12/07/2018 (20:56)

SUS negligencia atenção a vítimas de câncer de boca e garganta

SUS, Sistema Único de Saúde, não dá atenção devida para as vítimas do câncer de boca e garganta. Denúncia foi feita por Melissa Amaral, presidente da Associação de Câncer de Boca e Garganta. Vítima da doença, relata o descaso e a dificuldade a próteses que ajudam na sobrevida. Câncer de cabeça e pescoço atinge 40 mil brasileiros e 500 mil no mundo

 

Cabeça e pescoço é a localização genérica da doença que pode

ocorrer na boca, língua, gengivas, bochechas, amígdalas,

faringe e laringe. O câncer de boca chega a ser o quarto tipo

de tumor mais frequente em algumas regiões do País.

 

Para conscientizar a população sobre a gravidade desse tipo de câncer e alertar para as causas e sintomas, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço promove o julho verde. A doença foi o tema de audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família.

A Presidente da Associação de Câncer de Boca e Garganta, Melissa do Amaral, destacou a falta de atenção do SUS com esse câncer, mesmo com sua gravidade. Ela é portadora de câncer de laringe e usuária da prótese que permite a fala para pessoas que tiveram a laringe removida e disse que o acesso a esse aparelho é muito difícil a pessoas que não têm condições financeiras.

"Esse é um problema grave, a falta de atenção para conosco. Se você sabe que tem cerca de 12 mil laringectomizados mudos no País, por que nós estamos há quatro anos pedindo para o Ministério da Saúde regularizar a prótese? Por que é demorada uma coisa que não precisa de explicação para dizer que é grave, é urgente?", questionou.

Sobrevivência


 Luiz Eduardo de Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, afirmou que os índices de sobrevivência desses cânceres praticamente não evoluíram nas últimas décadas, o que considera inadmissível. Explicou que a atenção nos postos de saúde básica é essencial, pois o diagnóstico rápido é bom para o paciente e para o governo, pois os custos do tratamento no estágio inicial da doença são baixos, o que não ocorre quando o câncer já está avançado.

 

 
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Fatores de risco para o câncer 

Maria Cecilia Camargo, representante do Ministério da Saúde na audiência, destacou os

principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço, que são tabagismo,

consumo de álcool, infecção por HPV e falta de higiene bucal. Ela admitiu que a

rede pública não consegue atender esse problema adequadamente em nenhum

lugar do País, mas disse que há um plano de expansão ocorrendo desde 2012.

 

A deputada Zenaide Maia (PHS-RN) afirmou que a audiência foi de extrema importância. Acredita que um passo importante nessa luta é retirar propagandas de bebidas alcoólicas da televisão.

Já a deputada Flávia Morais (PDT-GO) destacou a necessidade dos deputados trabalharem para acelerar a ampliação dos serviços de radioterapia.

O próximo dia 27 é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. O palácio do Congresso Nacional está iluminado de verde para ajudar na campanha e chamar atenção para os desafios da doença.

 

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