflação global aumente gradualmente para o centro da meta do banco central até ao final de 2018.

Venezuela, inflação de 1 milhão por cento

A Venezuela continua presa em uma profunda crise econômica e social. A expectativa do FMI é de que o PIB real caia cerca de 18% em 2018 — o terceiro ano consecutivo de declínios de dois dígitos — devido a uma queda significativa na produção de petróleo e distorções generalizadas na micro e na macroeconomia.

A expectativa do FMI é de que o governo venezuelano continue registrando amplos déficits fiscais financiados inteiramente por uma expansão da base monetária, que continuará a alimentar uma aceleração da inflação, à medida que a demanda por moeda continuar a entrar em colapso.

A projeção é de uma inflação de 1.000.000% até o final de 2018, sinalizando que a situação na Venezuela é semelhante à da Alemanha em 1923 ou do Zimbábue no final dos anos 2000. O colapso da atividade econômica, a hiperinflação e a crescente deterioração na provisão de bens públicos (saúde, eletricidade, água, transporte e segurança), bem como a escassez de alimentos a preços subsidiados, resultaram em grandes fluxos migratórios, o que levará a intensificação dos efeitos colaterais nos países vizinhos.

México, América Central e Caribe

As perspectivas do México continuam a ser obscurecidas pela incerteza prolongada relacionada ao relacionamento comercial com os Estados Unidos na ausência de um acordo sobre a renegociação do Nafta, de acordo com o FMI.

O crescimento do PIB em 2018 ainda deverá acelerar em comparação com o ano passado, apoiado pelo maior crescimento nos EUA e devido a um desempenho mais forte do que o esperado no primeiro trimestre do ano.

No entanto, o crescimento para 2019 foi revisado para baixo, para 2,7%, para refletir o impacto da incerteza prolongada relacionada ao comércio sobre o investimento e, em menor escala, o consumo privado.

Espera-se que a inflação continue a cair em 2018, uma vez que o banco central mantém uma postura firme de política monetária. Um compromisso claro com a responsabilidade fiscal e a contínua redução da dívida pública pela administração recém-eleita será crucial para preservar a estabilidade macroeconômica e financeira do país, de acordo com o FMI.

Na América Central e na República Dominicana, o crescimento robusto dos EUA e as remessas mais altas associadas à incerteza sobre as futuras políticas de migração dos EUA continuam a sustentar um forte desempenho de crescimento em 2018. No entanto, a incerteza política na Nicarágua e as interrupções temporárias no setor de construção no Panamá pesam na demanda doméstica, levando a uma pequena revisão para baixo do crescimento regional em 2018, para 4%.

As perspectivas econômicas para o Caribe estão melhorando, apoiadas pelo maior crescimento dos EUA. A reconstrução após furacões devastadores de 2017 em países dependentes do turismo tem sido largamente adiada até agora, mas deverá aumentar em 2019. A alta dos preços das commodities deverá levar a um crescimento moderado para os exportadores de commodities em 2018 e 2019.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).

 

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